MRT

POR UMA SAÍDA INDEPENDENTE

Derrotar Crivella e a extrema direita sem confiança em Paes, candidato da elite escravocrata

Crivella aprofundou sua aliança nefasta com Bolsonaro durante o período de pandemia no Rio e vem acelerando a reabertura, sem qualquer plano sanitário, e sem qualquer saída para os trabalhadores que são obrigados a arriscar suas vidas, muitas vezes em trabalhos precários e sem direitos. Frente a Crivella, é preciso debater por que Eduardo Paes também não é nenhuma alternativa.

Carolina Cacau

Carolina Cacau é professora e pré-candidata a vereadora do MRT na capital do Rio de Janeiro em 2020.

quarta-feira 22 de julho| Edição do dia

Imagem:AFP PHOTO / Yasuyoshi Chiba

A ode a Eduardo Paes se tornou senso comum entre o “progressismo carioca”, que frente a extrema-direita, não pensa duas vezes antes de apostar no ex-prefeito. Se a aparência entre a direita e a extrema-direita é diferente, na prática, ambos querem fazer com que os trabalhadores paguem pela crise que deve tornar o Rio terra arrasada novamente em 2021.

Crivella é esse nefasto bispo que nos últimos anos massacrou os pobres com a precarização alarmante da saúde, responsável por cortar 800 milhões e demitir milhares em seu governo, deixou um péssimo terreno para o combate a pandemia. Isso se soma a que não garantiu testes para população e EPIs para os trabalhadores da saúde, que tiveram seus salários atrasados em pleno auge de contaminação na cidade. Saltou aos olhos o racismo desse prefeito, que deixou um lixo a cidade, cortando na manutenção, que resultaram na queda de um viaduto, diversas mortes por enchente e sua conivência com as milícias, no caso da queda de um prédio na Muzema. É com o legado do sangue nas mãos que busca a reeleição, se aliando a Bolsonaro para isso.

O estado que há décadas reserva para os negros as moradias precárias, a violência do tráfico, milicia e polícia e a falta do saneamento básico é o mesmo que não garante tratamento, fazendo com que sejam esses os que mais morrem no Rio pela covid-19.
No momento anterior esses governantes preferiram despejar bilhões na militarização das favelas com as UPPs, na repressão e nas olimpíadas, enquanto os trabalhadores e o povo pobre foram escanteados por um projeto excludente que removeu 60 mil pessoas de suas casas para a especulação imobiliária dos condomínios de luxo, como ao redor do Parque Olímpico, hoje abandonado. Paes também fez cortes bilionários na saúde e implementou o sistema de Organizações Sociais, que terceiriza a saúde para terceiros lucrarem com um direito. A Iabas, empresa que saqueou os cariocas em plena pandemia, prestou serviços à prefeitura em sua gestão.

No período anterior, em que a economia ia bem, Paes e Cabral conformaram uma aliança nefasta pró-elite escravocrata e anti-operária e povo negro, e quando esse projeto ruiu, não pensaram duas vezes em despejar esse projeto falido nas costas dos trabalhadores. O ex-prefeito, que se faz de progressista quando bem entende, é do DEM, que pavimentou o caminho do golpe institucional através de Rodrigo Maia. Este mesmo partido, que implementou a reforma trabalhista e da previdência.

Tanto a crise despejada nas costas dos trabalhadores no Rio, quanto à degradação da legislação trabalhista a nível federal geraram a onda de trabalhadores precários que tomou o Rio no pós 2016, setores amplos de mulheres e negros proletários, os mesmos que estão passando pelas piores mazelas na pandemia. Paes e seu partido, portanto, atuaram em duas frentes para serem responsáveis diretos pela precarização de vida do povo carioca, seja com o cortes de direitos ou o desemprego em massa na cidade.

A busca por se diferenciar de Bolsonaro também virou água nesse momento de reabertura acelerada no país em diversos estados. Está escancarado que confluem na mesma tendência, que é a de garantir os lucros patronais, a despeito de quem morra.

Há um mês atrás, Eduardo Paes assinou o Manifesto “Direitos Já”, buscando demagogicamente se unir a uma suposta frente pela democracia. Depositando confiança nesse ex-prefeito, um verdadeiro lobo em pele de cordeiro, cavaremos nossa própria cova. Durante seu governo, os mafiosos dos transportes eram reis, assim como os empreiteiros e os empresários do ramo imobiliário, que enriqueceram as custas do povo pobre carioca, que “comeu o pão que o diabo amassou” na crise de 2016. Sendo Paes ou sendo Crivella, a dose será ainda mais amarga, por isso apostamos numa saída independente da classe trabalhadora.

Um exemplo claro disso é o que empresas de transporte como a concessionária do Metro e da Supervia, que estão ameaçando um lock-out patronal para agosto. Querem que jorre dinheiro público para enriquecer ainda mais com o que deveria ser um direito. Nenhum mal menor enfrentará as patronais, todas elas baixarão as cabeças para esses patrões, que virão ainda mais sedentos em 2021, quando a situação do Rio pode se tornar ainda pior com a diminuição drástica da arrecadação e fechamento de milhares de pequenas empresas. A elite escravocrata que pressionou a todo o momento, pela reabertura acelerada, custe o que custar, virá para cima para garantir seus lucros, sendo a máfia dos transportes somente um prenúncio do que virá.

Frente a calamidade incontestável que Crivella é, que mendiga apoio à ultra-direita de Bolsonaro, Paes não pode ser considerado uma espécie de direita civilizada. Não se pode ter confiança em qualquer um deses projetos.

Precisamos de uma saída de independência de classe para o RJ

Para pavimentar uma alternativa independente a única saída é apostar na luta de classes. Confluir para que a luta dos entregadores, que demonstraram força no dia 1, se torne ainda mais forte no dia 25 e chegue até outras categorias.

No sentido contrário, Marcelo Freixo assinou um manifesto junto a golpistas e direitistas de todas as vertentes, inclusive grandes capitalistas como o maior bilionário do Brasil, Jorge Lehman e a família Setubal dona do Itaú. Caracterizando os golpistas de ontem como “direita democrática”, busca articular-se com inimigos dos trabalhadores como Rodrigo Maia. O próprio Maia se apressou em saudar a retirada de candidatura de Marcelo Freixo que disse que se não chegasse num acordo no Rio, poderia apoiar Eduardo Paes num segundo turno contra Crivella na mesma entrevista para O Globo em que anunciou sua retirada. Este que desistiu de seu projeto eleitoral, pois, a Frente Ampla eleitoral do PT, PCdoB e PSOL, com partidos burgueses, como PDT, PSB e REDE, não foi para frente. Ninguém dúvida que é necessário à unidade para combater a extrema-direita, mas não será a unidade com os golpistas a alternativa para a situação de extrema gravidade que se encontra o Rio.

A esquerda precisa combater a passividade que reina entre as burocracias sindicais do PT e PCdoB e conformar um polo pelo Fora Bolsonaro e Mourão no Rio, que levante a expropriação das empresas de transportes sob controle dos trabalhadores e o julgamento dos corruptos da saúde, que saquearam os cariocas durante a pandemia, com Júri Popular e tomada de suas riquezas para financiar a construção de saneamento básico nas favelas. Além disso, tomar medidas que garantam o emprego e a moradia para uma cidade que promete se degradar ainda mais nos próximos anos, efeitos disso já são sentidos com o aumento da população de rua, com trabalhadores do setor que trabalha por conta própria, o mais afetado em sua renda, ficando sem lar. Por isso, a necessidade de um programa de obras públicas e reforma urbana radical, financiado com o não pagamento da dívida pública e a taxação progressiva das grandes fortunas.

Esse programa que vai até a raiz do problema e não aposta em nenhum nível em falsas alternativas como Eduardo Paes, só pode se dar com a unidade dos oprimidos junto à classe trabalhadora, caminho que a esquerda radical deve preparar, não abrindo mão da independência de classe. Por isso, a nível nacional o Esquerda Diário e o MRT vem levantando a necessidade de uma Assembléia Constitiuinte Livre e Soberana que coloque frente a frente os oprimidos e os opressores, uma política de enfrentamento, que questione o regime de conjunto, sem dar crédito a variantes do regime carcomido que irão atacar os trabalhadores de um ou de outra forma, que no Rio deve se degradar ainda mais sem que a classe trabalhadora trace sua própria alternativa.




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