Economia

VENDA DA EMBRAER

Bolsonaro dá aval para venda da Embraer reforçando laços com imperialismo estadunidense

A venda da Embraer para satisfazer a sanha por lucros de seus empresários e acionistas, passando por cima dos interesses e necessidades dos trabalhadores, é mais um capítulo na história recente de ataques a soberania nacional e entrega das riquezas do país que o governo Bolsonaro é protagonista.

quinta-feira 17 de janeiro| Edição do dia

No último dia 10, Jair Bolsonaro, através de um postagem no Twitter, já havia anunciado não recuar nas negociações de venda da Embraer para a estadunidense Boeing. O Governo não utilizaria o direito de veto que possui, por deter ações especiais, as chamadas “Golden Share”. Agora as negociações estão a um passo de serem formalmente concluídas com a promessa feita pelo vice-presidente financeiro da empresa Nelson Salgado, em evento na Bolsa de Nova Iorque, de pagar US$ 1,6 Bilhão aos acionistas assim que o negócio for assinado. Basta a Embraer convocar uma assembleia de acionistas para receber o aval positivo e encaminhar a assinatura dos documentos finais da negociação.

Essa promessa de entregar esse bilhões aos acionistas apenas atesta que a venda da Embraer se trata de mais um capítulo da política entreguista, dando de bandeja as riquezas nacionais para o capital imperialista internacional, através de privatização e concessões, ajudando a saciar ânsia por lucros dos capitalistas em meio a crise econômica. O governo Bolsonaro, que se elegeu apoiando-se num slogan "patriota", agendou para a próxima sexta-feira um gigantesco leilão do pré-sal que servirá será de preparação para um ainda maior.

A Embraer, privatizada em 1994, é uma empresa estratégica no país empregando dezenas de milhares de trabalhadores em diferentes fábricas espalhadas pelo país. A empresa, terceira maior produtora de jatos comerciais do mundo, se destaca pelo alto desenvolvimento de tecnologia aeronáutica não apenas para fins comerciais como também militares, atualmente a empresa produz um novo avião cargueiro, o KC-390, que tem um valor estimado em US$ 100 milhões por unidade. Toda essa tecnologia cobiçada pela Boeing.

Os termos do acordo não foram alterados, serão duas frentes de negócios, uma de aviação comercial e outra de aviação militar. Na primeira frente, de aviação comercial, a Boeing vai desembolsar US$ 4,2 bilhões para controlar 80% da empresa e a EMBRAER ficará apenas com os 20% restantes, entretanto a empresa brasileira poderá vender a sua parte exercendo uma opção de venda. Na segunda frente, a Embraer deterá 51% e a Boeing 49%, se tratará especificamente da produção, nos Estados Unidos, do cargueiro militar KC-390.

Em suas declarações nessa semana Bolsonaro e o governo garantiram que os termos dos acordos não feririam a soberania e os interesses nacionais, mas o que se viu desde quando começaram a avançar as negociações entre as empresas foi a Embraer colocando em prática políticas de enxugamento de gastos e ameaças de demissões para tornar a empresa mais atrativa aos compradores. Num contexto de grande desemprego no país o que se acena é inclusive a transferência da produção de aeronaves para outros países, EUA por exemplo, que antes eram produzidos aqui como o cargueiro militar KC-390, produzido na atual fábrica em Gavião Peixoto, interior de São Paulo. Além disso o acordo prevê a transferência de tecnologia para a Boeing. Sem contar que a Embraer ainda pode vender o que lhe resta de participação no negócio de aviação comercial a qualquer momento.

A venda da Embraer, impulsionada pelo governo Bolsonaro, é claramente parte da política entreguista e um ataque a soberania nacional iniciada após o golpe institucional através do governo Temer que o atual governo pretende não só dar continuidade mas aprofundar, em favor dos grandes monopólios imperialistas que almejam fazer com que a conta da crise seja paga pela classe trabalhadora. A tecnologia produzida aqui será entregue de bandeja para o capital internacional e milhares de empregos serão perdidos.

Os trabalhadores da Embraer e do Brasil não podem pagar a conta para saciar os interesses dos empresários e acionistas entreguistas da Embraer. Para isso é necessário que as centrais sindicais saiam de seu imobilismo e organizem suas bases para impedir a venda da Embraer, defendendo milhares de empregos e também avançar numa luta para estatizar a Embraer sem nenhum centavo de indenização para os capitalistas.




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