Sociedade

JUNHO 2013

Após 5 anos, mortes causadas pela repressão policial em Junho de 2013 permanecem impunes

A etapa política aberta em junho de 2013 também abriu feridas que não se deixam fechar depois de 5 anos. Famílias ainda sofrem com perdas irreparáveis de pessoas mortas em atos no período por conta da repressão policial. O Estado é o responsável por essas mortes e pela impunidade decorrente.

terça-feira 12 de junho| Edição do dia

Famílias esperam, frente a impunidade do Estado, por respostas do mesmo à repressão policial que foi responsável por acarretar essas mortes. Junho marcou o país com atos de centena de milhares de pessoas que expressavam o descontentamento social com a política, os serviços públicos e também contra a violência policial, não só nos atos, mas também nas favelas e morros.

Das 10 pessoas mortas no período, apenas 1 caso foi julgado e o condenado cumpre pena. Isso demonstra com clareza que a justiça burguesa atua para manter a impunidade das forças armadas, tanto nos casos dos assassinatos nos morros como nos decorrente dos atos. Assim como até hoje não sabemos nada sobre o assassinato de Marielle Franco (PSOL). Isso é a marca de um país onde até hoje os crimes da ditadura não foram julgados.

A repressão policial no período foi responsável pela morte da gari Cleonice Vieira de Morais, em Belém, onde frente ao ataque da polícia para tentar dispersar manifestantes, se refugiou em um prédio que foi alvo de bombas de gás da PM, onde morreu após ter 5 paradas cardíacas provocadas pelo contato com o gás, sem ter como sair do ambiente.

Após a morte de Cleonice a família entrou com processos contra o Estado e a prefeitura ,mas não obteve respostas ainda, em 5 anos.

Outro caso fruto da violência policial foi em Belo Horizonte, onde na Região Metropolitana tiveram três mortes durante os protestos de junho de 2013. Douglas, jovem de 21 anos saiu de casa no dia 26 de junho para um ato perto do Mineirão,e não voltou mais, ele caiu no vão de um viaduto fruto da correria para fugir da repressão.

Segundo o site G1, até hoje “não há uma explicação para a queda, e a investigação apontou que não há culpados. Segundo a Polícia Civil, o inquérito referente à morte foi concluído sem indiciamento em dezembro de 2014 e entregue ao Ministério Público Estadual e à Justiça. Depois disso, houve o arquivamento junto à Vara de Inquéritos da capital, conforme a promotoria”. Para quem estava lá e viveu os atos sabe muito bem a razão da queda e como a investigação policial atua para manter sua própria impunidade.

No mesmo vão onde caiu Douglas, outro jovem, Luiz Felipe Aniceto, tinha caído dias antes e também morreu. A investigação, concluída na segunda-feira (11), também apontou que não há culpados.

Esse são alguns exemplos das marcas deixadas por junho, mês que mudou o Brasil e que tocou na ferida aberta da repressão policial que nos anos posteriores se aprofundou por um lado. Por outro consolidou uma correlação de força onde o Estado sabe que não pode mais reprimir manifestações como fazia, pois morrem de medo de estourar um novo Junho. E os próximos levantes terão que levar a luta contra a repressão e a impunidade.




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