Política

ELEIÇÕES 2018

Acabar com aposentadoria é primeira prioridade para Bolsonaro e Mourão

Fernando Pardal

@fepardal

domingo 28 de outubro| Edição do dia

“Lua de mel de pobre é curta”, “tem que aproveitar a lua de mel para pregar os pregos”, essas foram as declarações de Mourão ao votar, e ele não falava de qualquer “prego”: Mourão disse que o primeiro ajuste a ser feito num eventual governo de Bolsonaro é acabar com as nossas aposentadorias.

A “reforma de todas as reformas”, de acordo com a agenda de golpistas como Temer, mas também como Mourão, o STF e Bolsonaro, é a reforma da previdência que o governo atual não conseguiu implementar, apesar de ter tanto tentado. O que colocou um freio no governo e no Congresso foi a disposição de luta dos trabalhadores, que, se é verdade que foi contida pelas direções burocráticas das centrais a ponto de permitir a aprovação de ataques como a reforma trabalhista, se mostrou grande o suficiente para impedir a destruição da previdência.

Temer deixou claro que o golpe institucional veio para acabar com os direitos dos trabalhadores, e, entre os ataques planejados, o de nos fazer trabalhar até morrer, elevando a idade mínima para 65 anos, entre outros absurdos, é um dos mais duros contra nós. Isso tudo para que os capitalistas joguem os custos da crise sobre os ombros dos mais pobres, e sigam lucrando bilhões, e destinando um trilhão de reais por ano para o pagamento da dívida pública.

Mourão tem o “mérito” de dizer aquilo que, hoje, Bolsonaro já omite de seu discurso público, orientado por marqueteiros e políticos mais hábeis do que o destemperado capitão para conseguir triunfar nas urnas. Não à toa, foi o vice que reiteradas vezes disse que acabaria com o décimo terceiro, ou, na versão “consertada” da proposta, que o “parcelaria”.

A chapa do general e do capitão é a expressão da continuidade do golpe e de seus planos de seguir precarizando a vida dos trabalhadores e atacando nossos direitos. Por um lado, sairão com uma fictícia legitimidade das urnas que Temer não teve. Fictícia porque se tratou, desde o início, de uma eleição completamente manipulada pelo judiciário, que vem sendo o grande “árbitro” e um dos principais condutores do golpe. Manipularam desde a prisão arbitrária de Lula, a anulação de mais de 3,5 milhões de votos sob o pretexto da biometria, o vazamento da delação de Palloci, o aval para que Bolsonaro utilizasse milhões de caixa 2 de empresários em Fake News, e até a absurda perseguição a debates e atividades políticas em universidades e sindicatos.

Além de todo o apoio desse judiciário golpista, Bolsonaro e Mourão querem recrudescer a repressão policial no regime, e não à toa Bolsonaro disse logo após a votação do primeiro turno que queria “acabar com o ativismo” no país; leia-se, massacrar os que lutem contra seus ataques. Entre diversas outras manifestações nesse sentido, afirmou que iria varrer os vermelhos durante a última manifestação de seus apoiadores. Assim, quer ser a continuidade mais violenta e brutal do governo Temer, garantindo “na porrada” a aprovação das reformas, criminalizando o movimento operário, sindical e de juventude que são a vanguarda da resistência aos ataques.

A declaração de Mourão à boca da urna não é qualquer coisa: é uma promessa à classe dominante; empresários. latifundiários e mercado financeiro que, desde o naufrágio de Alckmin, passaram entusiasticamente para o lado do candidato da extrema-direita. É uma promessa de que serão seus maiores aliados, colocando todos os seus votos e toda sua truculência a serviço desse projeto anti-trabalhadores e de acabar com nossos direitos mais elementares.

Mesmo no pouco provável cenário de que não sejam vitoriosos nas urnas, o PSL garantiu a segunda maior bancada na Câmara (que pode se tornar a primeira a depender das negociações com os parlamentares de partidos fisiológicos da direita que não ultrapassaram a cláusula de barreira), e se tornou um expressivo partido da extrema-direita, conquistando um lugar no regime diante do “derretimento” de partidos tradicionais como PMDB e, principalmente, PSDB. Portanto, um governo de Haddad, longe de representar um suposto “Brasil feliz de novo”, será um governo extremamente condicionado por uma direita muito fortalecida. Se nos governos anteriores o PT já mostrou sua opção estratégica por se aliar com o que há de mais reacionário na política em nome da “governabilidade”, certamente um novo governo de Haddad se mostrará ainda mais “moderado”, ou, melhor dizendo, que fará ataques aos trabalhadores como vimos no segundo governo Dilma, e como já foi sinalizado pelo candidato petista durante a campanha.

Por isso devemos ter a consciência de que o combate a esses planos anunciados a todo o país por Mourão nesse dia de votação não serão derrotados nas urnas, mas com a organização dos trabalhadores e da juventude. Construamos nossos comitês em cada local de estudo e trabalho para combater Mourão, Bolsonaro e os planos dos capitalistas para destruir nossa aposentadoria.




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