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A corrida da vacina: governos buscam imunização, mas com lucros e interesses políticos

A corrida da vacina está dada e o interesse capitalista é o causador das tantas dificuldades no estudo do vírus e dessa doença que atinge principalmente os negros e os mais pobres.

quarta-feira 23 de setembro| Edição do dia

Foto: Dado Ruvic / REUTERS

A CoronaVac, candidata a imunizante contra a covid-19, apresentou segurança e eficácia na fase 3 dos testes com 50 mil voluntários na China. O Estado de São Paulo prevê ter 60 milhões de doses do produto até fevereiro de 2021. As primeiras cinco milhões devem chegar em outubro e, até o fim do ano, a expectativa é ter 46 millhões.

Os testes na China indicaram aproximadamente 5,3% de pacientes com efeitos adversos, todos de baixa gravidade. Os estudos ainda não foram apresentados pelo governo. A previsão é de que sejam necessárias duas doses do produto para garantir a proteção.

Um acordo entá sendo firmado com a Sinovac para a transferência de tecnologia ao Instituto Butantã em São Paulo, que poderá também produzir a vacina. Nove mil voluntários, todos profissionais de saúde, de seis Estados brasileiros participam da testagem da coronavac. Até o final de setembro, todos terão tomado as duas doses.

Já o governo federal assinou acordo com a farmacêutica AstraZeneca, que desenvolve com a Universidade de Oxford (Reino Unido), um imunizante que também está na fase 3 dos ensaios clínicos, com humanos. Esse contrato também prevê transferência de tecnologia, para a fabricação de doses no Brasil. Já os governos de Paraná e Bahia fecharam parceria com a Rússia para testar a vacina Sputnik 5, também em fase final de testes.

Neste momento de pandemia, a corrida para imunizar a população ocorre dentro de um contexto de lucros e interesses eleitorais e geopolíticos. Dessa forma, fica claro que a disputa capitalista entre governos e industrias farmacêuticas está evoluindo.

Já há muitas décadas que existe uma supressão de investimentos em pesquisas que visam a construção e a manutenção de uma vida saudável para a população mundial, visando investimentos mais direcionados para pesquisas daquilo que podem gerar lucros exorbitantes para as riquíssimas indústrias farmacêuticas.

O interesse capitalista é o causador das tantas dificuldades no estudo do vírus e dessa doença que atinge principalmente os negros e os mais pobres.

Essa corrida precisa ser guiada pelo interesse dos trabalhadores, tendo somente assim então os cientistas a liberdade e o recebimento de todos os insumos necessários para as pesquisas garantidos pela classe trabalhadora. Além disso, somente por esse caminho que todos poderão ter uma segurança efetiva contra resultados inconsequentes dessa atual corrida, que inclusive vem suprimindo fases de testes com a vacina em prol da reabertura da economia por cima da vida dos trabalhadores.

A saúde pública não pode ser moeda de troca para ver quem saíra na frente com a reabertura total da economia. Se não fossem os interesses capitalistas que estivessem à frente, desde o início, testes massivos teriam sido garantidos, um giro das indústrias teria sido dado para a produção de todos os produtos e materiais necessários para salvar vidas.

Veja aqui: Mais de 800 mortes por COVID no dia em que discurso de Bolsonaro na ONU minimiza pandemia.




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