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DESEMPREGO

4,8 milhões de desempregados buscam trabalho há pelo menos 1 ano

Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Brasil encontra hoje 4,703 milhões de pessoas em situação de desalento no terceiro trimestre de 2019, 3 milhões apenas na região Nordeste.

terça-feira 19 de novembro| Edição do dia

A realidade dos trabalhadores no Brasil de Bolsonaro é a dura realidade do desemprego, de baixos salários, informalidade, maior carga de trabalho e serviços de baixa qualidade. Essas dificuldades fazem parte do dia a dia de dezenas de milhões de pessoas, principalmente as mulheres e os negros, fazendo com que o povo pague por uma crise que ele não criou.

No fim do trimestre passado, Bolsonaro comemorou em seu twitter a queda do desemprego, anunciada nas pesquisas do IBGE. Citou as taxas de 11.8% e disse que “Ainda é alta, a herança deixada pelo PT é catastrófica, mas estamos trabalhando duro para fazer do Brasil um ambiente cada vez mais favorável para geração de emprego.”

O que o Bolsonaro ignorou foram as taxas de subemprego (que já estavam aumentando trimestre passado), e as taxas de desalento, que segundo os últimos dados do IBGE, estão especificamente altas no Nordeste. As taxas de desalento representam pessoas que já procuraram tanto emprego, sem nunca achar, que desistiram de procurar e estão sem perspectivas.

A taxa de subemprego representa toda a população que trabalha em jornadas de trabalho de 12 horas ou mais fazendo entregas para a Rappi, Uber Eats, iFood e outros empregos que exigem muito trabalho com salários miseráveis. Isso sem considerar as pessoas que estão desempregadas mas não podem assumir um emprego porque precisam cuidar de familiares, da casa, ou por outros motivos.

Estes grupos (desalentados e subempregados, assim como as pessoas que não podem assumir um emprego) não entram na estatística de desempregados, mas são parte da população que sofre com as medidas tomadas por Bolsonaro para precarizar o trabalho em nome do lucro. A situação dos brasileiros, na realidade, não melhora como disse Bolsonaro; ela só piora.

Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 3 milhões de brasileiros estão desalentados no Nordeste. Na região Sudeste, esse número beira 1 milhão.

No total, o Brasil encontra hoje 4,703 milhões de pessoas em situação de desalento no terceiro trimestre de 2019. Os maiores contingentes estavam na Bahia (781 mil pessoas) e no Maranhão (592 mil desalentados). Os Estados com menor população em desalento foram Roraima (17 mil) e Amapá (19 mil).

O porcentual de pessoas desalentadas - em relação a todos os desocupados, ocupados e pessoas com disponibilidade para trabalhar mas que não estão procurando emprego - foi de 4,2% na média do País no terceiro trimestre, mas alcançou 18,3% no Maranhão e 16,5% em Alagoas. Os menores porcentuais foram registrados em Santa Catarina (1,1%), Rio Grande do Sul (1,3%) e Distrito Federal (1,3%).

Subutilização da força de trabalho

A subutilização do trabalho é a categoria que mostra o porcentual de pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e inativos com potencial para trabalhar.

A taxa de subutilização da força de trabalho superou o patamar de 40% no terceiro trimestre em dois Estados brasileiros: Maranhão (41,6%) e Piauí (41,1%).

Na média nacional, a taxa de subutilização foi de 24,0% no terceiro trimestre. Os menores resultados ocorreram em Santa Catarina (10,6%), Mato Grosso (14,7%), Rio Grande do Sul (16,3%) e Mato Grosso do Sul (16,3%).

Vale lembrar que, terça-feira passada(12), Bolsonaro publicou mais uma Medida Provisória de seu programa econômico hiperexplorador, que abrange uma série de alterações nas leis trabalhistas e tem como alvo aumentar a precarização da juventude trabalhadora, com o aumento da jornada de trabalho. Bolsonaro deixa claro que está do lado dos capitalistas, que criaram a crise que sofremos hoje, e que estão querendo nos fazer pagar.

É preciso uma política de auto-organização da classe trabalhadora e dos estudantes, que faça uma aberta luta política com as burocracias sindicais e estudantis que rompam sua passividade o golpismo e a extrema-direita, levando adiante a construção de um frente única de trabalhadores e setores em luta para impor, através dos métodos da luta de classes, demandas verdadeiramente democráticas. É preciso batalhar pela revogação das reformas dos golpistas, como a reforma trabalhista e a da previdência, pelo não pagamento da fraudulenta dívida pública e pelo fim do desemprego através da redução e divisão da jornada de trabalho entre os contratados e os hoje desempregados, sem redução salarial.

[Com informações de Agência Estado.]




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