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Miércoles 15 de Julio de 2020
01:27 hs.

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CALAMIDADE NA SAÚDE
Mortes por falta de UTIs, assistência médica em crise e a censura do governo do DF
Gilson Dantas
Brasília

Pessoas pobres morrem por falta de UTI e a resposta do governo é amordaçar e censurar as denúncias:governo baixa circular pela qual todo trabalhador fica proibido de denunciar as condições de calamidade do seu local de trabalho, seja hospital ou escola.

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Há várias semanas atrás mais uma menina recém-nascida veio a falecer aqui em Brasília por conta da demora no atendimento: foi obrigada a esperar dois dias por uma UTI neonatal que nunca veio; ela morreu antes.
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A verdade é que a carência de leitos de terapia intensiva, faz a diferença entre a vida e a morte.

Suponhamos que dez pessoas necessitem de um atendimento imediato em unidade de terapia intensiva. E que apenas duas consigam vaga e superem sua crise. Quem está, em última instância, decidindo a sorte dos demais? Claramente o Estado.

Morre-se por falta de presença do Estado. Apenas nestes dois meses iniciais de 2015, do governo Rollemberg, ao menos 124 pacientes já recorreram à justiça na tentativa de conseguir uma vaga em UTI. O que fica evidente aqui é que para tentar não morrer o trabalhador tem que montar advogado e entrar numa pantanosa luta judicial. Paga impostos mas não tem direito garantido na hora do seu maior perigo não tem direito a uma UTI, a uma incubadora neonatal.

Essa crise se arrasta no DF anos a fio. Em 2013, 443 pacientes entraram na justiça pelo mesmo motivo; em 2014, foram 744 entradas na justiça. E é claro que não se trata apenas de UTI. No caso acima, da menina recém-nascida que morreu na fila de espera por uma UTI, a mãe já vivera seu martírio quando teve que percorrer SEIS hospitais em Brasília até conseguir, com muita dificuldade, dar à luz em hospital público de Taguatinga. Em seguida veio o calvário da filha, em nova busca de vaga.

As denúncias que conseguem aparecer na mídia se acumulam: de medicamentos a gaze e seringa, faltam materiais, recursos humanos estão em baixa e filas de horas a fio são a rotina da população que chega a procurar uma unidade de saúde em Brasília. Seja gestão do PT, seja do PSB-Rollemberg (aliado total do tucano Aécio e do velho oligarca Roriz), a saúde, assim como educação não são real prioridade. A própria pasta da saúde reconheceuum déficit de 4,5 mil servidores.

E segundo o Tribunal de Contas do DF (TCDF) há uma falta bruta de 2,6 mil leitos comuns no sistema. Mas o governo segue adiante com cortes orçamentários e com a famigerada terceirização na área da saúde: até leito de UTI está terceirizado no DF; dos 440 leitos de UTI, boa parte são “conveniados” e quase 100 estavam até outro dia (fevereiro passado) fechados. Neonatologistas denunciaram meses atrás blocos materno-infantis que viraram “entulho de máquinas” que não funcionam; o GDF não repassava pagamento para a empresa de manutenção. Uma em cada três incubadoras da rede pública, em dados oficiais de fevereiro passado, não possuem contrato de manutenção.

Resumo: unidades que deveriam salvar vidas terminam funcionando a favor da morte; superlotadas, com grandes filas de espera, sem manutenção à altura, e totalmente detrás da demanda da cidade e seu entorno. Em absoluto descaso com as bandeiras reclamadas pela população local e nacional em junho de 2013 e das greves locais que se sucedem, com cortes de pistas, a reação do governo local não vai além de seguir terceirizando, privatizando, cortando verbas públicas e estreitando laços políticos com a velha oligarquia corrupta local (grupo Roriz). Aliás a resposta política do governo é espantosa: a secretaria de saúde de Rollemberg emitiu circular, vigorando desde fevereiro, ameaçando qualquer funcionário de punição se passar informações à imprensa, se produzir áudios ou imagens revelando o estado vergonhoso das unidades de saúde e das escolas, e vazá-los inclusive “pelas redes sociais” (é o que consta do decreto do governo em circular da Secretaria da Saúde de 12/2/2015).

É a “circular da censura” política e um atentado à liberdade de imprensa, segundo o sindicato dos professores local que denuncia que o objetivo é que “nenhum aluno ou servidor poderá reclamar dos problemas, das escolas precárias”, de nada (Correio Braziliense, 30/4/15). Ficou também proibido a qualquer jornalista chegar de surpresa. E a qualquer colégio falar com a imprensa sem autorização do governo.

Qualitativamente é o mesmo que degradar a educação e quando o professor reage, atirar a polícia em cima; aqui tanto faz tucano, PSB, PT, todos rezam na mesma cartilha do “ajuste” (leia-se: arrancar direitos do mundo do trabalho) e da cínica enganação.

E esse foi governo eleito prometendo “transparência”,mas que age diante dos problemas graves do GDF na mesma linha da Dilma-Levy: aumentando cortes sociais, promovendo ataques aos direitos sociais dos trabalhadores e, no Paraná,substituindo a “pátria educadora” pelo pitbull e pelas bombas e tiros da polícia.

A resposta está com os movimentos sociais de base, a arma certa para deter essa marcha para a barbárie, onde o sistema de saúde do governo decide quem morre e quem não morre ao racionar e no limite negar UTIsa quem está entre a vida e a morte. Minimamente, é urgente que os trabalhadores e suas lideranças antigovernistas tipo PSOL, PSTU, organizem plenárias locais e nacionais pela base em preparação de greves unificadas contra os ataques de dentro e de fora do governo Dilma e em favor de revogabilidade do mandato dos políticos e que estes não ganhem mais do que o salário de um professor

 
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