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Lunes 14 de Octubre de 2019
05:22 hs.

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OLIMPÍADAS
O não cumprimento dos compromissos ambientais como mais um legado olímpico
Rafaella Lafraia
São Paulo

Além dos desvios financeiros, precarização de trabalhos públicos, demissões em massa, mortes, desapropriações, dentre outros problemas, agora se levanta mais uma questão que envolve os compromissos firmados para a realização dos jogos olímpicos no Rio de Janeiro: as metas ambientais propostas não foi cumprida até o momento.

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A menos de um mês para o início da olimpíada do Rio de Janeiro começar, mais um fato deve ser levado ao conhecimento público, para evidenciar que os compromissos firmados para a realização de tal evento não passaram de palavras soltas que escondem a verdade: garantir, de mais uma forma, os interesses dos grandes empresários e políticos a partir da opressão e exploração da população.

Além dos desvios financeiros, precarização de trabalhos públicos, demissões em massa, mortes, desapropriações, dentre outros problemas, agora se levanta que nenhuma meta ambiental foi cumprida, sendo que estas fazem parte de um dossiê pré-estabelecido por políticos para que a cidade do Rio de Janeiro sediasse os jogos. Esse dossiê, quando apresentado, foi um dos grandes motivadores para a escolha da cidade sede, pois exaltou o legado que seria deixado à população. Entretanto, estas metas não passam de incertezas, além de servirem de críticas, pois inúmeras localidades que serão utilizadas para algumas modalidades esportivas estão em condições deploráveis, como é o caso da Baia de Guanabara.

Comecemos a falar sobre a Baia de Guanabara. Em análises feitas por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em amostras de 2014, encontrou-se uma superbactéria em praias da zona sul da cidade, que podem levar a morte pessoas com sistema imunológico debilito. Segundo os pesquisadores, a presença destas bactérias nas águas é resultado da falta de saneamento básico e que, apesar das amostras serem antigas, o cenário da região não mudou. Isso é bem verdade, já que o tratamento do esgoto lançado nestas águas não avançou nem metade do que foi estabelecido pelo dossiê. Vale ressaltar que em uma das praias da Baía da Guanabara, será disputada as provas de vela e windsurfe dos jogos olímpicos.

O cheiro vindo da Lagoa de Jacarepaguá, que é usada há décadas para despejo de esgoto sem tratamento, continua forte, lembrando que está lagoa fica próxima do Parque Olímpico. A própria Vila Olímpica continua sem saneamento, ou seja, os dejetos serão despejados na lagoa se o sistema não for concluído. A empresa responsável pelo saneamento promete concluir o sistema de toda a área olímpica até dia 15 de julho, mas o despejo de cem mil pessoas, que vivem na região, não continuará não sendo tratado.

Outra lagoa que chama atenção por causa das questões ambientais e a intenção de ser utilizada para as competições de remo, canoagem velocidade e para canoagem nos jogos olímpicos, é a Lagoa Rodrigo de Freitas. Antigamente tal lagoa era utilizada por banhistas e, com o advindo das olimpíadas o sonho havia sido reavivado, mas já foi abandonado. Isso porque, no ano passado, foram retiradas toneladas de peixes mortos foram retirados das águas. Na época do ocorrido, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente alegou que a causa da morte destes peixes era decorrente de fenômenos climáticos que atingiram a região, revolvendo o fundo da lagoa. Entretanto, a lagoa serviu, e ainda serve, de despejo de esgoto e, está variação climática só remexeu esta matéria orgânica depositada no fundo do lago.
Também prometido no dossiê, mas não cumprido, apesar da fácil execução, não houve o plantio de mudas da Mata Atlântica como forma de compensação das obras realizadas para o evento.

Depois de todas estas informações, chega a ser interessante verificar a alegação da Secretaria Estadual do Ambiente, responsável pelas ações na baía de Guanabara e lagoa de Jacarepaguá, pois os responsáveis por este órgão alegam que o descumprimento da despoluição dessas áreas foi causada por falta de planejamento, pela crise financeira e pela adoção de novos critérios para averiguação destas questões ambientais. Vale ressaltar que o Rio de Janeiro foi escolhido como cidade sede dos jogos no ano de 2009 e que, neste período, a crise econômica mundial foi dita como “marolinha” pelo então presidente Lula (PT).

Ou seja, o não cumprimento dos compromissos ambientais soma-se a já longa lista de do real “legado” dos jogos olímpicos no Brasil. As promessas de que este evento será incrível, envolto de magia e paixão do povo brasileiro, como fez Lula em 2009, realmente não condizem com a conjuntura nacional atual. Este evento será somente para “inglês ver” e para os burgueses se beneficiarem, enquanto a população recebe e receberá o real “legado olímpico”. Não podemos nos calar! Precisamos exigir abertura dos livros de contabilidade e registros de todas as empresas e contratos relacionados às Olimpíadas, o não pagamento da dívida pública, para que haja financiamento da Saúde e Educação, que as obras de infraestrutura básica sejam realizadas não somente para áreas de entretenimento que a população não poderá entrar. Não devemos ser enganados e deixar tais situações de exploração passarem!

 
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