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Jueves 24 de Junio de 2021
06:00 hs.

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REFORMA MINISTERIAL
Entenda a reforma ministerial: a dança das cadeiras entre militares e o Centrão
Yuri Costa

Com a troca de 6 ministérios no dia de hoje, a Esplanada dos Ministérios foi atravessada por um furacão político. Após o intempestivo dia, entenda a nova composição do governo Bolsonaro.

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Bolsonaro concretizou enfim uma reforma ministerial que já vinha bastante anunciada. Porém o que se esperava era que essa reforma viesse em conta gotas, como estratégia para poupar o desgaste do governo e afastar a aparência de mudança drástica ou da conclusão de uma venda no atacado para o Centrão. Pois, não houve fachada que contivesse a crise de ontem.

A primeira baixa do dia se deu no Itamaraty, numa previsível renúncia de Ernesto Araújo, precipitada pelo revide com que o chanceler tentou enfrentar o Centrão. Entretanto, a partir daí o que se seguiu não estava nada previsto, com a demissão ou renúncia do general e ministro da Defesa, Azevedo e Silva, desatando a intempestiva reforma ministerial.

Como conclusão geral da análise dessa reforma é possível identificar a mudança mais estrutural das bases de apoio do governo com o Centrão se fortalecendo e se impondo sob Bolsonaro em detrimento dos militares, cuja crise de apoio que se revelou na Alta Cúpula ainda precisa ser inteiramente dimensionada. Caso emblemático da entrada da deputada Flávia Arruda no lugar do general Luiz Ramos, no importante cargo da secretaria de governo, em que o general fazia articulação, ou o toma lá da cá, com o Congresso.

Leia mais: Uma crise militar no governo Bolsonaro?

Mesmo acossado pelo Centrão, e perdendo apoio militar, Bolsonaro mostra a resiliência de quem ainda possui base social ao conseguir manter nomes de confiança ou alinhados em alguns dos ministérios, como no Itamaraty, e no ministério da Justiça.

Uma conclusão mais sóbria do que as análises que exageram o intento golpista de Bolsonaro, num momento de claro debilitamento e desagregação de suas bases de apoio, ou que exageraram a recusa dos militares buscando disputá-los como aliados.

Veja a seguir nome a nome dessa dança das cadeiras do dia de hoje:

Ministério das Relações Exteriores:
Sai: Ernesto Araújo, entra: Carlos Alberto Franco França

A saída mais antecipada de toda a reforma. A cabeça de Ernesto Araújo vinha à prêmio como o ministro mais ideológico atrelado a política externa trumpista e pelos fracassos em torno da diplomacia da vacina. Sua saída era imprescindível, mas na nomeação do sucessor Bolsonaro conseguiu preservar um nome que é apontado como do campo bolsonarista.

Veja mais:Carlos França nas Relações Exteriores: um recuo que não encerra as disputas no Itamaraty

Ministério da Defesa:
Sai: Gal. Azevedo e Silva, entra: Gal. Braga Netto

Ainda que houve a troca de um general pelo outro, a saída de Azevedo e Silva contou com turbulentos bastidores, chegando ao ponto da provável renúncia dos três comandantes das Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica). O candidato mais forte a substituir o comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, é o general Marco Antônio Freire Gomes, e o almirante Almir Garnier, hoje Secretário-Geral do Ministério da Defesa, substituiria Ilques Barbosa no comando da Marinha. Um importante estremecimento nas relações internas entre os golpistas militares e a figura de Bolsonaro.

Ministério da Casa Civil:
Sai: Gal. Braga Neto, entra: Gal. Luiz Eduardo Ramos

Dois protagonistas do governo Bolsonaro. Braga Neto já chegou a ser denominado como o chefe de estado do governo, ao assumir o coordenação das ações para combate da pandemia. Luiz Ramos foi o pivô das negociações para a vitória nas eleições de Lira e Pacheco, liberando bilhões em emendas e cargos. Dois pesos pesados que mostram a permanência de apoio de militares a Bolsonaro.

Secretária de Governo:
Sai: Gal. Luiz Eduardo Ramos, entra: Deputada Flávia Arruda

A passagem de bastão mais representativa da acomodação dos interesses do centrão. Se falta currículo para a deputada federal Flávia Arruda (PL), sobra histórico para seu marido José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal, preso por participar de esquema de propina de R$ 900 milhões na obra do Estádio Mané Garrincha. Com sua nomeação o Centrão finca de vez suas garras numa pasta chave do governo.

Ministério Justiça e Segurança:
Sai: André Mendonça, entra: Delegado Anderson Gustavo Torres

No lugar de um aliado de primeira linha, André Mendonça, outro aliado bastante próximo do clã Bolsonaro, apontado como amigo pessoal de Flávio Bolsonaro. No ministério de justiça, Mendonça cumpriu o papel de blindar a família das investigações. Agora dá passagem para um delgado da polícia federal, numa mostra do crescente aparelhamento de Bolsonaro da PF, como no uso recorrente da Lei de Segurança Nacional para intimidar adversários. Além disso, Anderson é acusado de sequestrar e torturar dois rapazes suspeitos de terem assaltado uma casa de um agente da PF de Brasília em 2007.

Veja mais: Novo ministro da Justiça de Bolsonaro já foi acusado de sequestro e tortura

AGU:
Sai: José Levi, entra:André Mendonça

Mendonça volta para seu cargo anterior, e que na prática nunca deixou de desempenhar na defesa do presidente Jair Bolsonaro, e assessoria jurídica para toda família.

 
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