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Domingo 18 de Abril de 2021
21:25 hs.

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MUNDO OPERÁRIO
Honda suspende atividade em Manaus: Fábricas abertas podem salvar vidas
João Salles

Anunciada nessa sexta-feira a suspensão das atividades em Manaus por dez dias (25 de janeiro até 3 de fevereiro) alegando falta de insumos e o agravamento da pandemia. A decisão se dá pouco tempo após o anúncio da Ford fechar as portas no país deixando milhares de trabalhadores, efetivos e terceirizados, e suas famílias nas ruas sem renda.

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O projeto de país de Bolsonaro e do conjunto do regime do golpe institucional – estando aí também o STF, o Congresso Nacional e os Governadores – tem sido de aprofundamento da desindustrialização e da expansão agressiva da fronteira agrícola no interior do Brasil, privilegiando os setores latifundiários e do agronegócio com suas queimadas assassinas em detrimento de outros como a produção de automóveis. Importante ressaltar que esse projeto não vem de hoje e teve seu início ainda sob os governos petistas, que governaram e fortaleceram esse setor ruralista reacionário que hoje é um dos principais sustentáculos do bolsonarismo.

Esse deslocamento do eixo econômico, cada vez mais agravado, tem gerado um impacto no abastecimento das cadeias produtivas, sobretudo em meio a pandemia e o cenário de recessão econômica mundial. Mais ainda quando há uma política consciente de encerrar incentivos e subsídios do governo para o desenvolvimento da indústria no país. Segundo estudo realizado em Outubro pela CNI (Confederação Nacional da Industria) 68% das industrias estavam com dificuldades para fazer estoque, obter insumos e matérias-primas.

Dos 27 setores da indústria de transformação e extrativa no estudo 68% alegaram dificuldades de obtenção dos recursos no mercado doméstico, 56% que utilizam recursos importados alegaram dificuldade de obtenção no mercado internacional e 44% do total disseram apresentar dificuldade de atendimento de clientes devido principalmente a falta de estoque, uma incapacidade de aumentar a produção e uma demanda maior do que a capacidade de abastecimento atual.

Mas longe de serem coitadas, essas empresas em sua ampla maioria se beneficiaram ao longo desses anos com a flexibilização da reforma trabalhista, com o avanço da terceirização irrestrita e enxugaram seus quadros de funcionários aumentando assim a exploração dos trabalhadores para fazer saltar aos céus suas taxas de lucro.
Com a Honda, assim como a Ford, isso não é diferente e o que há por trás é a busca dessas grandes transnacionais pela instalação de suas plantas em países onde podem explorar ainda mais os trabalhadores e aumentar ainda mais seus lucros!

O caso recente da Honda em Manaus por enquanto não aponta a gravidade da situação da Ford, onde serão em torno de 119 mil trabalhadores a perderem seus empregos em meio a pandemia que no Brasil atingiu a marca de 215 mil mortos com índice de mortes diárias de mais de 1.000, isso sem contar a exorbitante subnotificação. Os trabalhadores entraram em “férias coletivas” e a empresa manteve um contingente mínimo para atividades essenciais.

Manaus se tornou a capital mundial da pandemia, com cenas escabrosas e horripilantes de valas abertas que cobrem a cidade com o cheiro pútrido de morte, com falta de leitos de UTI e internados morrendo por asfixia devido à falta de oxigênio nos hospitais. O retrato mais desnudado da podridão desse sistema capitalista, dos governos e do regime do golpe institucional que aprova leis como a do Teto de Gastos gerando situações desse tipo.

Em nota a Honda afirmou que doou 454 cilindros de oxigênio e 20 mil máscaras para o Estado do Amazonas, como se assim estivesse “fazendo sua parte”. Mas como viemos defendendo desde o Esquerda Diário é necessário um verdadeiro “plano de guerra” para combater a pandemia e isso passa por uma reconversão completa do setor industrial para a produção dos insumos necessários para o abastecimento dos hospitais com respiradores, cilindros de oxigênio e o que mais for necessário. Isso passa também na luta pela vida dos trabalhadores, é inaceitável situações como o fechamento da Ford.

As principais centrais sindicais do país, CUT e CTB – dirigidas respectivamente pelo PT e pelo PCdoB – parecem estar de férias em meio ao estado de calamidade, já que em nada organizam os trabalhadores e seus partidos preferem pautar a questão do impeachment de Bolsonaro literalmente defendendo que entre em seu lugar o Vice Mourão, general saudosista e filhote da ditadura militar no Brasil. É preciso exigir dessas centrais sindicais um plano de lutas organizado desde a base, com assembleias nos locais de trabalho e para que os trabalhadores tomem os rumos do combate as crises no país, política, econômica e sanitária.

A abertura do livro de contas das empresas evidenciará que seus lucros são exorbitantes, que não há necessidade de produzir automóveis podendo abastecer hospitais de insumos e para que os trabalhadores criem em seus locais de trabalho comissões sanitárias auto organizadas garantindo condições de trabalho seguras. Lutando assim pela proibição das demissões, pela reconversão da indústria e também por uma jornada de greves e lutas que imponham uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que se enfrente com o projeto de Bolsonaro e do regime do golpe institucional.

– Pela vida e direito dos trabalhadores!

 
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