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Miércoles 23 de Septiembre de 2020
09:40 hs.

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ANIVERSÁRIO DE CAMPINAS
Jonas Donizette presenteia Campinas com caos sanitário e econômico
Flávia Telles
Lívia Tonelli

Campinas registrou na tarde dessa quarta-feira (14), data que marca a fundação do município, recorde no número de mortes desde março quando a pandemia do coronavírus foi declarada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Foram 26 mortes em 24 horas. Ao todo são mais de 12 mil casos de contaminação e 481 óbitos registrados no município. Os leitos de UTI estão operando no limite e a população, principalmente, o povo pobre e negro está amargando o desemprego, a fome e o luto. Quem são os responsáveis por essa situação? O vírus invisível ou os distintos governos (Jonas, Doria, Bolsonaro) junto ao congresso, STF e militares?

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Hoje, em meio à pandemia, o prefeito Jonas Donizette (PSB) pretendia comemorar os 246 anos de fundação da cidade em uma live especial de aniversário junto ao comandante do 2º Batalhão Logístico Leve, o tenente coronel Pedro Castelo Branco Netto. A proposta era comemorar também o aniversário do “Batalhão Cidade de Campinas” e da Guarda Municipal. Embora essa live tenha sido cancelada, parte do cálculo político de Jonas em virtude do recorde de óbitos, o prefeito não deixou de demonstrar sua profunda confiança e admiração pelas forças repressoras do Estado.

É escandaloso que mesmo após o brutal assassinato de George Floyd pela polícia racista de Trump e a consequente fúria negra que tomou as ruas do mundo contra o racismo e a violência policial, o prefeito Jonas Donizette queira comemorar o aniversário da cidade, a última do país a abolir a escravidão, junto às forças repressoras do Estado.

A “Capital Agrícola” da província, forma como a cidade era conhecida no século XIX em virtude da produção do café, não somente foi a última cidade do país a abolir a escravidão como foi também o principal centro de comercialização de escravos da província paulista e referência na repressão e na violência contra o povo negro. Campinas chegou por anos a ter a população de escravos superior à população livre. Ser vendido para um barão da cidade era considerado um castigo ao escravo diante da truculência dos maus tratos aqui praticados. Entretanto, é importante destacar que embora a história de Campinas tenha sido marcada desgraçadamente pelo sangue do povo negro também foi por sua rebeldia e luta, conforme evidenciamos aqui.

A herança racista corre quente nas veias da elite campineira e de seus representantes políticos conservadores e reacionários. A live de aniversário de Jonas - “o presente dele para Campinas” - junto aos responsáveis do genocídio do povo negro é uma das expressões concretas disso. Vale aqui também “sempre” relembrar o assassinato de Jordy, jovem negro de 15 anos da comunidade do Oziel. Jordy foi início da pandemia (abril). Ele estava junto de seu irmão e amigos, em uma manhã de domingo, quando foi baleado nas costas pela polícia de Jonas sob o argumento de promover “aglomeração”.

Veja mais: Flávia Telles pede justiça à Jordy: "Bolsonaro, a polícia e os governadores preparam nossas covas"

Desde que iniciou a pandemia Jonas, assim como grande parte dos governadores, tenta construir sua figura política descolada de qualquer semelhança com o negacionismo escandaloso de Bolsonaro. Em hipótese alguma é possível afirmar que esses, prefeitos e governadores, estão preocupados com a vida dos trabalhadores. Não só não tomaram medidas efetivas e consequentes para o combate a pandemia como seguem a qualquer custo aproveitando da pandemia para descarregar a crise capitalista na classe trabalhadora. Ou seja, estão preocupados em garantir o lucro dos empresários e seus próprios interesses. Em Campinas, isso ficou evidente com a aprovação, em abril, da Reforma da Previdência municipal. Essa gerou uma perda imediata de 3% do salário aos servidores municipais. Muitos desses são trabalhadores da saúde que estão na linha de frente nos hospitais da cidade, muitas vezes sem EPIs e condições de trabalho conforme as inúmeras denúncias que recebemos no Esquerda Diário, lutando para salvar vidas. Foi um grande absurdo aproveitar desse momento de extrema crise para, a portas fechadas, aprovar de forma autoritária - sem tampouco dialogar com os servidores públicos - um projeto que afetará a vida milhares de trabalhadores. Vale lembrar que Jonas é presidente da Frente Nacional de Prefeitos, o principal articulador a nível nacional da aprovação desse imenso ataque aos trabalhadores junto às gestões municipais.

Em junho, em meio ao crescente número de casos de contaminação e óbitos no município por conta da covid-19, Jonas autorizou a reabertura do comércio. Sua proposta de reabertura foi inclusive mais ousada e criminosa que a do próprio governador João Doria (PSDB). Em 15 dias explodiu os casos de contaminação, principalmente, na periferia da cidade. O crescimento foi de 95% nos casos de contaminação e 76% no número de óbitos. Em nome dos lucros dos empresários a vida dos trabalhadores foi rifada. Os números gritantes obrigaram o prefeito recuar na abertura do comércio.

Embora o vírus seja invisível os inimigos da classe trabalhadora e da juventude tem carne e osso, uma vez que se opõem a uma saída consequente para o combate à crise sanitária. Campinas é um importante polo industrial do país. Sua produção poderia estar a serviço de produzir respiradores e salvar vidas. Entretanto, as fábricas seguem sua produção no ritmo frenético dos interesses dos empresários, na maioria dos casos mediante forte assédio e sem condições seguras de trabalho.

A Unicamp, uma das principais universidades da América Latina, poderia estar produzindo amplamente testes a baixo custo para toda população que precisasse e quisesse ser testada. Entretanto, o que temos visto são denúncias dos trabalhadores do HC da ausência de EPIs e o número crescente de contaminação e óbito dos trabalhadores da saúde. Os hospitais públicos seguem lotados e em condições precárias para o atendimento da população. Fruto de anos de ataque ao SUS e descaso dos governos que não escondem seu desejo de privatização do mesmo. De imediato, a fila única e a centralização do sistema de saúde sob controle dos trabalhadores são as respostas para que nenhuma pessoa, independente da classe social, morra de qualquer enfermidade que seja, nos dias de hoje em especial, pela covid-19.

A resposta à crise sanitária não pode e tampouco será dada por demagogos como o prefeito Jonas Donizette. Esse tem um único objetivo: descarregar a crise capitalista nas costas da classe trabalhadora e sabotar o futuro da juventude. Assim como fez com o menino Jordy. Enquanto os bolsos dos empresários seguem cheios, a população campineira, principalmente, a classe trabalhadora e os setores oprimidos, tais como, as mulheres, as LGBTs, o povo negro e pobre segue amargando a fome, o desemprego e o luto. A nós cabe confiar na única força capaz de barrar esses ataques: a nossa força, da classe trabalhadora.

 
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