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Domingo 20 de Septiembre de 2020
20:24 hs.

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“Achei que fosse morrer como George Floyd”, diz mulher pisoteada por PM em SP
Redação

Mulher vítima da ação truculenta e racista da PM participou de entrevista no programa Fátima Bernardes e declarou ainda sofrer traumas psicológicos por conta da agressão.

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A mulher negra de 51 anos que foi quase asfixiada por um policial militar em Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo, afirmou em entrevista ao programa “Encontro com Fátima Bernardes” nesta terça-feira (14) que, no momento da agressão, achou que fosse morrer como George Floyd.

“Achei que ia morrer que nem ele”, disse. Assim como George Floyd, a vítima também foi jogada no chão e pisoteada no pescoço por um policial branco. O norte-americano, no entanto, não foi liberado pelo agente a tempo e morreu asfixiado.

A vítima também conta que teve traumas psicológicos por conta da violência policial. “Eu continuo lembrando da primeira imagem, quando ele estava me pisoteando. Ainda não consigo dormir a noite inteira, acordo várias vezes”, contou. “Eu fico pensando porque ele fez aquilo comigo. Eu não era a única pessoa lá”, continuou.

A inevitável comparação dos casos se dá não apenas pela semelhança das cenas, mas também pela indignação de que episódios como esses se repitam, mesmo em meio a um contexto de luta antirracista. A repetição do gesto não é casualidade, mas uma demonstração do caráter racista impregnado nas polícias desde sua formação.

A impunidade aos policiais assassinos aqui no Brasil também é igual a dos EUA, que libertaram sob fiança quase todos os envolvidos no assassinato de George Floyd. A rigor, a impunidade dos policiais no Brasil é ainda maior, uma vez que eles tem o privilégio de ter seus inúmeros e recorrentes crimes julgados por eles mesmos, no casos, por uma justiça militar corrupta e corporativista que não hesita em inocentar policiais que cometeram os mais medonhos e asquerosos abusos, desde que tenham sido perpetrados contra os negros, as mulheres, os indígenas, os pobres e trabalhadores.

O caso aconteceu no dia 30 de maio. Policiais foram chamados ao bar onde a vítima trabalhava em Parelheiros por causa de um cliente que estacionou o veículo com som em alto volume, enquanto consumia no local.

A mulher, que é viúva e tem cinco filhos, disse que estava tentando defender um amigo, que fora derrubado pelo PM e ficou desfalecido no chão. Ela afirma que, ao pedir para o policial cessar a violência, foi empurrada para uma grade e agredida por outro agente.

A vítima relata que tomou três socos e foi derrubada com uma rasteira. Na queda, ela diz ter fraturado a tíbia. Um vídeo que registrou a cena mostra a mulher deitada de bruços, ao lado de um carro, enquanto o policial pisa em seu pescoço e apoia todo o seu corpo sobre a vítima.

Não existe qualquer possibilidade de mudança ou reforma das instituições policiais e ilusões acerca de policiais humanizados só servem para ocultar que, do ponto de vista da burguesia, a polícia funciona maravilhosamente bem, cumprindo magistralmente o papel para o qual foi criada e idealizada.

É necessário seguir o exemplo dos jovens negros dos EUA que não falam sobre qualquer tipo de reforma da polícia, mas sim de sua abolição, da extinção das forças policiais e do desfinanciamento desse gigantesco aparato repressivo, aparato que é podre e corrupto cuja única solução é ser demolido até suas fundações.

 
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