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Domingo 20 de Septiembre de 2020
20:51 hs.

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ATO INTERNACIONAL - EUA
Julia Wallace dos EUA: “A luta multi-étnica em curso é o pior pesadelo da burguesia americana"
Redação

Em emocionante fala no Ato Internacional contra o racismo e a violência policial, Julia Wallace, militante negra e revolucionária do Left Voice nos EUA destacou a importância histórica da luta em curso e a necessidade de desenvolver uma estratégia que una a luta contra o capitalismo e a polícia.

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Julia Wallace é militante, negra, e parte da nossa Rede Internacional de Diários, construindo o Left Voice, nos Estados Unidos. É parte da linha de frente do enfrentamento contra o racismo estrutural, a polícia e o capitalismo no movimento “Black Lives Matter” que voltou a eclodir nos EUA. Há duas décadas é uma militante trotskysta.

Em sua fala no Ato Internacional da Rede de Diários La Izquierda Diário, Julia falou sobre a relação indissossiável entre o racismo e o capitalismo, a polícia, a opressão, e o ataque constante à classe trabalhadora.

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Ela conta o como nos últimos 100 dias, os EUA e o mundo explodiram em luta contra o racismo, liderados pela juventude negra e latina mais precarizada, após o brutal assassinato de George Floyd pelo policial supremacista branco Derek Chauvin.

"As pessoas explodiram. Não somente contra a polícia em Minneapolis, mas contra a polícia no mundo. Relíquias da escravidão foram derrubadas perante multidões de jovens que comemoravam. Delegacias foram atacadas, carros da polícia foram queimados, lojas como a Target foram queimadas com apoio massivo. Ruas e quarteirões foram tomados e ocupados.”

Julia coloca que o assassinato de Floyd liberou uma fúria que não era vista há décadas, e que não para apenas no caso Floyd, mas se rebela também contra a pandemia e a crise econômica, que ataca muito mais diretamente os negros, latinos, e a classe trabalhadora. “Todas coisas que o capitalismo não pode resolver”, ela diz.

Ela explicou a relação que existe nas entranhas entre o capitalismo americano e o racismo. Fundado na base da escravidão, do tráfico, e do sequestro das vidas e copos negros, o trabalho africano foi a base do enriquecimento da burguesia, ela cita Karl Marx: “sem a escravidão não haveria algodão, e sem algodão não haveria a indústria moderna”.

Julia Wallace contou sobre todo o processo de formação e fortalecimento da burguesia americana baseado no racismo, passando pela formação da industria baseada na escravidão, sobre o papel do racismo em manter divida a classe trabalhadora após a abolição, com as leis de segregação racial, e o papel da polícia em subjugar os negros, e intimidar os brancos que se colocassem à apoiar a luta negra.

“Trabalhadores brancos eram pagos por sua cumplicidade com os privilégios, e intimidados pela mesma polícia se resistissem. O objetivo dos capitalistas era impedir os pobres, explorados e outros oprimidos de se unirem”

Assim como ao redor de todo o mundo ainda vemos a distância salarial entre negros, imigrantes e brancos, Julia fala o como essa marca segue viva nos EUA. Com maiores taxas de desemprego para os negros, e sendo eles as maiores vítimas da violência policial.

Mas para ela, a luta em curso hoje nos EUA, e o amplo apoio da população branca, faz a burguesia do maior país imperialista do mundo tremer. “A luta multi-étnica em curso hoje é o pior pesadelo da burguesia americana”.

Nos EUA, Democratas e Republicanos tentam, com distintas estratégias, frear o movimento. “Os Republicanos, sob Trump, abraçaram abertamente o supremacismo branco com a retórica mais violenta e racista. Trump convocou a Guarda Nacional e o exército para acabar com os protestos”. Não foi e não será isso que irá parar os manifestantes. “Forçaram Trump a se esconder em seu bunker como o covarde que ele é”.

Já os Democratas, tentam cooptar o movimento, e esconder os anos e anos de ataques aos negros feitos por eles, segundo Julia. “Nos governos de Clinton e Obama, os negros foram desalojados e atacados de uma maneira sem precedentes. Agora, os democratas se ajoelhando no chão do Congresso, vestindo tecidos étnicos africanos, dizem apoiar o movimento. Enquanto isso, quando a noite a cai, eles jogam gás lacrimogêneo e batem nos manifestantes nas ruas”

Ela lembram também que Joe Biden, atual candidato à presidência, e ex-vice presidente, disse que a polícia deveria atirar nos negros na perna e não no coração. “Um palhaço racista”, diz ela.

“É pra ele que a burocracia sindical, as ONGs e organizações sem fins lucrativos estão se preparando para fazer campanha? Não seremos comprados por concessões fracas para fortalecer nossa própria opressão”

Em uma fala que não deixou pontos sem nós, Julia coloca que nenhum partido capitalista pode responder às demandas desse movimento, muito menos os problemas da crise, do racismo estrutural, e da violência policial. “Para acabar com o racismo estrutural e a violência policial, precisamos de uma estratégia de libertação. Precisamos de uma estratégia que lute contra ambos o capitalismo e a polícia”. Para ela, a resposta está em nos organizarmos enquanto classe trabalhadora.

“Como a pandemia do coronavírus nos mostrou, os patrões não são essenciais. A classe trabalhadora é essencial”. Julia ressaltou o como a pandemia deixou evidente que são os trabalhadores que fazem girar a roda do mundo, e que também são os trabalhadores que podem fazer parar de girar a roda do capitalismo. “trabalhadores podem organizar toda a produção e a reprodução a serviço de todas as nossas vidas, ao invés dos lucros”

Ela levanta a necessidade de trabalhadores sindicalizados e não sindicalizados, das categorias mais precárias, precisam se organizar em unidade, desde os seus locais de trabalho e suas comunidades, para lutar contra o racismo, o capitalismo, e seus patrões. Mas também ressalta que é necessário lutar contra as burocracias sindicais, que se recusam a mobilizar a nossa classe para lutar em defesa dos nossos empregos e de nossas vidas.

“Nós, a classe trabalhadora e os oprimidos, precisamos de um partido político independente dos capitalistas e dos imperialistas. Sem policiais, sem patrões ou racistas como membros. Temos que nos organizar politicamente nas ruas e nos locais de trabalho e construir um partido que represente os nossos interesses”

Julia coloca que este desafio, de forjar e erguer um partido revolucionário, independente, é enorme. “Mas seria um desafio histórico com consequências históricas”. Ela segue, dizendo que essa tarefa não pode ser vista de forma separada a de se construir um partido internacional da classe trabalhadora, que para ela, e para a Rede Internacional de Diários, La Izquierda Diário, significa a reconstrução da IV Internacional.

“É o que Trotsky e os trotskystas americanos do original Partido Socialista dos Trabalhadores, o SWP, entendiam como sua tarefa no final dos anos 1930”. E ela segue, estendendo este chamado: “Nós convidamos todos os jovens nas ruas, ativistas negros e latinos lutando contra a violência policial, socialistas, trabalhadores se levantando contra o capitalismo, para reconstruir conosco a Quarta Internacional”.

Julia ressaltou também o como o racismo é um inimigo da classe trabalhadora, e que a polícia é um componente violento e chave para a exploração capitalista, e que portanto, devemos derrubar o capitalismo, e abolir a polícia com base na solidariedade proletária internacional e militante.

Ela terminou sua fala no Ato Internacional levantando que a luta que hoje trava, e que toda nossa Rede de Diários trava, é dando continuidade à luta dos revolucionários que nos antecederam. Batalhando para construir um futuro socialista. “Então deixem os capitalistas tremerem, pois eles devem ter medo, pois nós não vamos parar por nada menos que o completo fim da intolerância, da polícia, racismo, do capitalismo e do imperialismo”.

Julia encerrou citando a famosa frase de Marx no Manifesto Comunista, e de Assata Shakur, Revolucionária Negra em seu juramento: “nós não temos nada a perder a não ser nossas correntes. E nós temos o mundo a ganhar”.

Assista a fala de Julia Wallace no ato internacional simultâneo contra o racismo e a violência policial:

Assista na íntegra:

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