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Jueves 1 de Octubre de 2020
05:08 hs.

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Um ano do acordo migratório México-EUA: Uma nova caravana é organizada frente a uma nova crise humanitária
Arturo Méndez

O acordo significou a piora das penúrias vividas pelos migrantes. Ambos governos não têm cumprido os acordos para proteger os direitos humanos dos migrantes.

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Neste mês se completou um ano do acordo migratório México-Estados Unidos, estabelecido oficialmente no dia 7 de junho de 2019.

Naquele momento, Donald Trump vinha ameaçando impor taxas aos produtos mexicanos que ingressassem ao território estadunidense do México se o governo mexicano não implementasse ações para deter as ondas migratórias provenientes da América Central.

Como resposta, o governo de Andrés Manuel López Obrador, em um ato de subordinação ao imperialismo norte-americano decidiu enviar a Guarda Nacional para as fronteiras sul e norte do México para perseguir migrantes e conter as caravanas, transformando-a em uma extensão da patrulha de fronteiras.

Junto a isso, o governo da 4T aceitou que os migrantes (tanto mexicanos como de outras nacionalidades) que cruzaram a fronteira sul dos Estados Unidos para solicitar asilo fossem volvidos para o México para esperar pela sua audiência, no que é conhecido como o programa “Quédate en México” (NdT: Fique no México).

Com estas medidas centrais nascia o acordo migratório México-Estados Unidos, que a um ano da sua implementação aprofundou o sofrimento do qual já padeciam os migrantes.

Compromissos sobre direitos humanos não cumpridos pelos governos

De acordo com Maureen Meyer, diretora do México y Derechos del Migrante de Wola (Escritório em Washington para Assuntos Latino-americanos), o acordo migratório trouxe como consequência o agravamento da crise humanitária nas fronteiras norte e sul do México, com a implementação de milhares de elementos da Guarda Nacional e um incremento dos operativos anti-migrantes,que naquele momento levou a situações de superlotação nas estações migratórias.

Muitas pessoas solicitaram refúgio nos Estados Unidos. Ao ver que não é possível adquiri-lo, solicitaram ao México, mas sem êxito.

Ao ficarem presas em cidades da fronteira norte como Ciudad Juárez, Tijuana, Nuevo Laredo e Matamoros, milhares se encontram em situações de vulnerabilidade extrema, sendo vítimas de discriminação, sequestros, roubos, abusos sexuais, da violência do crime organizado, do tráfico de pessoas, ou são obrigadas a entrar em grupos delinquentes, enquanto a saturação dos albergues não lhes permite “distanciamento social” como medida elementar para evitar os contágios por coronavírus.

Claramente, os compromissos do acordo migratório para proteger os direitos dos migrantes não foram respeitados pelos governos.

Nas palavras de Meyer: “O que temos visto é que o governo mexicano falhou no compromisso de garantir os direitos das pessoas migrantes e seu atendimento”.
Com a pandemia, além disso, o governo dos Estados Unidos endureceu suas medidas com maiores restrições, deportações express massivas e negando com ações o direito de asilo, piorando a situação dos migrantes nas cidades da fronteira norte mexicana.

No primeiro trimestre deste ano, os Estados Unidos deportou 59.475 pessoas (mexicanas e de outras nacionalidades), das quais, com a colaboração do governo mexicano, um quarto foram enviadas obrigatoriamente aos seus países de origem.
Muitas das pessoas deportadas viviam há anos nos Estados Unidos e foram separadas das suas famílias.

A solução não virá de cima

Nos Estados Unidos, que está em ano eleitoral, é de se esperar que Donald Trump siga defendendo amplamente políticas anti-imigrantes, xenófobas e racistas para se fortalecer na sua base eleitoral reacionária.

Neste contexto é esperada uma nova visita de López Obrador à Casa Branca, pela entrava em vigor do T-MEC no dia 1º de julho.

Por outro lado,fez-se público que neste dia 30 de julho começará uma nova mobilização na América Central, de uma nova caravana migrante rumo à fronteira sul do México.

Frente à política reacionária de Donald Trump e a subordinação do governo mexicano, é necessário impulsionar a unidade internacionalista dos trabalhadores nos dois lados a fronteira para exigir trânsito livre e pelos direitos dos migrantes, a desmilitarização das fronteiras e a dissolução da Guarda Nacional, assim como em solidariedade com o grande movimento antirracista e contra a polícia que percorre os Estados Unidos.

 
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