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Sábado 19 de Septiembre de 2020
12:52 hs.

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CORONAVÍRUS: USP
“A demissão de milhares de pais e mães de família em meio a pandemia é uma sentença contra a vida desses trabalhadores!”, afirma Adriano Favarin no CO-USP
Adriano Favarin
Representante dos trabalhadores no Conselho Universitário da USP

Reproduzimos a fala de Adriano Favarin, trabalhador da Faculdade de Odontologia da USP e representante dos funcionários no Conselho Universitário, denunciando as demissões de trabalhadoras e trabalhadores terceirizados da USP em meio à pandemia.

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Boa tarde às Conselheiras, aos Conselheiros, Prof. Vahan e todos os trabalhadores que assistem a transmissão desta reunião.

Estamos no Brasil no quarto mês da pandemia que já contaminou um milhão de pessoas e matou mais de 50 mil brasileiros, em sua maioria trabalhadores e trabalhadoras. O que a gente tem visto a nível federal é uma política criminosa do Bolsonaro, que expõe a população à contaminação sem nenhuma preocupação com a vida dos trabalhadores. A nível estadual, não é diferente, encoberto com uma grande demagogia, a gente tem visto João Dória reabrir o comércio, sem que nesses meses tenha garantido nenhuma medida real de isolamento social científico, sem testes massivos, sem reconverter as indústrias para produção de insumos e materiais hospitalares. Nada!

Mas o que eu queria colocar na minha fala, é que, infelizmente, dentro da nossa Universidade, enquanto os professores, os estudantes e boa parte dos funcionários efetivos seguimos tendo garantida a necessária quarentena, a Reitoria toma uma atitude que representa um completo descaso com a vida dos trabalhadores terceirizados desta Universidade. O Prof. Vahan reduziu em 25% o repasse de verba para as empresas terceirizadas sem dar nenhuma garantia de emprego para milhares de pais e mães de família que estão sendo colocados no olho da rua, sem condições para pagar seu aluguel, sem dinheiro pra sustentar seus filhos. E isso, em meio a pandemia que segue é praticamente uma sentença contra a vida destas trabalhadoras!

Acabou de ser incluído em pauta deste Conselho a incorporação da USP a um movimento nacional de combate ao racismo, intitulado “Vidas Negras Importam”. Pergunto aos conselheiros, se sabem quem são essas terceirizadas cujas vidas serão destruídas com essas demissões? São mulheres, em sua grande maioria, mulheres negras. Com filhos negros. Maridos negros. Famílias negras cujas vidas serão destruídas por essa política da Reitoria!

Aderir formalmente ao movimento nacional pelas vidas negras enquanto mantém essa política de demissão dos trabalhadores terceirizados negros, escancara que as vidas negras, assim como a vida das mulheres e dos LGBT’s, só servem pra Reitoria fazer demagogia e não como importância de fato para essa Universidade.

É preciso reverter imediatamente essa decisão da Reitoria e garantir para os trabalhadores terceirizados os mesmos direitos que têm os trabalhadores efetivos. O direito à quarentena, o direito ao emprego e o direito ao salário. Em uma situação como essa fica ainda mais evidente a necessidade de acabar com a terceirização e efetivar todos os trabalhadores terceirizados ao quadro de efetivos, sem concurso público, já que muitos trabalham aqui há dezenas de anos sem o devido reconhecimento desta Universidade.

A Reitoria justifica sua política baseado na queda de arrecadação do ICMS. Mas enquanto demite os trabalhadores terceirizados, ela mantém intacto os seus próprios supersalários. É necessário dizer abertamente que a política de austeridade da Reitoria contra os trabalhadores e as vidas negras dessa Universidade é para manter os privilégios de toda essa casta burocrática branca que administra essa própria Universidade. Portanto, é uma política racista.

Inclusive, por falar também em vidas negras, está em pauta hoje nesse Conselho, a aprovação das vagas para o Vestibular de 2021. E está circulando uma carta assinada por diversas entidades e representações estudantis apontando as dificuldades que a pandemia tem ocasionado sobre a vida dos jovens em situação mais vulnerável, que são aqueles jovens que fazem escola pública, que são os jovens negros. Nessa carta são feitas propostas como o adiamento da FUVEST e a ampliação das cotas para 70%, com o intuito de minimizar essa discrepância de condições. Nós, como representantes do SINTUSP e dos trabalhadores da USP neste Conselho, nos somamos a essas propostas.

E para concluir a minha fala, queria chamar os conselheiros a se manifestarem diante dessa absurda situação colocada para os trabalhadores terceirizados. Não tomar nenhuma medida pra impedir essa situação significa que os Diretores são coniventes com essa política, repito, racista, que está sendo implementada pela Reitoria com o corte de 25% dos terceirizados.

Chamamos os trabalhadores efetivos, os estudantes e todos os que assistem a essa transmissão, a não aceitarmos a demissão de um trabalhador terceirizado sequer e lutarmos pela efetivação de todos com os mesmos salários e direitos. Não podemos aceitar que façam demagogia com as vidas negras. Para nós, representantes do Sintusp e dos trabalhadores da USP, as vidas negras sim importam, e por isso não aceitaremos nenhuma demissão!

Veja o vídeo da fala em reunião realizada no dia 23 de junho de 2020.

 
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