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Sábado 29 de Febrero de 2020
03:04 hs.

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ELEIÇÕES ARGENTINAS
Segundo Turno: para Frente de Esquerda, nem Macri nem Scioli são alternativa
Lucho Aguilar

Com mais de 800 mil votos para presidente e um milhão para deputados, a FIT realizou a maior eleição da esquerda em uma eleição executiva presidencial desde 1983. Del Caño responsabilizou o kirchnerismo pelo avanço da direita e chamou o voto nulo para protestar contra os candidatos do ajuste.

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Os números da eleição do último domingo, 25, surpreenderam a todos. Confirmaram, além disso, uma mudança profunda na situação política. O PRO se alçou com “a Província”, arrasou em Córdoba, Mendoza, Santa Fe e a Cidade de Buenos Aires, ganhando a maioria dos centros urbanos. Do prognóstico de um Scioli vencedor ou um segundo turno incerto, passamos a um final aberto. Quem pode arriscar o nome do próximo presidente para a noite de 22 de novembro?

O que é menos surpreendente é o resultado de um processo que começou com a “moderação” kirchnerista e terminou em um segundo turno em que competirão dois políticos de passado menemista e futuro ajustador. O descreveu Nicolás Del Caño na noite de domingo, “este descolamento à direita do cenário nacional é o resultado do curso político que adotou o oficialismo na chamada ‘década ganha’”.

O kirchnerismo elegeu um candidato de direita, filho político do menemismo que, faz poucos dias, anunciou um gabinete (com Sergio Berne ou Alejandro Granados, entre outros) que tranquilamente poderia ser nomeado por Mauricio Macri.

Assim chegamos à votação do domingo. Como analisou Fernando Rosso no La Izquierda Diario, a demagogia clássica dos candidatos tradicionais se combinou com distintas variantes de chamado ao “voto útil”. Essa demagogia faz jus à relação de força realmente existente. Nada quer falar dos ajustes ou sobre atacar as conquistas. Aprenderam com Carlos Saúl (“se dissesse o que ia fazer não me votava ninguém”).

O voto útil propunha “voltar ao kirchnerismo” ou “evitar a direita”. Nenhum candidato conseguiu encantar as grandes maiorias populares, que por isso, no domingo, não entregaram um cheque em branco a ninguém.

A importante mudança na situação deixa essas certezas, mas também muitas interrogações: Mobilizará Cristina Kirchner o aparato kirchnerista como fez Lula para evitar a derrota de Dilma Rousseff? Com que resultado? A subida da Bolsa nesta segunda-feira confirma que os grandes empresários preferem um representante mais direto, como Macri; ou finalmente se inclinarão pela “governabilidade” que prometem Scioli e o PJ? Pode o PRO governar a Província de Buenos Aires sem um pacto com os barões, a burocracia sindical e a bonaerense?

Algumas destas interrogações se resolverão nas próximas três semanas. Outras dependerão das perspectivas econômicas e dos planos que tentará aplicar quem vencer. Mas a derrota do peronismo bonaerense e as profundas mudanças que estamos vendo a nível nacional abrem a possibilidade de novas crises políticas.

A melhor eleição presidencial da esquerda desde 1983

A Frente de Esquerda, faltando computar uma porcentagem das mesas, vai superar os 800 mil votos na categoria presidencial, e se aproxima do um milhão de votos para deputados nacionais. Como difundiram vários meios nacionais, se trata da melhor eleição da esquerda de 1983.

Estes números cobram um maior valor político no contexto político que definimos. Apesar das campanhas de voto útil e a polarização relativa, Del Caño manteve os votos que conquistou na Frente de Esqerda, nas PASO, e aumentou seu número. Lembremos que a Lista que encabeçou Nicolás havia conseguido 375 mil votos em agosto.

Justamente por ter crescido nesse difícil panorama, se localizou como a quarta força no país. O fez relegando Stolbizer, que, ao contrário da FIT, caiu desde a eleição primária. Margarita confirma a falência do progressismo transformando-se agora em uma coleção de Macri.

Na eleição presidencial de outubro de 2011 a FIT havia obtido 503 mil votos, um pouco menos que o obtido nas PASO desse ano.

Del Caño-Bregman tiveram importantes resultados nos principais centros urbanos. Também nos cargos legislativos, destacando-se em Jujuy, Salta, Córdoba, Santa Fe, Neuquén, CABA e a Província de Buenos Aires. Por esta província ingressará Néstor Pitrola como deputado nacional. Noelia Barbeito fez uma grande eleição aumentando mais de 30 mil votos do obtido nas PASO, mas não chegou a ser eleita deputada nacional por Mendoza. Alejandro Vilca lutará na contagem final contra o piso proscrito do regime polítco jujeño.

Estes resultados consolidam a Frente de Esquerda como força política nacional, que além disso defende um programa obreiro e socialista. O milhão de votos à esquerda dura é uma mensagem clara para os poderosos: há um avanço dos trabalhadores, jovens e mulheres que se prepara para enfrentar o ajuste e as políticas direitistas. Qualquer que seja o vencedor em 22 de novembro.

Nem Scioli nem Macri são alternativas

Nas próximas semanas a situação política girará em torno do segundo turno. Nos perguntarão: Scioli ou Macri?

Será então uma nova batalha para a Frente de Esquerda, que não tem dúvida quanto a resposta e difunde ativamente sua posição. Como assinalou Nicolás Del Caño nos meios em que lhe fizeram aquela pergunta: “nós, consequentemente ao que dissemos em nossa campanha, vamos chamar o voto nulo e não acompanhar a nenhum dos dois candidatos. Havíamos antecipado antes do resultado que em caso de segundo turno iríamos chamar o voto nulo. E o confirmamos hoje, já que a agenda tanto de Scioli como de Macri não tem nada a ver com os interesses das grandes maiorias trabalhadoras”.

A FIT propõe o voto nulo ligado a defesa do programa que levantou na campanha e a preparação para a etapa seguinte. Não dará apoio político a nenhum dos dois candidatos que terminarão governando contra o povo.

Em seguida, responder aquela pergunta com outra: se pode “enfrentar a direita” da mão de repressores como Sergio Berni, Alejandro Granados e Ricardo Casal? Se pode “fazer pátria” com Chevron e Barrick Gold? Militarizaria a campanha em Lear e as automotrizes junto ao valente Pignanelli? Nas escolas, com a ministra Nora de Lucía que vai ao shopping em Nova York e não paga as professoras?

Ou também: pode ser bom para o povo trabalhador uma “mudança” que chegue de mãos dadas com Macri e os direitistas do PRO?

É como se te propusessem escolher se prefere que te ajustem em uma ação ou duas; que te reprima Sergio Berni ou o “Fino” Palacios.

A Frente de Esquerda já tomou posição.

Tradução: Raíssa Campachi

 
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