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Sábado 28 de Noviembre de 2020
03:09 hs.

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Denúncia de Marinho expõe papel descarado de PF e Judiciário em favorecer Bolsonaro em 2018
Rafael Campos
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Nesta semana uma entrevista de Paulo Marinho, presidente do PSDB no RJ atingiu fortemente Flavio Bolsonaro e todo o clã Bolsonaro. Marinho havia sido um dos principais apoiadores de Bolsonaro nas eleições, tendo cedido inclusive sua casa como Quartel-General da campanha do atual presidente. Agora, essa denúncia de um antigo aliado de primeira ordem de Bolsonaro o atinge no mesmo momento em que, no mesmo Rio de Janeiro, seu aliado na Lava Jato do RJ, o juíz Sergio Bretas, desata operações contra Wilson Witzel, que também, tal como Marinho e Dória tinham sido também aliados de primeira ordem do Bolsonarismo.

Essas disputas de antigos parceiros nas eleições de 2018 escancaram de um lado as relações entre Bolsonaro e Queiroz, mas também escancaram o papel do judiciário nas eleições manipuladas em 2018.

Os dois lados da moeda: o ataque à Flavio e Jair Bolsonaro e o papel da PF e do judiciário nas eleições

Segundo Marinho, a PF teria avisado Flavio Bolsonaro com antecedência que a operação “Furna da Onça”, a mesma que depois chegou a Queiroz, seria deflagrada. Segundo Marinho isso teria sido revelado por Flavio em uma conversa em 2018, quando o atual senador já enfrentava as manchetes de jornais com denúncias de “rachadinhas” em seu gabinete. O aviso teria sido dado entre o primeiro e o segundo turno das eleições, por um delegado da PF próximo à família

A declaração bombástica de Marinho é uma moeda com seus dois lados. O primeiro deles é a revelação que segundo ele pode “explicar” o interesse de interferência na PF por parte de Bolsonaro, fato este já bem claro para todos que não enxergarem a disputa pelo comando do órgão de forma ingênua. Um tiro que por um lado serve muito bem como moeda para Sérgio Moro e para as disputas acerca do video da reunião ministerial que Moro tanto pede ao STF para que seja liberado.

Por outro lado, a outra cara da moeda nos pinta um cenário - e junto com isso mais uma comprovação cabal - de um momento onde as disputas entre os poderes estavam em outro alinhamento do que o atual e tanto a PF quanto o STF e grande parte do judiciário (assim como o próprio Sérgio Moro), cumpriram um importante papel de blindagem para Jair Bolsonaro durante as eleições.

É mais uma amostra da manipulação eleitoral de 2018, que contou com a prisão arbitrária e a proscrição de Lula, com a ajuda fiel (na época) de Sergio Moro e seus métodos lava jatistas, vazando delações, e com o papel dos órgãos de inteligência e do judiciário para, naquele momento, acobertar Bolsonaro e garantir a vitória no pleito eleitoral.

A mesma arma que foi usada naquele momento como ajuda para Bolsonaro, hoje Marinho revela como arma para seus adversários. Uma denúncia que esquenta a briga entre frações burguesas do regime, que fortalece o discurso de alas do STF e Congresso e de Governadores, que também mostra os interesses de Bolsonaro com a interferência nos órgãos de inteligência do Estado, mas que exibem de forma crua o papel que - hoje adversários - cumpriram as forças judiciárias em blinda-lo para garantir a manipulação eleitoral.

 
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