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Sábado 28 de Noviembre de 2020
02:58 hs.

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ASB relata descaso de Zema com a vida das trabalhadoras da educação em Minas Gerais
Redação

No estado de MG, o governador bolsonarista, Romeu Zema, está flexibilizando a quarentena de forma irracional, sem garantia de testes ou equipamentos básicos de segurança, muito menos garantindo os postos de trabalho e a renda das famílias. E agora avança mais uma vez contra a educação.

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“Mas eu vou questionar o tempo todo, [se for obrigada ao retorno]. Vou tá trabalhando com um grupo de pessoas lá, e eu quero estar ciente que eu vou estar bem, que eu não vou estar em risco totalmente.”

No estado de MG, o governador bolsonarista, Romeu Zema, está flexibilizando a quarentena de forma irracional, sem garantia de testes ou equipamentos básicos de segurança, muito menos garantindo os postos de trabalho e a renda das famílias. E, ainda, agora avança mais uma vez contra a educação.

Sem salário, os trabalhadores da educação estão sendo convocados a retornar às escolas para se expor à contaminação por coronavírus sem nenhuma necessidade e, muito provavelmente, sem todas as formas possíveis de se proteger no trajeto e no local de trabalho.

O governador reacionário mineiro quer fazer a lição de casa passada por seu chefe Bolsonaro. Para isso, usa como bucha de canhão as trabalhadoras da educação, que já estão com salários atrasados em meio à pandemia.

As primeiras afetadas serão as trabalhadoras dos serviços gerais da escola, sem as quais as escolas não funcionam, que são as ASB (Auxiliares de Serviços Básicos) e as ATBs (Assistente Técino de Educação Básica). Em sua maioria mulheres trabalhadoras negras, mais velhas e com contratos precários com o estado de Minas Gerais. Depois, será a vez das professoras e dos estudantes.

Transcrevemos a seguir trechos de um áudio de uma trabalhadora ASB (auxiliar de serviços básicos) de uma escola mineira. Mantemos o anonimato por medidas de segurança contra toda forma de assédio moral que sabemos ser recorrente nas escolas:

“Concordo plenamente em pagarem os que tão na linha de frente com certeza, temos que tirar o chapéu pra eles, pessoas, médicos, principalmente, na linha de frente, tão fazendo de tudo pra salvar vidas, né? Que bom! E Deus continue guiando cada um deles e tudo mais. Porém, nós também... Quem tem economia, ótimo, quem não tem já tá passando necessidade.

Enfim, já tá numa situação deprimente. Ou seja, que culpa temos, né? Eles que têm que se virar pra pagar realmente quem tá na linha de frente e os demais também! Nós temos família, nós sentimos fome, nós temos necessidade, nós temos conta que vence e que nós temos que pagar. Não é simplesmente dar uma desculpa e ’o salário de vocês vai vir só Deus sabe quando’. Ou seja, nós temos até o último dia do mês de dezembro então de 2020 pra tá recebendo nosso pagamento de fevereiro? Seria isso? Ou seja: a gente que se dane, né?!

Então assim, tá realmente revoltante mesmo, tá uma coisa complicada, e por aí vamos andando. No dia 14 [falaram que] retornaremos, né, as ASBs, o setor administrativo, e depois os professores. Enfim, eu já estou aqui questionando, porque eu quero ter certeza que minha segurança, questão de saúde, que eles estão priorizando, porque eu não vou lá fora pra me contaminar e contaminar minha família, eu tenho uma família dentro de casa.

Então assim, não é simplesmente eles falarem que eu tenho que voltar, né, vou me arriscar, sem salário e correndo o risco de trazer pra minha casa. Eles têm que tá ciente que eles têm que me dar essa certeza que eu vou ter meus direitos, né, e em priorizar minha saúde e dos meus demais.

Tá uma situação complicada. Não sei, não sei onde que isso vai dar, né... A gente fica em pânico, porque é uma situação complicada. Você precisa trabalhar, você quer trabalhar, você quer sair desse isolamento mas ao mesmo tempo você tá correndo risco de vida, né?! Então a gente tá sem saber. E vamos né... Andando, um passinho de cada vez, preocupado, mas, vamos lá, já que tem que ser...

Mas eu vou questionar o tempo todo, [se for obrigada] vou tá trabalhando com um grupo de pessoas lá, e eu quero estar ciente que eu vou estar bem, que eu não vou estar em risco totalmente. Em risco eu sei que eu vou estar, mas quero saber o que eles vão estar fazendo pra priorizar minha saúde e dos meus demais colegas de trabalho.

Exigimos testes massivos e locais de trabalho equipados para a segurança dos trabalhadores que precisarem retornar às atividades.

 
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