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Miércoles 15 de Julio de 2020
01:23 hs.

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BANCOS FAZEM A FESTA E TRABALHADORES FAZEM DÍVIDAS
Recorde de 2 milhões de pessoas estão endividadas, enquanto bancos recebem R$ 1,2 trilhão
Redação

Enquanto o Banco Central liberou R$ 1,2 trilhão para salvar os lucros dos banqueiros, um número recorde de 2 milhões de pessoas endividadas estão pedindo renegociação de empréstimos, e Febraban quer mais privilégios.

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A crise econômica provocada pela pandemia da covid-19 e os absurdos ataques desferidos pelos governos e patrões que já causam milhares de demissões, suspensões de contratos, reduções de salários etc., já levaram dois milhões de pessoas a bater na porta dos cincos maiores bancos do país para pedir renegociação de um valor total de R$ 200 bilhões em empréstimos. O levantamento divulgado na segunda-feira, 6, pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) não informa, porém, o valor total que já foi negociado até agora por Banco do Brasil, Bradesco, Caixa e Santander. O Itaú Unibanco informou que aceitou apenas 5% dos 302 mil pedidos que recebeu, mostrando que para eles a crise que tira a vida de centenas e escala rapidamente não é motivo para não seguir arrancando cada gota de lucro às custas da exploração de seus “clientes”.

Pressionada por críticas de empresas e pessoas físicas sobre dificuldades para negociar uma adiamento nas prestações em dois ou três meses, a Febraban afirmou que entende a "ansiedade" de diversos setores, mas é "preciso compreender que esse é um processo gradual e complexo, que demanda diversas providências e, em muitos casos, envolvem mudanças regulatórias". Trocando em miúdos, querem usar isso para chantagear o governo a conseguir ainda mais benefícios, já que o R$1,2 trilhão do BC não parece ser o suficiente para aplacar sua ganância.

A associação cita como exemplo de mudanças de normas que precisaram ser feitas a liberação de depósitos compulsórios por parte do Banco Central. O compulsório é formado por uma parte do dinheiro depositado nos bancos pelos correntistas. Esses recursos são mantidos no BC e os bancos não podem utilizá-los para fazer empréstimos, por exemplo.

No sábado, durante conferência online com representantes do varejo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o "empoçamento" de recursos nos bancos estaria retardando a chegada de ajuda para quem precisa na crise. Por isso, a aposta do governo é permitir que o BC negocie diretamente carteiras de crédito e títulos de empresas. A medida está prevista na PEC do "orçamento de guerra", que já foi aprovada pela Câmara e precisa do aval do Senado. Esse “orçamento de guerra”, como se vê, se preocupa muito com o dinheiro para empresários, mas até o dia de hoje, 7, ainda não havia liberado o miserável auxílio de R$600 do qual milhões de pessoas dependem para poder comer.

Para o diretor da consultoria Teros, Juan Ferres, não se trata de falta de liquidez, neste momento, já que as captações de CDB e outros instrumentos semelhantes pelos bancos aumentaram nos últimos dias. "Trata-se de um problema operacional de avaliação de risco para destravar o processo", avalia o economista, que montou uma plataforma em tempo real aberta na internet, com dados do impacto da crise em diversos indicadores da economia real. "Por mais que se injete liquidez, os bancos estão tendo muita dificuldade para elaborar uma proposta de crédito aos clientes, já que não há parâmetros para precificar esse crédito ". Traduzindo, significa que os bancos ainda estão calculando como podem explorar melhor as pessoas a partir do dinheiro que foi liberado pelo governo. Ao invés de liberar o dinheiro para quem precisa, o Banco Central colocou nas mãos desses canalhas que estão pensando em como “precificá-lo” para aumentar seus lucros. Estão preocupados se as pessoas, jogadas numa situação de miséria pelos governos e patrões, poderão depois pagar seus juros exorbitantes nos empréstimos.

Endividamento

Pesquisa recente da Confederação Nacional de Comércio (CNC) mostrou que em março o endividamento bateu recorde: 66,2% dos trabalhadores possuíam dívidas entre cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal, crédito consignado, carnês, financiamentos de carros, financiamentos de imóveis. Embora mais endividadas, a inadimplência das famílias estava relativamente estável, o que deve mudar agora.

"Os bancos não querem dar dinheiro novo, nem querem alongar. Querem comprar só títulos públicos. O BC tem de reduzir mais os juros para os bancos ganharem menos dinheiro ao comprarem os títulos públicos", afirma Carlos Thadeu de Freitas, economista-chefe da CNC. Ou seja, querem especular com a fraudulenta e criminosa dívida pública, porque sabem que a prioridade de todos os governos, com ou sem crise, com ou sem miséria e fome, é drenar os cofres públicos para pagar juros e amortizações dessa dívida.

Frente ao endividamento das famílias trabalhadoras, a única medida decente seria a suspensão da cobrança de todos os juros e de todas as prestações de dívidas com os bilionários bancos, além da suspensão das contas de gás, luz, aluguel e água, bem como a concessão de um salário-quarentena de R$ 2.000 reais para todos que necessitem. Isso poderia ser feito suspendendo o pagamento da dívida pública, que segue garantindo os lucros desses banqueiros, e também taxando as grandes fortunas, a começar pelos lucros bilionários desses bancos.

 
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