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Sábado 28 de Noviembre de 2020
02:57 hs.

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BANCÁRIOS
MP 905 neutralizada ou bancários neutralizados pela CUT?
Bancários do MRT

O Comando Nacional dos Bancários, após negociar com a Fenaban e aprovar, sem nenhuma assembleia, a suspensão até dezembro de 2020 dos efeitos da MP 905 para os bancários, saiu cantando vitória afirmando que a MP teria sido neutralizada. Com essa manobra, a própria direção da CUT já está considerando que essa MP vai passar, e sem luta.

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A MP 905 de Bolsonaro e Guedes veio para causar uma devastação na CLT ainda maior do que a própria reforma trabalhista aprovada no governo golpista de Michel Temer. Dentre os profundos ataques está a tentativa de transformar a juventude trabalhadora em balão de ensaio da precarização com a carteira verde e amarela, reduzindo o direito ao FGTS, multa rescisória, reduzindo a fiscalização do trabalho. Além disso pretende estender a jornada ao domingos e feriados para mais de 70 categorias, dentre elas professores e trabalhadores da indústria. Quanto aos bancários, o ataque pretende ampliar a jornada de trabalho de 6h para 8h e trabalhos aos finais de semana, isso sem sequer haver aumento salarial.

A atuação do Comando Nacional dos Bancários (hegemonizado pela CUT e CTB), após essa negociação a portas fechadas com a Fenaban e sem chamar uma só assembleia, no entanto, mostra como essas direções estão muito mais alinhadas com os planos ajustadores de Guedes e Bolsonaro do que com o desenvolvimento da organização e mobilização dos trabalhadores. Os governadores do PT e do PCdoB entusiastas e apoiadores da reforma da previdência que o digam.

Ao cantar vitória da suspensão (que vale somente até dezembro de 2020) dos efeitos da MP para a categoria bancária, a direção da CUT nos maiores sindicatos de bancários do país está expressando que, na prática, não vai lutar pela derrubada da MP. Pelo contrário, pode pavimentar o caminho de mais derrotas caso consiga efetivar a separação e divisão entre os bancários e os demais setores que também serão profundamente atacados pela MP, retirando a categoria do campo de batalha num primeiro momento mais decisivo para depois isolá-la numa luta quando estiver expirando o prazo da suspensão, em dezembro de 2020. Nessa manobra, quem a direção da CUT de fato neutraliza é a energia potencial da categoria bancária na luta pela derrubada da MP 905, assim como também neutraliza a unidade dos bancários com os setores que também estão sendo conjuntamente atacados.

A radicalização dos discursos do PT, mais carregados nas tintas após a soltura do Lula, são letra morta nas mãos das suas próprias burocracias sindicais que, ao dividir e isolar a luta de setores estratégicos dos trabalhadores dos setores mais precarizados e informais, seguem pavimentando o caminho para os ataques de Bolsonaro.

Os bancários, pelo papel estratégico que ocupam e pela profundidade do ataque, poderiam capitanear uma forte e fundamental luta pela derrubada da MP 905, em conjunto com os outros setores de trabalhadores e, inclusive, com a própria juventude que também está sendo atacada frontalmente com a criação da carteira verde-amarela. Numa luta contra ataques dessa magnitude, os setores mais estratégicos dos trabalhadores no país precisam tomar como suas as demandas dos setores mais precarizados, de forma a combater o enfraquecimento pelo isolamento, e fazer pesar a balança do apoio da população a seu favor. Não podemos nos isolar e cair na ilusão de achar que eventuais conquistas restritas a uma categoria ou outra estarão garantidas num cenário em que setores cada vez maiores estão sendo jogados na informalidade e na precarização de trabalhar 12-16h por dia sem direitos, em cima de uma bicicleta, dentro de um carro, em frente a uma máquina de costura, ou computador, etc.

No caso específico dos bancários, isso passa por mostrar, por exemplo, uma contradição no discurso da direção dos bancos, que vem promovendo cada vez mais cortes dos postos de trabalho com a justificativa da expansão tecnológica e digital. Ora, se o trabalho do bancário estaria se tornando "obsoleto" porque então estão querendo aumentar a jornada para 8h e fins de semana? Nesse sentido, se existe demanda para que se amplie o horário de atendimento nas agências bancárias, como os próprios bancos demonstram nessa ofensiva, nossa luta deve ser por mais contratações que permitam abrir mais turnos de atendimento, mantendo a conquista histórica da jornada de 6 horas; nossa luta deve ser pela efetivação dos terceirizados (no caso das empresas públicas, sem concurso público), para romper com as barreiras que nos dividem e nos enfraquecem. Para isso, os primeiros obstáculos a ultrapassar serão os freios das burocracias sindicais e a miopia do corporativismo.

 
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