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Jueves 14 de Noviembre de 2019
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Apogeu e queda do ambientalismo na nascente União Soviética
Roberto Andrés

A tragédia em que resultou a relação soviética com o meio ambiente tendeu a obscurecer o enorme dinamismo da nascente ecologia soviética. Por que é importante recuperar seu legado?

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Tradução de Lara Zaramella e Maria Eliza

Em 1992 o demógrafo Murray Feshbach e o jornalista Alfred Friendly publicaram o livro Ecocídio na URSS: saúde e natureza sob assédio, um trabalho que, com informação acessível pela primeira vez ao periodismo ocidental, ainda que sob a lupa ideológica do anticomunismo, desnudava as paupérrimas condições ambientais e sanitárias na então recentemente dissolvida União Soviética. Nessa obra, os norte-americanos postulavam que “a contaminação massiva foi uma das causas da morte da URSS”.

Segundo a investigação, no momento da dissolução da URSS (1991), mais de 75% da água potável estava intoxicada e os outros 25% se encontravam completamente sem tratamento; metade da terra cultivável se encontrava com erosão, salinizada ou inundada; um terço da população vivia em cidades com um ar que continha cinco ou mais vezes o limite legal de contaminantes; 80% dos hospitais rurais não tinham água corrente e a metade carecia de redes de esgoto. Ecocídio na URSS era visto sobre o espírito de época como uma crítica feroz ao comunismo, identificado falsamente com o “socialismo real” da URSS e do Leste Europeu. Mas a obra também apontava uma crítica ao ambientalismo ocidental, que alegava, naquela época, a necessidade de uma planificação centralizada da economia com o fim de reduzir e reverter os desastres ecológicos protagonizados pelos países capitalistas.

Se é certo que a burocracia soviética e os regimes relacionados foram responsáveis em grande parte pelos piores desastres ecológicos do século XX, como a seca do Mar de Aral, o desastre nuclear de Chernobyl e o triângulo negro do Leste Europeu, na verdade, na nascente União Soviética, o ambientalismo gozou de grande saúde. Com as profundas transformações sociais que impôs a Revolução Bolchevique e a efervescência política, artística e cultural dos anos de 1920 (que deram como fruto a genialidade de Vygotski, Eisenstein, Chostakóvitch, Maiakóvski, Iessiênin, entre outros), também resplandeceu uma geração de destacados expoentes do ambientalismo, do naturalismo e do conservacionismo.

Vladímir Vernadski, Aleksander Oparin, Nikolai Vavílov, Vladímir Sukatchov, Vladímir Komarov, Iakov Uranovski, Vladímir Stantchínski, Aleksandr Tchaiánov e Ivan Schmalhausen eram membros de um movimento que, sob a proteção de Vladímir Lênin, fizeram importantes contribuições ao conhecimento científico da natureza e à proteção das condições naturais de vida e produção (“o proletariado vive e produz na biosfera”, disseram). Aqui expomos o papel destacado que cumpriram na história do novo regime revolucionário, ao menos até a consolidação do stalinismo. Finalmente, refletiremos sobre a importância de recuperar este legado quando já se passaram cem anos desde a Revolução Russa, a propósito da crise ecológica global que atravessamos no atual período histórico.

A ecologia soviética na década de ouro da URSS

O conceito de ecologia foi cunhado em 1866 pelo darwinista alemão Ernst Haeckel e, embora se reconheça sua origem como um ramo da biologia, especificamente da zoologia, para Haeckel, a definição elementar da ciência da ecologia constituía há tempos “a essência do que geralmente se denomina ‘história natural’” (História Natural da Criação, 1868). Desde então, e em todo seu processo inicial de formação, a ecologia foi um terreno em disputa de correntes filosóficas idealistas e materialistas, com diversos enfoques científicos (Haeckel, Warming, Clemens, Schimper, Cowles).

Foi assim que, no começo do século XX, enquanto os modelos ocidentais de ecologia tendiam ainda a se constituir em enfoques reducionistas, lineares, com uma orientação teleológica, a ecologia soviética explorava o desenvolvimento de modelos dialeticamente mais complexos, dinâmicos, holísticos e coevolutos. E eis que o interesse cultural soviético na ciência foi especialmente estimulado em grande escala pelas teorias mais amplas: o conceito de biosfera de Vernadski e de biogeocenose de Sukatchov, que pretendiam tratar com sistemas inteiros; a ciência do solo de Vassíli Williams, que o considerou um sistema vivo em coevolução com sua vegetação e as práticas agrícolas; a exploração da origem da vida por parte de Oparin; o desenvolvimento pioneiro da análise energética de comunidades ecológicas (e níveis tróficos) do zoólogo Vladímir Stantchínski; a reinterpretação da história e da sociologia e a ciência em termos materialistas históricos por parte do físico Boris Hessen, que o deu fama mundial, etc. Assim, neste marco, na União Soviética da década de 1920, a ecologia (“a jovem ciência em desenvolvimento”, como disse Stantchínski), era provavelmente a mais avançada do mundo.

Vladímir Vernadski alcançou renome internacional por sua análise sobre a biosfera e como fundador da ciência da biogeoquímica. Desde 1912, foi membro da Academia Russa de Ciências e, em 1918, foi fundador, junto com o biólogo evolutivo Ivan Schmalhausen, da Academia Ucraniana de Ciências e seu primeiro presidente. Em resposta a uma solicitação feita por ele e pelo mineralogista Aleksandr Fersman, o dirigente revolucionário Vladimir Lênin estabeleceu, em 1920, no sul dos Urais, a primeira reserva natural da União Soviética, a primeira do mundo que um governo dedicava exclusivamente ao estudo científico da natureza.

Em 1926, Vernadski publicou A Biosfera, obra na qual apresentava a vida como uma força geológica que dá forma à Terra. No prefácio à edição francesa de 1928, Vernadski aponta: “O propósito desta obra consiste em chamar a atenção dos naturalistas, dos geólogos e, em especial, dos biólogos, para a relevância do estudo quantitativo da vida em seus vínculos indissolúveis com os fenômenos químicos do planeta”. Por ter dado o conteúdo atual ao conceito de biosfera, é considerado um dos fundadores da ecologia “global” e o pai da visão moderna do sistema terrestre. Lynn Margulis, a influente bióloga norte-americana e companheira de Carl Sagan, destaca na introdução da tradução inglesa de A Biosfera, de 1998, que Vernadski “foi a primeira pessoa em toda a história que enfrentou com reais implicações de fato de que a Terra é uma esfera autônoma”.

Foi consequência de seus trabalhos sobre a biosfera, com seu enfoque holístico, que finalmente se fez possível para a ciência achar uma solução ao problema da origem da vida a partir da matéria inanimada (ou inorgânica). Isso através das discussões de cientistas britânicos e soviéticos, e que se materializou no que se passou a conhecer posteriormente como a tese Oparin-Haldane.

Biólogo e bioquímico, Aleksandr Oparin publicou em 1924 seu estudo Na origem da vida na Terra, no qual exporia uma teoria que revolucionaria todas as pretensões prévias sobre o tema. Segundo os marxistas britânicos Ted Frant e Alan Wood, em Razão e revolução: filosofia marxista e ciência moderna, graças ao trabalho de Oparin, “pela primeira vez, se fazia uma apreciação moderna do assunto, abrindo um novo capítulo na compreensão da vida. Não foi casualidade que, como materialista e dialético, visse o tema de uma maneira original. Foi um começo audaz, nos primórdios da bioquímica e da biologia molecular, apoiado em 1929 pela contribuição independente do biólogo britânico John Haldane, também materialista”.

Para o escritor norte-americano Isaac Asimov, segundo apontado em seu Novo guia para a ciência, no trabalho feito por Oparin

os problemas da origem da vida se tratavam pela primeira vez em detalhes desde um ponto de vista completamente materialista. Já que a União Soviética não estava inibida pelos escrúpulos religiosos aos que as nações ocidentais se sentiam ligadas, talvez então não seja surpreendente.

Oparin sempre reconheceu a dívida que tinha com Engels e não fez nenhum segredo de sua postura filosófica. Em A origem da vida na Terra (1924), o soviético assinalou que

já no final do século passado, Friedrich Engels indicou que um estudo da história do desenvolvimento da matéria é de longe o enfoque mais promissor para encontrar uma solução ao problema da origem da vida. Estas ideias de Engels, porém, não se refletiram suficientemente no pensamento científico de seu tempo.

Em 1927, o diretor do Instituto Marx-Engels da URSS David Riazánov publicou a obra inédita e incompleta de Friedrich Engels, A Dialética da Natureza. O manuscrito, redigido entre 1872 e 1882, foi conservado por Eduard Bernstein após a morte de Engels em 1895, submetido à consideração de Albert Einstein em 1924 e, finalmente, entregue a Riazánov para sua publicação. Nessa obra, Engels escreve uma das passagens mais brilhantes e reivindicadas pelos marxistas condenados à crise ecológica posterior:

Não nos deixemos levar pelo entusiasmo ante nossas vitórias sobre a natureza. Depois de cada uma dessas vitórias, a natureza faz sua vingança. É verdade que as primeiras consequências dessas vitórias são as previstas por nós, mas, em segundo e terceiro lugar, aparecem consequências muito diferentes, totalmente imprevistas e que, frequentemente, anulam as primeiras. Assim, a cada passo, os acontecimentos nos recordam que nosso domínio sobre a natureza não se parece em nada ao domínio de um conquistador sobre um povo conquistado, que não é o domínio de alguém situado fora da natureza, senão que nós, por nossa carne, nosso sangue e nosso cérebro, pertencemos à natureza, nos encontramos em seu seio, e todo nosso domínio sobre ela consiste em que, diferentemente dos demais seres, somos capazes de conhecer suas leis e de aplicá-las de maneira judiciosa.

Em Marx e Engels sobre biologia (1933), o botânico Vladímir Komarov, que, posteriormente, seria presidente da Academia Russa de Ciências, citava amplamente a longa passagem de Engels e observou:

O proprietário, privado ou patrão, pela necessidade de fazer com que as mudanças que se introduzem no mundo cumpram com as leis da natureza, afinal não pode fazê-lo, já que sua finalidade é o benefício e nada mais que o benefício. Ao criar crise atrás de crise na indústria, assola a riqueza natural da agricultura deixando atrás de si um solo estéril, e pedras nuas e ladeiras pedregosas nas zonas montanhosas.

Komarov foi o editor principal da Flora da União Soviética, uma obra com ilustrações e descrições botânicas que constam de trinta volumes que foram editados entre 1934 e 1964.

Por sua vez, o biólogo, filósofo e historiador da ciência Iakov Uranovsk, em Marxismo e ciências naturais (1933), se submerge nas investigações feitas por Marx sobre as plantações do químico agrícola alemão Justus Von Liebig para explicar a perda da fertilidade do solo. Ademais, polemiza com a influência de Kautsky, que dizia que “o marxismo não tem relação com a filosofia, a filosofia não tem relação com a política do partido e, finalmente, a ciência natural não tem relação nem com o marxismo, nem com a política, nem com a filosofia do partido”.

Dessa forma, segundo Kautsky, o marxismo não é mais que uma “concepção especial” da sociedade. Para Uranovski, que em 1931 assumiu como secretário científico da Comissão de História do Conhecimento da Academia de Ciências da URSS, era necessário voltar a explicar o papel das ciências naturais na formação das ideias de Marx e a relação geral entre o marxismo e as ciências naturais, o que, segundo ele, “mostrará mais uma vez de forma convincente como os pseudomarxistas castram o rico conteúdo das ideias de Marx, distorcem e contraem seus fundamentos e desarmam ideologicamente o proletariado na sua luta pelo comunismo”.

E tal como ocorreu com Komarov, para Uranovski, a obra de Engels cumpria um papel determinante:

Apenas a partir das obras de Engels seria possível mostrar a relação interna das diferentes partes consistentes do marxismo com a ciência da natureza. A Dialética da Natureza é a pretensão mais altruísta de aplicar o método e as perspectivas de Marx aos dados da ciência natural. É uma pretensão que está muito à frente de tudo o que se fez nessa esfera pela filosofia natural alemã e por Hegel, já que a condição das forças produtivas e as ciências naturais no século XIX supera os século da Revolução Francesa.

Tanto o texto de Komarov como o de Uranovski foram publicados pela primeira vez na Rússia em 1933, em um extenso simpósio para comemorar o 50º aniversário da morte de Karl Marx. Junto às exposições de outros autores foram compilados sob o título de Marxismo e pensamento moderno. Aqui os autores se inclinam à opinião de que a tendência geral do pensamento moderno é abandonar o método histórico e negar o progresso, com a conclusão de que o marxismo é a única perspectiva histórica e progressista na ciência, na filosofia e na história no período posterior à Primeira Guerra Mundial. Marxismo e pensamento moderno contou com uma introdução de Nikolai Bukhárin, que, seguindo a Vernadski, enfatizou a relação humana com a biosfera e o intercâmbio dialético entre a humanidade e a natureza. Inclusive, chegou a levantar em seu famoso Materialismo histórico (1923) que “nada poderia ser mais incorreto que a consideração da natureza a partir do ponto de vista teleológico: o homem, Senhor da Criação, com a natureza criada para seu uso e todas as coisas adaptadas às suas necessidades”. Os outros autores que participaram do simpósio e posterior publicação foram o especialista em história antiga Aleksandr Tiumiénev, o filósofo Abraham Deborin e o geneticista Nikolai Vavilov.

Nikolai Vavilov foi um especialista em genética vegetal, que presidiu a Academia de Agricultura Lênin e que com o apoio do Estado soviético aplicou o método materialista à questão das origens da agricultura. Foi Vavilov que estabeleceu que existia uma série de centros geográficos de grande diversidade genética de plantas, os mais ricos bancos de germoplasma, base de todos os cultivos humanos: “Os fundamentais centros de origem de plantas cultivadas desempenham com frequência o papel de acumuladores de uma surpreendente diversidade de variedades”, disse. Esses “reservatórios” genéticos estariam situados especificamente nas regiões montanhosas tropicais e subtropicais de países como México, Peru, Etiópia, Turquia e Tibet. Para Vavilov, que adotou uma perspectiva dialética, coevolucionista, esses centros de diversidade genética vegetal eram o produto da cultura humana, a partir de onde tiveram origem todos os principais cultivos e onde se encontram as mais ricas reservas genéticas, produto de milênios de cultivos.

Em 1939, participa junto a Boris Hessen e Nikolai Bukárin da Segunda Conferência Internacional da História da Ciência e da Tecnologia, ocorrida em Londres. Aqui, as exposições da delegação soviética teriam uma importância crucial na formação das opiniões dos cientistas de esquerda britânicos J. D. Bernal e J. Needham.

Aleksandr Tchaiánov foi o mais destacado economista agrário da Rússia revolucionária. Socialista independente e mais distante do marxismo (por sua ascendência naródnik [populista]), ainda que firmemente comprometido com as tarefas da jovem União Soviética, Tchaiánov serviu como diretor do Instituto de Investigação Científica da Economia Agrícola, de onde assessorou o Comissário para a Agricultura da URSS. Suas investigações se converteram em um ponto de referência obrigatório para a análise das questões agrárias, abarcando a contabilidade e a administração das explorações agropecuárias e a administração de águas e recursos naturais.

Era o herdeiro de uma vasta e interessante tradição russa de elaboração analítica sobre o cooperativismo camponês, que tinha suas origens nos debates entre Karl Marx e Vera Zassúlitch sobre o destino das comunidades rurais russas e a possibilidade de saltar etapas no desenvolvimento social evitando a etapa capitalista. Tchaiánov teve o mérito problematizar as complexas relações da economia camponesa russa e oferecer uma resposta original ao assunto. Para ele, a coletivização cooperativa representava o melhor e talvez o único modo possível de introduzir na atrasadíssima economia camponesa “elementos de uma economia em grande escala, de industrialização e de planificação estatal”. Seu livro de 1919 As ideias e as formas básicas da cooperação camponesa foi estudado a fundo por Lênin, que o utilizou em grande medida para seu texto em 1923 Sobre a cooperação.

Vladímir Sukatchov foi um geobotânico russo membro da Academia de Ciências da URSS, que desde 1919 dirigiu o departamento de dendrologia e sistemática vegetal do Instituto Florestal de Leningrado. Sukatchov é conhecido por seu conceito de “biogeocenose”, que surgiu (e teve uma conexão integral) com as noções de Vernadski sobre a biosfera e os ciclos biogeoquímicos. O termo original (“biocenose”, ou “comunidade”) foi cunhado em 1877 pelo ecólogista alemão Karl Möbius, para designar uma comunidade de espécies que vivem integradas e inter-relacionadas. Sukatchov dá a ele um conteúdo muito mais amplo incorporando o entorno abiótico. Assim, o conceito de biogeocenose é utilizado para descrever a soma total dos nichos ecológicos (plantas e animais) com seu ambiente. Foi concebido em termos dialético-energéticos como uma categoria mais unificada e dinâmica que a noção ocidental de “ecossistema”, enfatizando nos processos ecológicos a dinâmica interna, as mudanças contraditórias e a instabilidade.

Segundo Sukatchov em sua obra posterior de 1964 Fundamentos da biogeocenolofia florestal: “A ideia da interação de todos os fenômenos naturais é uma das premissas básicas da dialética materialista, bem provada pelos fundadores desta, Karl Marx e Friedrich Engels”.

O biólogo e zoólogo Vladímir Stantchínski foi pioneiro no desenvolvimento da análise energética de comunidades ecológicas, além de promotor e defensor líder dos santuários naturais conhecidos como zapoviédnik [reserva natural]. Também foi fundador da Universidade Estatal de Smolensk e diretor de seu departamento de zoologia, onde sua investigação se centrou nos mecanismo de especiação, esperando unir os dados da genética com os da ecologia e sistemática. A partir de 1927, centra-se no problema da natureza da comunidade biológica. Em sua concepção, os organismos que formavam a comunidade eram dinâmicos, encontravam-se em constante mudança e estavam vinculados entre si através do intercâmbio de material e energia (o que incluía sua reciclagem), uma ideia inspirada nas descobertas de Vernadski. Em 1929, exerce na Universidade de Kakhóvka, Ucrânia, a importante reserva natural e centro de experimentação agrícola, onde atua como subdiretor da parte científica da reserva e onde, pela primeira vez no país, levaram-se a cabo estudos biocenológicos e ecológicos.

Em 1929, Stantchínski estava no auge de sua carreira. Não era só o cabeça da Faculdade de Zoologia de Vertebrados na Universidade Estatal de Khárkov, mas também fundador do Instituto Científico Zoológico-Biológico da universidade, e encabeçou sua divisão de ecologia. Em 1931, assume como editor da Revista de Ecologia e Biocenologia, a primeira revista científica soviética dedicada à ecologia. Stantchínski adotou um novo enfoque para a ecologia. Pensou que a quantidade de matéria viva na biosfera dependia diretamente da quantidade de energia solar que transformavam as plantas autótrofas, a “base econômica do mundo vivente”. Invocou, com efeito, a Segunda Lei da Termodinâmica para explicar as variações em massa entre a flora e a fauna na parte superior, média e inferior da biosfera, constatando que a energia se perdia na medida de cada passo que era escalado, já que cada vez se necessitava de mais trabalho para conseguir alimento.

Iván Shmalhausen foi um morfólogo e embriólogo ucraniano defensor da integração da biologia do desenvolvimento na teoria evolutiva, sendo considerado um dos precursores principais da moderna evo-devo (biologia evolutiva do desenvolvimento). Desenvolveu a teoria da seleção estabilizadora e foi uma das figuras centrais no desenvolvimento da síntese evolutiva moderna. Também é lembrado, entre outras coisas, pela Lei de Schamlhausen, que estabelece que, uma população vivendo em condições inusuais ou estressantes, é vulnerável a pequenas diferenças nas condições ambientais ou à aparição de variantes genéticas. Essa Lei, por exemplo, tem aplicação no efeito de substâncias tóxicas na saúde da população.
Schmalhausen também cunhou conceitos como os de canalização e assimilação genética. De 1920 a 1930, foi chefe do Departamento de Zoologia de Vertebrados na Universidade de Kiev, Ucrânia. De 1930 a 1941 Schmalhausen foi diretor do Instituto de Zoologia em Kiev, e paralelamente, entre 1936 e 1948, diretor do Instituto de Morfologia Evolutiva em Moscou. Em 1938, publicou O organismo como um todo em seu desenvolvimento individual e histórico, uma de suas obras mais conhecidas junto a Fatores da evolução e Os problemas do Darwinismo, ambos de 1946. [1]

 
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