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Sábado 7 de Diciembre de 2019
21:59 hs.

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DECLARAÇÃO DA JUVENTUDE FAÍSCA
Não é fogo, é capitalismo
Faísca - Juventude Anticapitalista e Revolucionária

Declaração da Juventude Faísca - Anticapitalista e Revolucionária sobre a Amazônia, palco de disputa de interesses de Bolsonaro, o agronegócio e o G7.

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Foto: Araquém Alcântara

No Brasil de Bolsonaro, escureceu às 15h na maior capital do país. No sudoeste do Pará, latifundiários se sentiram à vontade o suficiente para promover e divulgar um “dia do fogo” na mídia local. Neste momento, já levaríamos de 200 a 300 anos para que a Amazônia retornasse a seu estado original, sob recuperação natural ou assistida, segundo especialistas. Além disso, Bolsonaro segue aprovando o uso de novos agrotóxicos, potencialmente cancerígenos, somando 211 que contaminam os rios e solo e disseminam veneno e doenças para o prato da população. Há alguns meses, vimos uma cidade mineira submergir em lama fruto da ganância da Vale.

Essa é a realidade de devastação ambiental e crise ecológica que choca, sensibiliza e revolta a juventude e a classe trabalhadora brasileiras e internacionalmente, que tomam as ruas em defesa da Amazônia. Enquanto isso, o presidente que fez campanha contra a questão ambiental como empecilho às negociações comerciais no Brasil, chegou a culpar ONGs pelas queimadas, para livrar seus grandes aliados do agronegócio, e chamou dados de “mentira”. Ao mesmo tempo, imperialismos que sistematicamente vêm demonstrando sua ganância predatória para super-explorar a mão-de-obra brasileira e são responsáveis pelos “barcos da morte” na crise migratória europeia posam-se de humanitários e defensores da imensa fauna e flora amazônicas por meio do G7.

Bolsonaro, agronegócio e G7: tirem as mãos da Amazônia

Mais do que nunca, a irracionalidade do sistema capitalista, em escancarada decadência na putrefação de sua crise em um momento em que economistas internacionalmente anunciam cenários de nova recessão mundial, comprova que não há saída intermediária para a humanidade. Os dizeres de Rosa Luxemburgo neste ano de centenário de seu assassinato seguem mais atuais do que nunca: “socialismo ou barbárie!”.

Na crise capitalista, a mesma lógica que faz com que exista hoje no Brasil e no mundo uma massa procurando trabalho, a começar pela juventude, ao mesmo tempo em que outra massa é obrigada a recorrer a longas e desgastantes jornadas por salários miseráveis, dita que os recursos naturais sejam destruídos aos ritmos e vontades do agronegócio e das grandes empresas imperialistas no Brasil. Não há racionalidade pautada pelos interesses sociais e ecológicos na anarquia capitalista. São os interesses privados de um punhado de latifundiários, empresários e capitais imperialistas que impõem ao conjunto da espécie humana, concomitantemente, as condições de sofrimento e miséria que cerceiam sua existência atual e os tempos - cada vez mais acelerados - de seu desaparecimento futuro, junto a milhares de outras espécies.

Por isso, aqueles que historicamente se dispuseram a buscar um projeto de conciliação, administrando o Estado capitalista e defendendo os lucros da burguesia predatória latifundiária e imperialista, abriram espaço ao agronegócio, à bancada do boi e da bala, e aos setores que articularam o golpe institucional e apoiaram Bolsonaro, como vimos com os governos petistas. O ciclo econômico excepcional na América Latina que marcou a possibilidade das precárias concessões lulistas, ao mesmo tempo em que os bancos nunca lucraram tanto, foi em base ao boom de commodities em comércio de produtos como soja e milho com a China e da expansão das fronteiras agrícolas.

Agora os interesses do imperialismo alemão ameaçados pelo gigante asiático pautam sua demagogia, disfarçada de “preocupação ambiental” com Mérkel, para enfraquecer o comércio brasileiro com a China, enquanto segue disseminando e devastando todo o globo. São também esses setores, junto a Macron e Trump, os beneficiados pelo entreguismo privatista de Bolsonaro, que oferece os recursos naturais do Brasil em troca de acordos profundamente desiguais como o Mercosul-UE. Além disso, as empresas desses mesmos países europeus são grandes fornecedoras de maquinário e de sementes às regiões desmatadas. Assim, Bolsonaro, o agronegócio e os imperialismos do G7 são responsáveis pelo aprofundamento da devastação ambiental e da opressão dos povos indígenas, quilombolas e sem-terra na região amazônica, sistematicamente assassinados.


Os cortes e o “Future-se” de Bolsonaro e Weintraub a serviço de aprofundar a devastação ambiental

Nesta mesma semana, Bolsonaro anunciou que pretende fundir CAPES e CNPq. Diante dos bilhões já cortados de financiamento às universidades e institutos federais, que ameaçam fechar suas portas e contra o qual a juventude se levantou massivamente no primeiro semestre, não há dúvidas de que esse processo se liga ao projeto de ataque ao pensamento científico em curso no Brasil e ao corte de milhares de bolsas.

O anúncio do programa “Future-se” nas federais vai ao encontro do duplo processo de precarização e privatização do conhecimento vinculado ao controle ideológico da ciência. São justamente empresas, cujas mãos estão sujas de fuligem e sangue, as que passam a ter permissão, também via Organizações Sociais, a financiar e gerir o conteúdo produzido nas universidades. Não é à toa que na propaganda televisiva do “Future-se” o governo sublinhe os dizeres “tecnologia alavanca o agronegócio” e “capital estrangeiro”. Se, historicamente, os considerados grandes polos de conhecimento como as estaduais USP e UNICAMP já empreenderam convênios, garantidos pelas reitorias e conselhos universitários, com empresas como Monsanto e Cargill, imperialistas vinculadas ao agronegócio brasileiro, o “Future-se” vem não apenas para generalizar e determinar unicamente que o conhecimento das universidades esteja a esse serviço, mas também para precarizar o conjunto da ciência, privilegiando somente alguns setores interessantes à semi-colonização do “Brasil fazenda do mundo”.

Bolsonaro sabe que o conhecimento das universidades, predominantemente a serviço das burguesias, está em disputa e que também advém pensamento crítico das universidades. É por isso que as elegeu como inimigas declaradas. Avançar contra a produção científica também significa impedir a realização de produções que desmascaram o projeto de destruição ambiental em curso. Além do ataque escancarado às Ciências Humanas, que servem à compreensão da sociedade e por isso historicamente são pólos de resistência às falácias da direita, áreas como as Ciências Biológicas são consideradas mais custosas porque necessitam de infra-estrutura para suas pesquisas e estão também no centro dos ataques, com os cortes. O governo quer calar qualquer liberdade científica e impedir qualquer ponte das universidades com a classe trabalhadora e o povo pobre disseminando o obscurantismo e a desinformação, contra a qual o céu cinza de São Paulo protestou.


A única saída para a crise ecológica é anticapitalista e ligada à classe trabalhadora

Nas últimas eleições europeias, os chamados “partidos verdes” tiveram desempenho destacado, como tentativa de capitalizar as “sextas pelo futuro”, com greves ambientais e protagonismo da juventude. Entretanto, esses mesmos partidos, que são também imperialistas ajustadores em nome dos interesses das empresas, não são alternativa alguma à crise ambiental. A burguesia nos levará somente à barbárie.

Por isso, a juventude brasileira que se colocou como a oposição mais contundente ao governo Bolsonaro, levantando-se nos dias 15 e 30 de Maio e tendo sua energia traída pela estratégia impotente das burocracias do PT e do PCdoB na UNE e nas centrais sindicais, deve buscar sua saída em um programa que de fato responda à angústia gigantesca de em quais condições a humanidade construirá seu futuro. É necessário impor a imediata suspensão de todos repasses financeiros bilionários aos latifundiários pelo governo e sua imediata aplicação em planos de combate ao incêndio, reflorestamento e gestão das florestas. Frente aos bilhões de dólares exportados anualmente em soja, milho e carne às custas de devastação ambiental e humana, é preciso levantar uma campanha pela estatização sem indenização de todas traders e seus bilionários recursos financeiros, logísticos e tecnológicos e pelo monopólio estatal do comércio da soja, controlado pelos trabalhadores.

Em um país como o Brasil, a defesa do meio ambiente perpassa a luta pelo direito à terra e contra o latifúndio, diante de uma burguesia herdeira da escravidão. Assim, é necessário uma reforma agrária radical que desmantele o latifúndio no país, distribuindo terra a quem deseja nela trabalhar, que garanta autonomia e integralidade das terras indígenas e quilombolas, e integre as pequenas propriedade de cinturões verdes nas cidades, com os pequenos proprietários no campo, com grandes fazendas e fábricas sob controle dos que nela trabalham.

Apenas contagiando a classe trabalhadora e construindo uma aliança explosiva, é possível impor esse programa, a partir da batalha pela auto-organização, com assembleias e reuniões de base, em cada local de estudo e trabalho, exigindo um plano de lutas das entidades estudantis e centrais sindicais. Nesse sentido, as universidades têm um grande papel a cumprir: lutar contra os ataques à educação, às pesquisas e à ingerência das empresas que destróem nosso futuro passa por batalhar por universidades a serviço da classe trabalhadora, das populações indígenas e quilombolas e do povo pobre. Não apenas lutando contra a desinformação que busca amenizar a gravidade da crise ecológica atual, mas também porque a ciência e a tecnologia que avançam para aumentar a produtividade do agronegócio em detrimento do meio ambiente poderiam estar a serviço de produzir tecnologia e traçar planos para barrar a devastação do planeta.

Por isso, os comunistas somos os que mais podemos defender o meio ambiente, justamente porque, frente à miséria imposta à sociabilidade humana pelo sistema capitalista, defendemos uma perspectiva de que é possível arrancar outra perspectiva de futuro, que libere a realização da ciência, da arte, do trabalho ao máximo das forças produtivas, o que necessariamente passa por reconstruir a relação entre ser humano e natureza - relação mediada necessariamente pela forma como a humanidade trabalha e constrói sua riqueza. Por isso, apenas uma economia planificada de acordo com as necessidades sociais coletivas e ecológicas, rumo a uma sociedade de produtores livremente associados, pode responder até o final às angústias de uma geração que começa a assistir aos desdobramentos de um sistema que nada tem a nos oferecer, senão sofrimento e destruição.

Na semana dos 79 anos do assassinato de Trotski pelo stalinismo remarcamos: “O socialismo significará um salto do reino da necessidade ao reino da liberdade, no sentido de que o homem de hoje, esmagado sob o peso de contradições e sem harmonia, abrirá o caminho a uma nova espécie mais feliz.”

 
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