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Miércoles 23 de Octubre de 2019
23:45 hs.

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VENEZUELA
Chamamos as centrais sindicais e a esquerda a organizar um grande ato contra a ofensiva imperialista na Venezuela
Comitê Editorial Esquerda Diário
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Nos últimos dias assistimos a uma escalada grotesca da interferência imperialista dos Estados Unidos e da direita latinoamericana na Venezuela. Donald Trump, Bolsonaro e a oposição de direita usam miseravelmente os grandes sofrimentos da população e seu legítimo descontentamento contra o autoritarismo de Nicolás Maduro para avançar uma tentativa de golpe de Estado reacionário.

O objetivo dos Estados Unidos não tem nada a ver com a "defesa dos direitos humanos" ou da "democracia": apoiam-se num fantoche criado por Washington (Juan Guaidó) para apoderar-se do petróleo e dos recursos naturais venezuelanos, e converter a Venezuela num protetorado semicolonial norte-americano.

Jair Bolsonaro e seu governo segue como um vassalo se ajoelhando no altar de Trump: atua fazendo provocações na fronteira com a Venezuela, causando incidentes para transformar o sofrimento dos venezuelanos em "espetáculo midiático", como pedem o assessor de segurança nacional da Casa Branca, John Bolton, e Elliott Abrams, responsável por coordenar a ofensiva imperialista na Venezuela e responsável por crimes de guerra na Nicarágua e em toda a América Central na década de 1980. Junto com os direitistas Ivan Duque (presidente da Colômbia), Sebastián Piñera (presidente do Chile) e Mauricio Macri (presidente da Argentina), Bolsonaro encabeça o capachismo servil ao imperialismo norte-americano. Hoje, Bolsonaro é o pilar para a intentona golpista dos EUA que aprofundará as condições de miséria dos trabalhadores.

Esta cruzada do imperialismo, por sua vez, foi facilitada pelo próprio Maduro e o chavismo, cuja política autoritária não fez mais que aumentar a inclemente catástrofe econômica e social que se abate sobre os trabalhadores e o povo pobre da Venezuela, gerando escassez de alimentos e uma hiperinflação de mais de 1.000.000%, enquanto paga a dívida externa fraudulenta aos especuladores capitalistas. Com sua política, Maduro abriu caminho para a Guaidó e a direita golpista na Venezuela.

Logo depois de fracassadas as provocações dos EUA e seus capachos (Brasil e Colômbia) na fronteira venezuelana, neste último sábado, Guaidó imitou a linguagem de Trump e afirmou que "os acontecimentos me obrigam a tomar uma decisão: apresentar formalmente à Comunidade Internacional que devemos ter abertas todas as opções para conseguir a libertação desta pátria que luta e continuará lutando". No mesmo tom se pronunciou o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que voltou a insistir que "Todas as opções estão na mesa. Vamos fazer as coisas que são necessárias".

Estes são chamados abertos à intervenção militar direta na Venezuela. Mais uma vez demonstram toda a hipocrisia da "ajuda humanitária", desnudando toda a fachada de uma das intervenções imperialistas mais descaradas desde a invasão do Panamá em 1990. Trump impôs novas sanções à petroleira estatal PDVSA e congelou os ativos venezuelanos depositados em outros países, o que agravará a situação de miséria da população. Bolton já afirmou que um dos objetivos da intervenção é permitir que as petroleiras estadunidenses possam operar essa matéria-prima diretamente. Guiadó propõe como programa de governo o "Plan País", que congela salários, privatiza os recursos naturais, entrega a PDVSA às multinacionais petrolíferas norte-americanas (Chevron, Exxon-Mobil) e segue o pagamento da fraudulenta dívida externa. Em que mundo medidas como essas remover a população venezuelana da situação de catástrofe econômica em que vivem?

Repudiamos as provocações de Bolsonaro a serviço de Trump e sua intervenção imperialista na Venezuela. Contra o autoritarismo de Maduro, os Estados Unidos e a direita latino-americana não tem nada a oferecer aos trabalhadores e ao povo pobre da Venezuela.

A situação é gravíssima, e exige uma resposta contundente dos povos trabalhadores da América Latina. Se triunfa um golpe de Estado na Venezuela, conduzido pelos Estados Unidos, todos os trabalhadores e a população pobre da América Latina serão afetados imediatamente. Os governos da direita e da extrema direita, como Bolsonaro no Brasil, sentirão fortaleza para aplicar os mais duros ajustes neoliberais contra os trabalhadores, sob a tutela de Trump. Aqui no Brasil, Sérgio Moro e os tenentes-procuradores da Lava Jato se sentirão encorajados para aplicar mais mão dura e repressão, nos moldes do criminoso pacote de medidas de Moro, que entre outras aberrações evoca a racista legislação penal norte-americana para conceder licença para matar aos policiais e incentivar execuções sumárias. O Grupo de Lima, que reúne as direitas do subcontinente, está discutindo saídas reacionárias na Venezuela que influenciem a implementação de ataques em cada um dos países.

Se, por outro lado, os trabalhadores venezuelanos, junto a seus irmãos de classe em toda a América Latina, repelem a tentativa de golpe de Estado norte-americano na Venezuela, podem-se gerar novas forças para enfrentar os governos direitistas em todo o subcontinente. Trata-se de uma batalha anti-imperialista e internacionalista de primeira ordem para os povos latino-americanos.

Nesse sentido, chamamos as centrais sindicais brasileiras, em primeiro lugar a CUT e a CTB - dirigidas pelo PT e pelo PCdoB, que se dizem contrários à intervenção imperialista dos EUA - os partidos da esquerda como o PSOL, movimentos sociais como o MTST, para organizar um grande ato em repúdio à tentativa de um golpe de Estado na Venezuela.

Colocamos a proposta de um grande ato unificado à consideração das organizações sindicais, da esquerda e de todos os lutadores sociais que enxergam a importância de enfrentar o imperialismo e seus capachos na América Latina, como o reacionário governo Bolsonaro.

E mesmo nessa situação, deixamos públicas nossa posição crítica quanto à apreciação do chavismo. Sempre combatemos o governo de Hugo Chávez como expressão de um nacionalismo burguês que, aproveitando o ciclo de crescimento econômico dos anos 2000 e o alto preço das matérias primas, fez algumas concessões à população no marco da manutenção da propriedade privada capitalista e da sujeição da Venezuela ao papel de economia primária exportadora de petróleo, dependente do capital financeiro e pagadora religiosa da fraudulenta dívida externa. Maduro aprofundou a política chavista, num momento de crise econômica e queda dos preços do petróleo, que resultou em políticas de ataque aos trabalhadores e benefício das multinacionais, que junto à burguesia venezuelana (na qual tem forte peso as Forças Armadas) levaram o país a uma catástrofe econômica, abrindo caminho à ofensiva da direita golpista.

Não concordamos com o apoio político do PT e do PCdoB a Maduro (assim como criticamos a falta de delimitação do PSOL com este governo burguês). Ao contrário disso, defendemos uma política de independência de classe: repudiamos a tentativa de golpe na Venezuela, sem dar qualquer apoio político a Maduro. Os trabalhadores venezuelanos precisam de uma saída própria, independente tanto do imperialismo quanto de Maduro, uma luta cujo desenvolvimento seria um trunfo para os trabalhadores brasileiros em seu enfrentamento contra o capacho de Trump.

Na Argentina, a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT), encabeçada pelo PTS, realizará um grande ato nacional contra a tentativa de golpe de Estado na Venezuela, nesta quarta-feira 27 de fevereiro. Podemos organizar um forte ato no Brasil que nos irmane a estas iniciativa internacionalista de nossos irmãos de classe na Argentina.

Insistimos que é imperativo que os trabalhadores e explorados na América Latina se mobilizem contra esta tentativa de avanço imperialista na Venezuela, que só fortalecerá a direita regional e os ataques que levam adiante em seus países como Macri na Argentina, Bolsonaro no Brasil, Duque em Colômbia ou Piñera no Chile.

 
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