Qual o papel dos socialistas nos sindicatos?

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por Juan Cruz Ferre

Qualquer grupo ou organização que tenha como objetivo alcançar o socialismo precisa se fortalecer entre a classe trabalhadora. A questão é como fazer isso a serviço de uma estratégia socialista.**

Os sindicatos são, por sua natureza, organizações reformistas*. Seu objetivo explícito não é acabar com a exploração capitalista, mas conseguir melhores condições de trabalho, mais benefícios e aumento salarial. Ou seja, buscam possibilidades para vender a força de trabalho que sejam relativamente menos ruins. Mas os sindicatos também são a linha de frente na defesa dos trabalhadores contra o capital.

A maioria dos sindicatos dos Estados Unidos são controlados por uma camada de funcionários que estão mais interessados em preservar seus privilégios do que em avançar na conquista dos interesses dos trabalhadores. O grau de burocratização atingiu níveis extraordinários na organização do trabalho. E ainda que o índice de sindicalização esteja em uma margem historicamente baixa, ainda há 14,6 milhões de trabalhadores sindicalizados, que vêem essas organizações, apesar de suas falhas, como fontes de poder. Os sindicatos são as organizações às quais os trabalhadores recorrem quando precisam barrar ataques da chefia, defender seus direitos ou lutar por melhores salários. E é primariamente pela luta de classes que os trabalhadores passam a se engajar na política revolucionária e socialista. Se nós socialistas não participarmos nas organizações naturais da luta dos trabalhadores, vamos deixar passar a oportunidade de estar lado a lado com nossos colegas de trabalho em suas conversas e experiências mais importantes.

Portanto, o que precisamos conciliar é o caráter intrinsecamente reformista dos sindicatos com a necessidade de estarmos envolvidos nas lutas dos trabalhadores sendo parte de suas organizações. Então a pergunta que surge é: Como transformar os sindicatos em instrumentos da luta de classes? E o primeiro passo é combater a sua liderança burocratizada, as “burocracias sindicais”.

As burocracias sindicais

É importante primeiramente entender que as burocracias não são um mal necessário, nem parte inevitável do desenvolvimento dos sindicatos, como Offe e Wiesenthal discutiam há quase 40 anos.1 As burocracias sindicais são a personificação de uma camada social que é contratada para realizar tarefas específicas. Sim, pois qualquer organização que atinge tamanho significativo precisa de uma equipe administrativa permanente. O problema é quando esses administradores ganham mais e mais autonomia em relação à  base de trabalhadores cujos interesses eles deveriam representar e servir.

O fato de que em situações não revolucionárias os trabalhadores não estão em um estado de greve ou mobilização permanente significa que a luta de classes tem um caráter episódico. A maioria dos trabalhadores simplesmente cumpre a sua jornada de oito horas, tentando ganhar o suficiente para dar conta das necessidades de sua família e, com isso, o papel da direção do sindicato cresce nos períodos de calmaria. No entanto, quando a situação muda e requer ações decididas, essa mesma direção se torna um entrave para a ação.
O “oficialato” sindical, como apontam Robert Brenner e Kim Moody2 constitui uma camada distinta de pessoas cujas vidas são moldadas por suas atividades, que são diferentes daquelas exercidas pelos trabalhadores organizados no sindicato. Eles muitas vezes recebem salários maiores do que os trabalhadores que representam e são pagos pelo próprio sindicato. Isso gera uma série de tensões e contradições.

A primeira é que a maneira como esses oficiais vivem, seus hobbies, e até seu jeito de falar, pode ser muito diferente do que é sua base. Oficiais do alto escalão e organizadores sindicais experientes chegam a ter rendimentos anuais na casa das centenas de milhares e suas vidas acabam sendo totalmente distantes da realidade de um trabalhador comum, tanto no padrão de consumo e conforto quanto nos interesses materiais.

A segunda é que, mesmo quando seus salários não diferem do de sua base, eles não estão sujeitos à disciplina do trabalho capitalista, incluindo os desmandos da chefia que todo trabalhador tem que aguentar. Além disso, os salários e benefícios de um funcionário sindical não dependem de negociações com os patrões. Como consequência, eles não são diretamente afetados pelos resultados dos processos das campanhas salariais. Dessa forma, como muitos já apontaram – por exemplo, Rosa Luxemburgo, Sidney e Beatrice Webb, Richard Hyman, C. Wright Mills – os funcionários dos sindicatos acabam engessando a vontade dos trabalhadores com formalidades, preferem entregar pautas para chegar a um acordo com a chefia sem a necessidade de greves massivas e, sobretudo, encarnam um compromisso com a ordem social e política vigente. Nos EUA, isso se traduz em apoio incondicional ao partido democrata. Um exemplo claro disso foi dado pela liderança sindical dos transportadores de carga, que declarou estar “ratificado” um acordo com a empresa privada de correios UPS que havia sido rejeitado pela base por uma margem de 54% contra 46% favoráveis.3 Como a greve dos professores no estado da Virgínia Ocidental mostrou, os socialistas podem ter papel protagonista em acender a chama de uma rebelião das bases que supere as lideranças burocráticas e leve a uma ação coletiva concreta.4

Mas as divisões dentro dos sindicatos não são tão claras. Como os estudiosos britânicos Ralph Darlington e Martin Upchurch apontam, a dicotomia entre a burocracia e as bases é uma relação dinâmica e complexa.5 Por exemplo, o baixo escalão dos funcionários sindicais nos Estados Unidos é em boa parte composto de jovens ativistas com diplomas universitários com posições políticas à esquerda da média de seus sindicalizados em temas da grande política, como os movimentos sociais (Black Lives Matter, #MeToo), apesar de não se diferenciarem muito nas questões organizativas nos locais de trabalho.

Por outro lado, alguns representantes da base na direção sindical (funcionários “leigos” do sindicato, eleitos por seus colegas, e que continuam em suas funções junto a eles) podem se tornar “apaziguadores do descontentamento”, em vez de encorajar a ação coletiva e a organização do local de trabalho, especialmente nos períodos de “refluxo” no ativismo da base. Mesmo assim, esses representantes eleitos são muito mais sensíveis à pressão das bases do que os funcionários sindicais de tempo integral e, assim, qualquer estratégia para dar poder aos trabalhadores precisa se basear, em primeiro lugar, no fortalecimento desses delegados de cada local de trabalho.

A questão fundamental é que os interesses materiais dos funcionários sindicais, em seu papel como intermediários entre o trabalho e o capital, pode muitas vezes estar em oposição aos das bases. Sua função e posição social os leva a tomarem para si posições políticas reformistas ou gradualistas. Nos melhores casos, se identificam com a social democracia. Mais frequentemente, no entanto, se rendem à vontade do partido democrata, amarrando o sindicato a uma máquina política que é controlada pelo capital do começo ao fim. Por tudo isso, Leon Trótski e outros revolucionários descreveram as burocracias sindicais como agentes da burguesia no movimento de trabalhadores.

Um socialista no sindicato

Isso tudo significa que se você for socialista e quiser avançar sua posição dentro do movimento operário, o melhor caminho é estar na base sindical. Um funcionário do baixo escalão, por mais radical que seja, terá de seguir as regras ditadas pelos seus superiores. De mãos atadas, seria muito difícil conseguir realizar qualquer trabalho político profundo.

E se esse mesmo funcionário estiver nos postos mais altos da hierarquia, ele pode até ser chamado a participar de reuniões onde decisões são tomadas, mas apenas se seguir as regras da burocracia. Por exemplo, em 2018, tal posição obrigaria a ter de apoiar ativamente a reeleição do governador de Nova York, Andrew Cuomo. Em suma, nosso hipotético funcionário de esquerda acabaria legitimando uma liderança que está mais preocupada em manter o status quo do que em fortalecer a base por meio de ação coletiva e organização democrática.
A oposição à direção sindical pode tomar distintas formas, desde levar adiante demandas radicais nas reuniões e assembleias, denunciar a burocracia quando faz acordos que são ruins para os trabalhadores, até abertamente fazer uma chapa de oposição para disputar as eleições sindicais. E, às vezes, a oposição se dá de forma totalmente aberta e militante, organizando de forma independente as ações nos locais de trabalho ou preparando greves.

Nesse ponto, é necessário deixar algo claro. Formar chapas conjuntas com a burocracia não é um caminho viável para levar adiante a política de esquerda nos sindicatos. Com o suposto objetivo de “transformar” a direção, ou empurrá-la para a esquerda, participar da mesma chapa com os burocratas só serve para borrar as linhas entre eles e os trabalhadores ativistas que buscam transformar o sindicato em uma organização militante dirigida pela base.

Essa questão é discutida em detalhes no panfleto “A estratégia de base”, de Kim Moody. Na década de 1940, o Partido Comunista dos EUA tentou se “infiltrar” na direção nacional do movimento sindical. Os dirigentes do PC Lee Pressman e Len de Caux se tornaram, respectivamente, o principal advogado e o diretor de publicidade do Congresso de Organizações Industriais (CIO, na sigla em inglês). Com isso, a direção sindical –  nas figuras de John L. Lewis, Sidney Hillman e Phillip Murray – se beneficiou da influência dos comunistas sobre os setores mais radicais do movimento operário. Os líderes do Partido Comunista serviram para legitimar a direção do CIO, e protegê-la pela esquerda.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o PC americano apoiou completamente o acordo antigreves do CIO, e se recusou a levar adiante a Marcha para Washington proposta pelo ativista do movimento negro Philip Randolph, além de deixar de dar o combate pelo fim da segregação racial nos espaços sindicais. Por fim, quando a onda de ativismo nas bases passou, os comunistas foram expulsos do CIO, da mesma maneira que antes, com a cumplicidade do PC, haviam sido expulsos os trotskistas.

Outra variante dessa “infiltração” é concorrer às eleições com uma plataforma moderada quando não há ativismo real nas bases. Isso inevitavelmente leva a direção a adaptar sua política para agradar os filiados mais conservadores. Essa estratégia, com diversas variações, é levada adiante pela maior parte da esquerda atual, incluindo membros do DSA (organização de Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez).

O caminho mais comum é disputar posições dentro de uma direção dominada pela burocracia. Isso é um erro. Não importa o quão de esquerda um ativista sindical seja, ao ser cooptado pela direção, ele se torna indistinguível da burocracia. A maneira mais clara de apresentar uma alternativa à direção burocrática é conformando uma chapa independente. A delimitação precisa ser precisa.

Para superar as limitações da base

A necessidade de organizações intermediárias ou transicionais deveria ser evidente para qualquer socialista que participa do trabalho político nos sindicatos. Se você se aliar somente a quem concorda 100% com sua política, vai ficar isolado e será impossível participar de ações coletivas, conquistar vitórias e, durante o processo de lutas, conquistar mais pessoas para as ideias socialistas. Por outro lado, se um grupo é muito amplo politicamente, pode se tornar uma coleção de ativistas sem coesão, cujo único objetivo em comum é a derrubada da direção sindical atual.

Para entender esse processo, é interessante observar a experiência do Movimento de Educadores de Base (More, na sigla em inglês), dentro da Federação Unificada de Professores (UFT, no original em inglês) de Nova York. O More foi criado em 2012 por ativistas sindicais de esquerda que, na tentativa de de se opor à direção profundamente burocrática do UFT, se uniu com um setor amplo de progressistas para formar uma organização de base ampla. A plataforma do More contém uma série de pontos programáticos corretos, porém, pouco desenvolvidos, além da busca por democracia dentro do sindicato. Posições políticas e perspectivas que vão além da sala de aula ficaram de fora da plataforma e da declaração de objetivos do More. 6 Não surpreende, portanto, que após poucos anos de sua criação, quando um policial assassinou Eric Garner, o More tenha tido uma crise interna quanto a apoiar ou não o movimento Black Lives Matter e qual posição deviam adotar em relação à polícia. As fissuras que começaram a surgir em 2014 refletiam divergências políticas profundas dentro do grupo. Essas diferenças impediram que o More encampasse campanhas mais audazes durante anos, até que, em 2018, os elementos mais conservadores do grupo foram derrotados e decidiram deixar a organização.

Outro exemplo é a direção atual do sindicato de professores e funcionários (no original, Professional Staff Congress, ou PSC) da Universidade da Cidade de Nova York (CUNY). O que começou como um grupo de oposição que buscava democratizar o sindicato no fim dos anos de 1990 se tornou a atual direção desde 2000. Nesse período, apesar de terem se posicionado publicamente de forma progressista em diversas questões – a favor do direito de imigrantes e contra a opressão de gênero, por exemplo – a direção, repetidamente, esteve aquém do nível de militância necessário para barrar os ataques. Foi sob sua direção que se aprofundou o sistema de divisão entre professores de tempo integral e temporários, criando dois níveis dentro da mesma categoria. Atualmente, a luta contra essa divisão escancara um racha entre essa direção e a base. Enquanto muitas assembleias locais aprovaram resoluções diretamente convocando greve caso a universidade não atenda as demandas salariais, a direção sufoca os setores mais radicais e evita de qualquer forma a discussão sobre greve.

Sindicalismo para a luta de classes

A lição a ser tomada é que não basta um sindicalismo de base politicamente amplo. Para que um grupo seja uma “escola de guerra” para os socialistas, é necessário ir além da vontade de democratizar o sindicato. É preciso ter uma série de princípios que atraiam os ativistas sindicais mais combativos e sirvam como um ponto de apoio para a política socialista.

Em primeiro lugar, os socialistas no movimento operário precisam levar adiante – e não evitar – a luta de classes, e organizar as bases para enfrentar a chefia de maneira independente da direção sindical, inclusive se enfrentando com ela em muitos momentos. Os chefes são nossos inimigos de classe. Mas nenhum sindicato consegue estar em guerra permanente contra eles. O cansaço e o desgaste cobram um preço no ativismo depois de conflitos prolongados. Mas a compreensão de que os capitalistas são inimigos da classe trabalhadora tem de ser fundamental em qualquer chapa de esquerda. Contratos temporários e cláusulas antigreve devem ser evitadas e qualquer tentativa de colaboração entre o trabalho e o capital deve ser repudiada com firmeza. Como a Primavera de Professores nos ensinou em 2018, as greves são a melhor ferramenta para os trabalhadores atingirem a vitória.

Segundo, a organização precisa defender uma política com independência de classe. Tomando emprestada a frase de Mike Davis, o “casamento infrutífero” com o Partido Democrata se mostrou repetidamente prejudicial para os trabalhadores. 7 A instrumentalização dos recursos militantes e financeiros dos sindicatos para eleger (ou reeleger) candidatos democratas só serviu para enfraquecer os trabalhadores. Uma organização voltada para a luta de classes não deve apoiar nenhum candidato democrata ou republicano.

Terceiro, é necessário se combater todo o tipo de opressão. Nenhuma expressão de racismo, machismo ou LGBTfobia pode ser tolerada nas fileiras do sindicato, nos locais de trabalho ou na sociedade. Se uma organização renovadora for incapaz de mobilizar sua base para combater a violência policial racista ou acabar com o machismo no sindicato ou no trabalho, não vai conseguir organizar os setores mais oprimidos dos trabalhadores.

Quarto, os sindicatos devem ter total autonomia em relação ao Estado. Isso significa nenhuma colaboração com a polícia, os agentes de imigração ou qualquer agente de segurança, além de evitar usar o judiciário para resolver disputas internas. O Estado não é neutro, e não deve ter espaço nas organizações dos trabalhadores.

Uma observação especial deve ser feita a respeito da obrigatoriedade de filiação ou de contribuição. Qualquer tipo de lei que contenha um “acordo para segurança sindical” segundo o qual aqueles que não são filiados ao sindicato também são obrigados a contribuir financeiramente com a entidade só favorece a burocracia sindical isolada da base. Baseados em um grande número de exemplos, Jarrod Shanahan e Andy Battle mostraram que “A segurança sindical fortaleceu líderes sindicais ‘responsáveis e cooperativos’ e reduziu a sua necessidade de prestar contas à base.“8 Isso não significa, no entanto que devemos defender ou mesmo ficar em cima do muro em relação a tentativas de aprovação de leis que proíbem ou deslegitimam os sindicatos. Essas leis são um ataque direto por parte dos chefes e do Estado, e devemos lutar contra elas com unhas e dentes.

Quinto, o internacionalismo dos trabalhadores. Isso significa reconhecer e se opor ao imperialismo dos EUA e suas muitas guerras no exterior, além de praticar solidariedade aos trabalhadores de outros países.

Tribunos do povo, construindo bastiões e fortalecendo os quadros revolucionários

Os elementos citados acima não são necessariamente pontos de programa para fazer agitação. São princípios que os ativistas sindicais de esquerda devem levar adiante na tarefa de consolidar a força dos trabalhadores e difundir a política socialista entre a base de trabalhadores. Alguém poderia dizer que com princípios tão à esquerda, nenhum grupo será capaz de ganhar qualquer eleição sindical na situação atual. E isso pode mesmo ser verdade na maioria dos casos. No entanto, nós já vimos os problemas que surgem ao tentar ocupar uma posição de direção que não corresponde à real influência dos socialistas na base de trabalhadores. Mesmo que nosso objetivo seja vencer as eleições e dirigir o sindicato, não devemos esconder nossa política para agradar uma base conservadora, que pode, por exemplo, se colocar contra as medidas de combate ao racismo nos locais de trabalho. A maior probabilidade é que seja necessária uma explosão no ativismo, envolvendo a base diretamente na luta de classes para que uma plataforma revolucionária conquiste a maioria de um sindicato.

A luta contra todo o tipo de opressão, junto com a ação militante nas demandas econômicas, é o que pode dar uma abertura ao ativista socialista para discutir com seus colegas questões que vão além do economicismo (ou reformismo) e colocar em xeque o complexo sistema de exploração e opressão que sustenta o capitalismo. Ao lutar por demandas da classe trabalhadora que vão além do âmbito puramente sindical – por exemplo, questões sobre moradia, direitos das mulheres ou acessibilidade e benefícios para pessoas com deficiência (a maioria das quais são vítimas de condições de trabalho inseguras e insalubres) – o militante socialista transcende o mero sindicalismo e se torna um tribuno do povo, ou seja, um porta-voz dos miseráveis do mundo.

E esse é um processo dialético. São necessários quadros socialistas conscientes para sustentar as tentativas de construção de um grupo de oposição radical que pode transformar o sindicato em uma ferramenta de luta militante e fortalecer a base de trabalhadores. Ao mesmo tempo é a experiência da luta militante que aproxima camadas mais amplas de trabalhadores das ideias socialistas e revolucionárias.
Ainda que o socialismo esteja hoje renascendo nos Estados Unidos, os socialistas revolucionários nos sindicatos são poucos. Mas o poder dos trabalhadores pode crescer de maneira exponencial. Sempre que possível, os socialistas devem encontrar os locais de trabalho que são os melhores alvos, concentrar suas forças e tentar transformar seu sindicato em uma trincheira da militância dos trabalhadores, que pode atrairos elementos mais radicais do movimento operário. Ações exemplares como a greve contra a brutalidade policial pelo sindicato de estivadores  ILWU local 10 no porto de São Francisco em 2015 ou a ocupação da fábrica da PepsiCo em Buenos Aires em 2017 são um grande passo. Uma minoria relativamente pequena de sindicalistas militantes pode transformar um local de trabalho ou espaço sindical em um bastião da esquerda.

É no calor da batalha contra os chefes, a polícia e o Estado que os trabalhadores percebem sua força, estreitam seus laços e muitas vezes se tornam mais radicais pela luta. Intervindo nessas ações, organizando os colegas de trabalho e resistindo à retaliação, os membros de uma organização política de esquerda se tornam parte de um movimento combativo de trabalhadores, põem à prova sua capacidade de liderança e aos poucos se tornam quadros testados na luta de classes.

E, como sugere Bertold Brecht, “esses são os imprescindíveis”

O autor agradece a Charlie Post, Robert Belano e James Hoff por suas sugestões para melhorar as versões iniciais deste artigo.


Notas



  1. Claus Offe and Helmut Wiesenthal, “Two Logics of Collective Action: Theoretical Notes on Social Class and Organizational Form,” Political Power and Social Theory 1 (1980), 67-115.

    2. See: Robert Brenner, “The Problem of Reformism,” Left Voice, August 20, 2018;  and Kim Moody, The Rank and File Strategy: Building a Socialist Movement in the U.S., (Solidarity Publications, 2000).

    3. Alexandra Bradbury, “Updated: Teamster Brass Overrule Member ‘No’ Vote at UPS,” Labor Notes, October 18, 2018.

    4. Eric Blanc, “West Virginia’s Militant Minority,” Jacobin, March 3, 2018.

    5. Ralph Darlington and Martin Upchurch, “A Reappraisal of the Rank-and-File Versus Bureaucracy Debate,” Capital & Class 36, no. 1 (February 2012), 77-95.

    6. MORE’s platform and mission statement can be found at www.morecaucusnyc.org.

    7. Mike Davis, “The Barren Marriage of American Labour and the Democratic Party,” New Left Review I, no. 124 (November-December 1980).

    8. Jarrod Shanahan and Andy Battle, “The Velvet Glove and the Iron Fist,” Jacobin, July 26, 2018.

 

* Tradução de Heitor Carneiro a partir do original constante em: https://www.leftvoice.org/what-is-the-role-of-socialists-in-the-unions

 

** O artigo a seguir apresenta dados informações sobre os sindicatos nos Estados Unidos, mas as lições tiradas servem para os socialistas revolucionários em qualquer país, inclusive os brasileiros. (N. do T.)

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