Política

CRISE DO OXIGÊNIO

Zema esconde o colapso em cidades do norte de MG, com falta de oxigênio como em Manaus

Não há "boa gestão" da pandemia em MG. Coramandel precisou transferir pacientes. Monte Carmelo, além disso, teve o próprio prefeito apelando à população em uma live por empréstimos de cilindros de oxigênio.

Maria Eliza

Estudante de Biologia da UFMG

quarta-feira 17 de fevereiro| Edição do dia

Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

Quando MG passa pelo pior momento da pandemia, o sistema de saúde de cidades do norte - a região mais pobre do estado, que tem 92% dos leitos de UTI ocupados - enfrenta grave crise pela falta de cilindros de oxigênio.

Com o estado chegando a ter uma morte por Covid a cada onze minutos, as cidades de Coramandel e Monte Carmelo precisam transferir pacientes, e a segunda ainda registra um consumo dez vezes maior de cilindros de oxigênio, insumo necessário para salvar vidas em casos mais graves da doença.

As transferências se deram para cidades vizinhas e até para a capital. Uma das cidades que recebeu pacientes, Uberlândia, está dentre as mais afetadas pela pandemia, e recebeu recentemente pacientes de Manaus, nos quais a fundação Ezequiel Dias identificou a cepa P1 do novo coronavírus, preocupante por ser mais contagiosa.

Monte Carmelo notificou a Secretaria de Saúde estadual sobre a crise e seu prefeito, Paulo Rocha (PSD), pediu publicamente à população doações de cilindros, para que a fornecedora da cidade pudesse enchê-los de oxigênio. O apelo rendeu doações, sendo 15 delas de moradores e o restante de empresários, nenhum por parte do próprio poder público, seja da cidade, estado ou federação. O que o governo de Romeu Zema fez foi enviar médicos e militares especializados em saúde para Uberlândia e Coramandel.

Diferente da propaganda que fazem Zema e inclusive prefeitos de partidos do centrão centrão como Alexandre Kalil, de Belo Horizonte, e seu companheiro de PSD Paulo Rocha, não há em Minas Gerais uma boa gestão da pandemia. Corresponsáveis, junto ao governo Bolsonaro e Mourão, pelas mortes, desemprego e miséria aumentados nos últimos meses, esses demagogos discutem inclusive retomar as aulas presencialmente, sem contar com a opinião da comunidade escolar.

A vacinação anda a passos lentos em todo o estado, enquanto novas cepas se formam e se disseminam. O acordo firmado com a Vale pelo crime cometido em Brumadinho não prevê nenhuma melhoria na situação do sistema de saúde e sequer beneficia os diretamente atingidos.

Os trabalhadores da saúde e de outros setores são capazes de responder à crise, o que só pode se dar rompendo com o respeito aos lucros capitalistas de empresários como Zema e Kalil, e sobretudo com os tubarões da saúde privada, que lucram com a falta de insumos básicos. Todo o necessário para o combate à pandemia, desde testes até seringas e cilindros de oxigênio deveria ser confiscado pelo estado para uso do SUS.

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