Juventude

ELEIÇÕES DCE-UFMG

Voto na Chapa 2 - Nada a Temer pro DCE-UFMG, contra o governo golpista e os cortes

Após os estudantes passarem um mês sem DCE na UFMG, em meio ao processo de mobilização que havia contra o golpe, com 3 chapas inscritas chamamos voto crítico na Chapa 2 - Nada a Temer, contra o governo golpista de Michel Temer e seus cortes de verbas e ataques.

quarta-feira 1º de junho de 2016| Edição do dia

O processo eleitoral para o DCE da UFMG ocorreu todo durante o mês em que se consolidou o golpe no Congresso com o impeachment de Dilma e, além das questões diretamente ligadas à universidade, acreditamos que as chapas inscritas devem se posicionar claramente a respeito da conjuntura nacional e frante aos desafios que se colocam para uma transformação estrutural radicalmente democrática no ensino superior brasileiro - historicamente elitista, machista e racista - no sentido de colocar a universidade a serviço dos trabalhadores e de todo o povo.
 
Na UFMG, assim como em diversas universidades federais e estaduais, já estávamos passando por um processo de cortes iniciado pelos ajustes do governo PT. Como sempre denunciamos, esses cortes são muito bem direcionados, sendo que os primeiros a sentirem esses ataques são os trabalhadores mais precários, como os terceirizados que foram demitidos, e os estudantes pobres e, principalmente, negros, que sentem a falta de bolsas e a maior dificuldade no acesso às políticas de permanência estudantil.
 
O governo golpista de Temer assume já aprofundando esses ataques, apontando para propostas de privatização da educação pública. Seu novo ministro da Educação é declaradamente contra as cotas nas universidades e a favor da cobrança de mensalidades nas pós-graduações profissionalizantes. Não bastasse, o ministro possui agora como conselheiro para políticas educacionais Alexandre Frota, um estuprador e racista assumido e orgulhoso.
 
O Movimento Estudantil, historicamente cumpriu papeis importantes de luta não apenas dentro da universidade, mas pela transformação radical da sociedade, como foi durante a Ditadura Militar. Com esse atual cenário que vivemos, vemos como fundamental que o Movimento Estudantil se organize novamente para dar respostas à altura desses ataques, assim como vem fazendo os secundaristas que ocupam escolas, e os estudantes da USP, UNESP e UNICAMP que estão em greve contra os cortes e ataques de Alckmin, em alguns locais unificados com greve de funcionários e professores. Para que essa organização estudantil se dê de maneira coerente e radical, o nosso DCE deve se colocar abertamente e jogar suas forças para organizar os estudantes contra esse governo golpista, seus ataques e ajustes, mas sem nenhuma defesa do PT que já vinha aplicando ajustes.
 
A Chapa 1 – Alvorada, composta pela Juventude do PT, Levante Popular da Juventude e independentes defende que o impeachment foi um golpe e se coloca a tarefa de lutar contra. Porém, sua luta contra o governo golpista é atrelada a uma defesa do PT, dado que a chapa é composta pela juventude desse partido e setores que não lutaram contra os cortes quando esses vinham diretamente das mãos do governo Dilma. É totalmente atrelada também à reitoria, sem nenhum questionamento à mesma nem à estrutura da universidade, buscando apenas fortalecer os pequenos espaços dentro da burocracia acadêmica cedidos pela reitoria aos estudantes. Não podemos voltar a ter um DCE que não mobiliza os estudantes, mas faz acordos com a reitoria pelas costas dos estudantes, sem nenhum questionamento à sua estrutura hierárquica e antidemocrática, que mantem machismo, racismo e LGBTfobia institucional através da terceirização. São os setores ligados à CUT e UNE que conformam a chapa, entidades que não buscaram radicalizar a luta dos trabalhadores e estudantes contra o golpe e agora o governo golpista, priorizando manter a subordinação das direções ao PT e PCdoB e esperando que não a luta dos trabalhadores e estudantes, mas que os acordões com a direita é que pudessem barrar o golpe.
 
A Chapa 3 – Não Vou Me Adaptar é parte da gestão anterior e também a grande surpresa das eleições. Formada pelo PSTU, CST/PSOL e setores que compunham a chapa da direita “Pra frente é que se anda” nas últimas eleições – chapa que possuía militantes do PSDB no ano anterior. No debate entre as chapas, foi a única que não iniciou o debate com uma análise de conjuntura, focando apenas nas questões da universidade, respondendo sobre o cenário nacional apenas quando diretamente questionada. CST/PSOL e PSTU fizeram coro com o golpe da direita agitando o “Fora Todos” durante meses e comemoraram a queda de Dilma, enquanto paralisavam o DCE como ferramenta de luta das centenas de estudantes que se mobilizavam contra o golpe. Agora se posicionam de forma equidistante de Dilma e de Temer, uma posição “nem um nem outro”, quando não existe mais o governo Dilma e a direita aprofunda os ataques aos nossos direitos pela via do governo golpista de Temer. Para completar a lista de absurdos, a chapa defende o fortalecimento das Empresas Juniores, ou seja, o investimento privado na universidade pública, para produção de tecnologia voltada a interesses privadas, dando um passo à frente na privatização da universidade, tal como governo golpista quer.
 
Frente a esse cenário eleitoral, chamamos voto crítico na Chapa 2 – Nada a Temer, que também é parte da gestão anterior, e a qual queremos ajudar na campanha e atuar conjuntamente nas unidades que forem possíveis. Essa chapa é formada pelo PCR, PCB e independentes, e hoje possui o posicionamento na conjuntura mais coerente, declarando fortemente ser contra o governo golpista, contra todos os cortes, sem que isso signifique nenhuma defesa do governo PT, que já vinha aplicando ajustes. Porém, também chamamos os companheiros à romper a subordinação à direção da UNE e CUT e a radicalizar a luta contra o governo golpista.
 
Apesar do correto posicionamento com relação à política nacional, achamos que os companheiros ainda possuem confiança na reitoria, pois partem corretamente de que a estrutura de poder da universidade é medieval, mas não a questionam até o fim, tendo como proposta a paridade em todos os órgãos. Achamos que a paridade não é ainda suficiente e que o DCE deve estar na linha de frente da luta para questionar essa estrutura e exigir que cada membro da comunidade acadêmica (estudantes, funcionários e professores) tenham o mesmo peso, com cada um representando um voto, tal como é nossa democracia, que mesmo assim vem mostrando sua fragilidade.
 
As eleições ocorrem hoje e amanhã (1 e 2 de junho) com as urnas espalhadas por todos os prédios. Contra o governo golpista e os cortes e ajustes, por um DCE combativo, que organize os estudantes à altura das lutas que precisam ser travadas! Voto na Chapa 2 – Nada a Temer.




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