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Você e eu, nós dois estamos prisioneiros, carcereiro [Horácio Guarany]

Gilson Dantas

Brasília

domingo 23 de dezembro de 2018| Edição do dia

Arrematando a nota anterior sobre algumas das mais conhecidas músicas do cantor e compositor argentino Horácio Guarany,dos tempos dos anos de chumbo no Brasil e Argentina, temos abaixo uma de suas composições [de inícios dos anos 1970] que estava entre as mais conhecidas de nossa geração estudantil, lado a lado com os versos de Geraldo Vandré e tantos outros, neste caso, de produção nacional.

A música de H. Guarany chama-se Estamos prisioneiros carcereiro ou Coplera del prisioneiro [Rimas do prisioneiro].

Atentem para o alcance dos versos “que lindo será o mundo do filho do carcereiro”; ou então, “dizem que, um dia, o filho do carcereiro ganhou uma pomba de presente e que, imediatamente a soltou só para ver seu vôo” [livre]; ou: para o prisioneiro "nada soa igual ao rio que corre lá fora".

O mesmo autor/cantor de Si se calla el cantor, que ali nos demonstra, poeticamente e revolucionariamente, a unidade entre a vida e a música, a música e a vida, aqui vai sonhar mais alto, projetar o mundo do filho [ou do descendente] do carcereiro, mundo que o poeta sonha como um mundo finalmente livre ... de carcereiros da alma, de torturadores de ideias e sonhos.

Aprecie a música [confira um resumo biográfico de Horácio Guarany na nota anterior, no Esquerda Diário sobre a outra música]. Aprecie a letra.

[Você pode ouvir outras músicas do mesmo Horácio Guarany mais ao final]

A canção, ao vivo, Estamos prisioneiros carcereiro:

Um clamor à vida e ao combate [Cuando ya nadie te escuche]:

A letra:

Estamos prisioneros carcelero
[Coplera del prisioneiro]

Estamos prisioneros carcelero
Estamos prisioneros carcelero
Yo de estos torpes barrotes tu del miedo
Yo de estos torpes barrotes tu del miedo

Adonde vas que no vienes
Conmigo a empujar la puerta
Adonde vas que no vienes
Conmigo a empujar la puerta

No hay campanario que suene
Como el rio de allá afuera
Como el rio de allá afuera

Como el que se prende fuego
Andan los presos del miedo
Como el que se prende fuego
Andan los presos del miedo

De nada vale que corran
Si el incendio va con ellos
Si el incendio va con ellos

No se, no recuerdo bien
Que quería el carcelero
Creo que una copla mía
Para aguantarse el silencio
Para aguantarse el silencio

No hay quien le compre la suerte
Al dueño de los candados
No hay quien le compre la suerte
Al dueño de los candados

Murió con un ojo abierto
Y nadie pudo cerrarlo
Y nadie pudo cerrarlo

Le regalé una paloma
Al hijo del carcelero
Cuentan que la dejó ir
Tan solo por ver el vuelo

Que hermoso va a ser el mundo
Del hijo del carcelero
Del hijo del carcelero

Es cierto muchos callaron
Cuando yo fui detenido
Vaya con la diferencia
Yo preso e yo sometido
Yo preso e yo sometido

Estamos prisioneros carcelero
Estamos prisioneros carcelero
Yo de estos torpes barrotes tu del miedo

Outra música, belíssima, para os que apreciam música romântica, de H. Guarany:




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