RETORNO INSEGURO

Vereadores de Campinas votam educação como "essencial" e impõem retorno no pico de mortes

A Câmara de Vereadores de Campinas, conhecida por ser absurdamente reacionária, votou hoje para que a educação seja serviço essencial na cidade, com isso, independente do nível de agravamento da pandemia, que se encontra hoje no pico, as aulas podem retornar. Um projeto que acompanha os ataques à educação a nível federal e estadual que também vieram impondo o retorno escolar inseguro.

terça-feira 20 de abril| Edição do dia

O projeto votado na Câmara, nesta terça, 20, foi o de Marcelo Silva, vereador do PSD, um dos que compõem a bancada da ultra direita na cidade, que se liga à Tenente Santini, bolsonarista reconhecido e ex-vereador. Silva colocou o Projeto de Lei Nº 263/20 para ser votado em caráter de urgência.

O projeto é parte de um pacote de ataques à educação e a todos os trabalhadores das escolas. O mesmo projeto do caráter essencial da educação está agora em trâmite e foi colocado em urgência também na Câmara dos Deputados no Congresso Nacional, e passou por decreto de Doria no âmbito estadual.

Com isso, independente do nível da pandemia, mesmo que esteja em situação gravíssima como é o que ocorre no país de Bolsonaro e do regime golpista, as escolas podem retornar às aulas e assim colocar em risco professores, trabalhadores da educação e toda comunidade escolar. Com o retorno escolar do início do ano, Campinas foi um exemplo de que as escolas são completamente inseguras, levando a surtos de Covid, morte de professoras e até mesmo de uma aluna de 13 anos de idade.

Mesmo assim, vereadores da extrema direita e da direita, inclusive base do governo Dario que se diz “racional” na condução da pandemia contra o negacionismo, aprovaram o projeto sob o discurso da preocupação com a vida escolar dos alunos. Mas a verdade é que além de impor o retorno inseguro, eles querem atacar o direito à greve e abrir espaço para impor ainda mais medidas aos professores, já que a "essencialidade" da educação passa a permitir medidas de exceção. É repugnante toda essa demagogia com a escola pública que nunca foi “essencial” e sempre foi alvo de muitos ataques. Agora, usam do debate do caráter essencial da escola para atender os interesses de lucros dos empresários da educação.

Segundo o plano da cidade, anunciado por Dario e pelo secretário de educação José Tadeu Jorge, as escolas estaduais já retornaram em 19 de abril e as escolas municipais voltarão dia 26 e no dia 03 de maio também retornará a educação infantil, seguindo o limite de 35% de ocupação.

É um projeto que em nome dos lucros empresariais colocam totalmente em risco os professores e a comunidade escolar, mesmo com a aplicação da vacina, que apesar de agora ser destinada as profissionais da educação, com o limite de 47 anos, deixa mais de 60% dos trabalhadores de fora. Por isso, é fundamental que os sindicatos da educação convoquem os professores a se mobilizarem para enfrentar a imposição do retorno escolar e lutar pela quebra das patentes para garantir vacina a toda população.

Como disse a professora da rede pública estadual, Flávia Telles: “Com projeto do reacionário Marcelo Silva do PSD, a Câmara de Campinas aprovou que as aulas voltem presencialmente independente da gravidade da pandemia. Um enorme ataque aos trabalhadores da educação e a toda comunidade escolar para atender os empresários da educação, inclusive com apoio da base do prefeito que se diz racional contra a pandemia. Os professores, junto a comunidade escolar e profissionais da saúde precisam organizar já comissões de higiene segurança nas escolas que possam decidir sobre como e quando retornar. Essa decisão não pode ser desses reacionários que não pisam no chão da escola!”




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