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CONLUTAS | Veja a intervenção do Movimento Nossa Classe na ultima reunião de Coordenação Nacional da CSP-Conlutas.

Nos dias 5,6 e 7/11 ocorreu a reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas. Expressamos nesse artigo uma síntese da intervenção do Movimento Nossa Classe sobre a conjuntura internacional, nacional e a orientação da CSP-Conlutas

sexta-feira 19 de novembro | Edição do dia

Em meio a um cenário de crise econômica, política e social, sustentadas pelo governo de Bolsonaro, Mourão e todas as instituições do regime político degradado em que vivemos, a reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas foi convocada com caráter ampliado e com os eixos “Contra a crise, por um programa independente em defesa da classe trabalhadora! Fortalecer um polo sindical e popular classista e de luta! Fora Bolsonaro e Mourão já!”.

O Movimento Nossa Classe, que constrói a CSP-Conlutas, participou com uma delegação da reunião da Coordenação Nacional apontando a necessidade de que a CSP-Conlutas batalhasse para unir e coordenar as lutas em curso exigindo das grandes centrais sindicais que rompam com sua política de desarticular qualquer mobilização, em nome de suas políticas eleitorais, e organizem um plano de lutas efetivo rumo a uma paralisação nacional que enfrente todas as reformas, ataques e privatizações promovidos por Bolsonaro e Mourão, pelos governadores, Congresso e STF. Apontou também a importância de que a CSP-Conlutas incorporasse em seu programa a defesa do aumento salarial mensal de acordo com a inflação e de empregos com direitos para todos.

Diante da crise política do país o MNC propôs que a CSP-Conlutas chamasse os trabalhadores a não depositar nenhuma confiança nas eleições de 2022, como quer o PT, nem tampouco na velha direita neoliberal ou nas instituições do regime, no Congresso e na sua CPI para derrotar Bolsonaro, mas sim na nossa mobilização independente pelo Fora Bolsonaro e Mourão. Isso se liga ao debate que viemos colocando na CSP-Conlutas e para os companheiros do PSTU, sobre os chamados que vieram fazendo à direita da chamada “terceira via”, como PSDB e MBL, que se apresenta como “oposição” eleitoral a Bolsonaro enquanto defende os mesmo programa de ajustes, a participar das manifestações e fazer uma “unidade de ação” contra Bolsonaro, e que consideramos equivocados, pois essa “unidade” deixa de fora do programa a luta contra os ataques mais sentidos pela nossa classe e pelos setores oprimidos, e portanto enfraquece a participação desses setores na luta e a unidade da nossa classe, ou seja, enfraquece, e não fortalece, a própria luta contra Bolsonaro.

No primeiro dia a reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas teve início com o “Painel de categorias em luta” em que participaram representantes de categorias que protagonizaram lutas no último período Na parte da tarde ocorreu o "Painel de lutadores e lutadoras dos territórios rurais e urbano" com a participação de militantes por territórios de comunidades originárias e tradicionais e das ocupações urbanas.

No sábado houve o Painel: Luta contra o Racismo e Luta contra o Machismo, coordenados pelos setoriais de Mulheres e de Negros em que os membros das mesas epxressaram como a combinação entre a opressão patriarcal e a exploração capitalista. Nas falas os integrantes da mesa também trataram de como a crise social tem rosto da população negra que são aqueles que mais sofrem com o aumento do desemprego, da fome e da miséria no país.

No ponto de conjuntura internacional Marcello Pablito, trabalhador da USP e integrante do Movimento Nossa Classe saudou a importância da organização dos imigrantes haitianos e apontou os limites impostos pela burocracia sindical ligada ao Partido Democrata para o desenvolvimento da onda de greves nos EUA. Chamou atenção também para a importância de que a esquerda brasileira se aproprie da batalha exemplar por um programa anticapitalista e de independência de classes que está sendo levada à frente na Argentina pela Frente de Esquerda e dos Trabalhadores .

Veja a fala de Marcello Pablito:

No ponto sobre a conjuntura nacional, o debate sobre qual política ter para enfrentar Bolsonaro foi um dos debates centrais nas diferentes intervenções. Nas falas se expressaram propostas apontando a necessidade de fortalecer a luta contra a PEC 32, que significará uma destruição dos direitos dos trabalhadores, mas também dos serviços públicos. Nas falas também apareceu a importância de que as entidades ligadas à CSP-Conlutas busquem construir o dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra nos seus estados. Para ver o conjunto das intervenções e a síntese apresentada pela CSP-Conlutas do debate nacional ver:

No ponto de conjuntura nacional, os delegados do Movimento Nossa Classe apontaram como mesmo em meio à uma conjuntura reacionária no país, vieram ocorrendo algumas lutas que mostram disposição de resistência por parte de diferentes setores da classe trabalhadora como são exemplos as greves dos operários da construção civil da MRV em Campinas, as paralisações dos petroleiros no Rio de Janeiro e Minas Gerais, a greve dos rodoviários de Porto Alegre contra a privatização da Carris, a mobilização dos metroviários de SP em defesa da sede de seu sindicato e contra a privatização e ataques de Doria e da empresa, a paralisação dos ferroviários de SP em defesa de seus direitos, a greve dos trabalhadores da Rede TV em SP e dos trabalhadores da Proguaru em Guarulhos, as lutas dos metalúrgicos de São José dos Campos-SP e Contagem-MG e do expressivo acampamento de indígenas em Brasília contra o ataque do marco temporal, a luta em curso dos garis do Rio de Janeiro, além da luta dos professores de São Paulo contra o Sampaprev entre outras. Apontaram como muitas dessas lutas vem ocorrendo de forma isolada por responsabilidade das grandes centrais sindicais que estão priorizando a agenda eleitoral para 2022, assim como quer o PT, em contraposição à organização e luta da classe trabalhadora. Um exemplo vergonhoso dessa mesma política foi que diante de toda essa crise no país as grandes centrais tenham desmarcado até mesmo a manifestação contra Bolsonaro convocada inicialmente para o dia 15 de novembro.

Graziele Rodrigues, professora municipal de São Paulo e integrante do Movimento Nossa Classe Educação apontou como a luta dos servidores municipais contra o Sampaprev2, (que é uma Reforma da Previdência municipal), é mais um exemplo das lutas que as grandes centrais sindicais deixam isoladas e como isso só reafirma a necessidade de que os setores que compõem a CSP-Conlutas tomem como uma prioridade central batalhar nas suas próprias categorias para coordenar e cercar de solidariedade cada uma das lutas em curso e, a partir daí nos dirijamos às grandes centrais sindicais exigindo que construam um plano de lutas construído a partir das assembleias de base. Sobre esse aspecto Graziele apontou que: “As inúmeras críticas às grandes centrais, feitas aqui hoje, precisamos debater nos lugares onde cada um de nós está e a partir daí transformar em exigências concretas que levantemos junto às outras grandes centrais, para que construam um plano de luta que seja aprovado nas assembleias de base das categorias mais mobilizadas, rumo a uma paralisação nacional que enfrente todas as reformas, ataques e privatizações promovidos por Bolsonaro e Mourão, pelos governadores, Congresso e STF.”

Veja a intervenção de Graziele Rodrigues:

Filipe Amorim, metroviário de São Paulo e integrante do Movimento Nossa Classe Metroviários partiu de localizar a situação dramática que a classe trabalhadora e o povo pobre vive no país, sofrendo com mais de 609 mil mortos e com os efeitos da crise capitalista que se manifesta em mais de 14 milhões de desempregados, milhões de trabalhadores passando fome e na fila do osso, comendo lixo ao mesmo tempo que o agronegócio tem recordes de lucro. Filipe destacou que essa situação é sustentada pelo governo de Bolsonaro e Mourão, mas também pelas outras instituições do regime político no nosso país como o Congresso Nacional, o STF, os governadores e prefeitos. Filipe apontou que é necessário um programa dos trabalhadores com independência para enfrentar a crise. Propomos que CSP-Conlutas levante como parte desse programa, a defesa do aumento salarial mensal de acordo com a inflação e de empregos com direitos para todos"

“É por tudo isso que nós do Movimento Nossa Classe apresentamos algumas propostas de resolução que são parte da batalha pela unidade de toda a classe trabalhadora com a juventude e os movimentos sociais e também por uma posição de independência de classes para enfrentar Bolsonaro, Mourão, todo o regime político e os ataques. Pra enfrentar toda a fragmentação das lutas e a política das burocracias a esquerda precisa atuar em comum em um verdadeiro polo que apresente uma política alternativa e por isso Consideramos correta a proposta de um Polo Socialista e Revolucionário e achamos que a unidade poderia ter um papel muito importante unindo forças nos processos da luta de classes.”

Veja a fala de Filipe Amorim:

No domingo, dia 08/11 ocorreu na parte da manhã a votação das resoluções. Nós do Movimento Nossa Classe havíamos apresentado algumas propostas, e sobre a maioria delas - referentes a ter como prioridade a batalha para coordenar e cercar de solidariedade cada luta em curso; denunciar o papel das grandes centrais sindicais desarticulando todas as mobilizações em nome de sua política eleitoral, e exigir delas a construção de uma plano de luta aprovado na base das categorias mais organizadas; e levantar como parte do programa contra a crise a defesa do aumento salarial mensal de acordo com a inflação e de empregos com direitos para todos - entramos em acordo com os companheiros do bloco majoritário, integrado pelo PSTU, resultando em uma proposta de resolução comum, que foi aprovada por maioria de votos.

“Unidade de ação” com a direita e a “teoria dos campos”: um debate com os companheiros do PSTU

Apresentamos também uma proposta, sobre a qual os companheiros do PSTU mantiveram divergência e que defendemos como complemento à resolução aprovada, propondo rever a política de chamados à direita a uma unidade contra Bolsonaro. Assim, Marcello Pablito, defendeu que seria fundamental que a reunião da Coordenação Nacional apontasse uma saída política dos próprios trabalhadores, baseada na independência de classe. Nesse sentido, partiu de criticar a política de “unidade de ação” com setores da direita - como PSDB e MBL, que os companheiros do PSTU vieram defendendo e chamando, e que se expressou nos últimos atos pelo Fora Bolsonaro -, apontando que a direita é parte dos que vêm atacando a classe trabalhadora e, portanto, não são aliados na luta contra Bolsonaro e Mourão. Apontou que, ao contrário, participam das mobilizações para separar a indignação contra Bolsonaro do rechaço aos ataques, reformas e ajustes que eles estão ajudando o governo a aprovar. Que isso só serve para impedir a unidade na luta com os setores da nossa classe e do povo pobre e oprimido que mais sofrem com esses ataques, e portanto não fortalece, e sim enfraquece nossa luta. E que portanto, a CSP-Conlutas deveria chamar os trabalhadores a não depositar nenhuma confiança nas eleições de 2022 como saída política alimentada pelo PT na direção das maiores centrais sindicais e movimentos sociais. E que para derrotar Bolsonaro os trabalhadores tampouco deveriam ter confiança nas instituições do regime, no Congresso Nacional que vem aprovando ataques ao conjunto da classe trabalhadora e na sua CPI, mas sim na mobilização independente da classe trabalhadora, da juventude e dos movimentos sociais pelo Fora Bolsonaro e Mourão. Defendeu também que os trabalhadores não podem se enganar com a direita neoliberal: "Chamamos a não confiar na velha direita neoliberal do PSDB e demais partidos burgueses que vêm participando das mobilizações pelo Fora Bolsonaro com o único objetivo de fortalecer seus projetos de “terceira via” eleitoral, enquanto estão aprovando e aplicando os mesmos ataques que Bolsonaro contra a nossa classe"

Veja a fala de Marcello Pablito:

O companheiro Atnágoras Lopes, do PSTU, fez a defesa contrária, sustentando a necessidade de manter os chamados à unidade de ação também com a direita burguesa para botar pra fora Bolsonaro.

A fala pode ser conferida aqui (em 1:09:53)

Em síntese, Atnágoras argumentou que seria necessário distingui unidades estratégicas ou programáticas, como as que podemos fazer entre nós, e, por outro lado, a unidade para lutar, e que esta deveria incluir “Deus e o mundo e Raimundo”, ou seja, qualquer organização e inclusive a direita, e que a posição do Movimento Nossa Classe de não chamar a direita para essa unidade, enquanto chama organizações como a CUT dirigida pelo PT e a UNE dirigida pelo PCdoB, e diferenciá-los da direita burguesa, seria “deslizar”, mesmo que “inconscientemente”, para a “teoria dos campos”, ou seja, trabalhar com uma distinção entre um “campo progressista” (que incluiria o PTismo) e um “campo reacionário” (que incluiria a direita que eleitoralmente está na oposição a Bolsonaro, como PSDB, PSL e MBL).

Antes de qualquer coisa, a distinção entre políticas de unidade entre organizações operárias que tenham acordos programáticos, ainda que parciais, para defender juntos esses pontos de acordo - como neste momento mesmo estamos fazendo conjuntamente com outras organizações, no Polo Socialista e Revolucionário -, e, por outro lado, medidas de unidade de ação, é mesmo uma distinção necessária, mas está longe de ser suficiente. É fundamental distinguir também o que é a tática da frente única operária tanto, por um lado, de uma “unidade estratégica ou programática”, nos termos dos companheiros, quanto, por outro lado, de uma unidade de ação com a burguesia. Não vamos nos alongar aqui, pois já desenvolvemos essa discussão neste outro artigo, mas, sinteticamente, o que Trotski defendia quando falava da unidade “com o diabo e sua avó”, que os companheiros citam ou parafraseiam, era a frente única operária contra a ascensão dos nazistas na Alemanha no início dos anos 30, incluindo o Partido Social Democrata, que estava governando para a burguesia, mas também dirigia grande parte dos sindicatos e organizações da classe trabalhadora. Trotski era taxativo em que essa unidade não era programática, parlamentar ou eleitoral, e sim em torno de acordos para a ação, entre “quem, como e quando golpear”, sem nunca misturar bandeiras. Mas, ainda assim, tratava-se da frente única operária, a unidade da nossa classe, e não de qualquer unidade de ação com a burguesia, que os revolucionários defendem somente em situações muito excepcionais - como as que retomamos nesse artigo, na maioria dos casos relacionadas à resistência contra o imperialismo em guerras ou golpes.

Assim, o curioso sobre essa argumentação em referência à teoria dos campos é que ela tem muito mais a dizer sobre a posição do PSTU do que sobre a nossa. O erro fundamental da distinção da sociedade em “campos” (progressista ou reacionário, oposição ou governismo, etc) é a diluição da distinção entre classes, juntando organizações operárias e burguesas como “progressismo” ou “oposição”. Mas a distinção a que o PSTU se refere, e que nós de fato fazemos, entre a direita burguesa e as centrais sindicais e organizações de massas dirigidas por partidos como o PT e o PCdoB é justamente a distinção entre as organizações da burguesia e as organizações da nossa classe, independentemente de suas direções políticas. Batalhamos sim pela frente única das organizações da nossa classe, e o fato de que estejam sob direções políticas traidoras não nos leva a igualar essas organizações às organizações políticas propriamente burguesas, nem para abrir não dessa batalha pela unidade, nem para incluir a direita burguesa nessa batalha. Isso porque se trata da necessidade da unidade da nossa classe, que é sentida pelas trabalhadoras e trabalhadores, o que pode obrigar essas direções à ação, e/ou desmascará-las diante de sua base operária, ajudando a ampliar a influência dos revolucionários na nossa classe. Não há nem sentido em pensar nesses termos em relação às organizações políticas da burguesia.

Ao igualar as organizações que são as direções de massa da nossa classe com os partidos da direita burguesa, o que o PSTU faz é justamente o que nos acusa de fazer: substituir a distinção entre classes pela distinção entre um campo governista/bolsonarista e um campo oposicionista, chamando a unidade deste último contra o primeiro, juntando aí indistintamente organizações operárias e movimentos sociais com partidos burgueses. O que, como já argumentamos, só pode levar a subordinar nossa classe a um programa de “acordo” com essa ala da burguesia, que deixa de fora a luta para barrar os ataques que ela defende, e assim também deixa de fora a batalha para atrair os amplos setores da nossa classe e do povo que mais sofrem com esses ataques.




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