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Capitalismo | Veja 10 vezes em que o Carrefour mostrou como o capitalismo é asqueroso e racista

Novamente vemos mais um caso grotesco do Carrefour contra um trabalhador, dessa vez humilhado por uma gerente do mercado ao limpar chão do hipermercado de joelhos. Infelizmente não é surpresa que esses casos ocorram no mercado francês. A multinacional acumula um histórico nojento de ataques contra a classe trabalhadora, mostrando como o capitalismo é asqueroso e racista. Relembre esses momentos absurdos.

terça-feira 26 de outubro | Edição do dia

Imagem: Guilherme Bittar/AFP

1) Nego Beto é assassinado por segurança e PM racistas no Carrefour em Porto Alegre

O fato ocorreu na zona norte de Porto Alegre, no bairro Passo D’areia. João Alberto Silveira Freitas, também conhecido como Nego Beto, fazia compras com sua esposa no Carrefour, quando houve uma discussão com a fiscal de caixa que chamou o segurança. Um PM que estaria fazendo compras ajuda o segurança e os dois racistas arrastam João para fora do mercado onde o espancam até a morte.

O assassinato aconteceu justamente um dia antes do da Consciência Negra, e foi seguida por uma série de mobilizações em várias regiões do Brasil, exigindo justiça e mostrando a força da luta negra no Brasil, no marco da luta antirracista que estourou após o brutal assassinato de George Floyd nos Estado Unidos, que percorreu o mundo e aqui no Brasil, levou a respostas de luta contra a violência policial e a das empresas.

2) Carrefour deixa corpo de trabalhador morto estendido no chão de loja aberta por mais de 3h em Recife (PE)

O caso ocorreu em Recife, em 19 de agosto de 2020. O trabalhador Moisés Santos, tinha 53 anos e morreu enquanto trabalhava e a única medida tomada pelo Carrefour foi cobrir o corpo com guarda-sóis e cercar a área com caixas e tapumes improvisados até o IML ir retirar, escancarando o absurdo descaso e desprezo da varejista com a vida dos trabalhadores. O corpo do trabalhador ficou estendido no chão das 7h30 às 11h.

O descaso da Carrefour com o corpo de um trabalhador escancara que para os patrões a vida da classe trabalhadora é tão desprezível que só mereceu ficar coberto até alguém ir buscar, pois o mais fundamental era continuar seguindo as vendas normalmente.

Moisés teve que continuar trabalhando em meio a pandemia, sem direito a ficar em quarentena, como foi o caso de milhões de trabalhadores e trabalhadoras na pandemia, e perdeu sua vida durante o horário de serviço, com os patrões mostrando que para eles, as nossas vidas não valem nada mesmo.

Veja comentário de Letícia Parks sobre o caso repugnante:

3) Cliente sofre brutal violência racista de funcionários do mercado

Em outubro de 2018, funcionários da empresa, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, agrediram Luís Carlos Gomes, porque ele abriu uma lata de cerveja dentro da loja. Surpreendido pelos funcionários do supermercado, o cliente reiterou que pagaria pelo item.

Mesmo assim, ele foi perseguido pelo gerente da unidade e por um segurança e depois encurralado em um banheiro, onde recebeu um mata-leão.

Gomes, que é deficiente físico, teve múltiplas fraturas e, como sequela de uma cirurgia, ficou com uma perna mais curta que a outra. Ele acusou o supermercado de racismo e discriminação e pediu uma indenização de R$ 200 mil.

4) Outro brutal caso racista contra o trabalhador Januário Alves de Santana

Em 2009, seguranças da rede de hipermercados agrediram o vigia e técnico em eletrônica Januário Alves de Santana, de 39 anos, no estacionamento de uma unidade em Osasco. Ele teria sido confundido com um ladrão e foi acusado de roubar o próprio carro, um EcoSport, e depois acabou sendo espancado .

Após o caso absurdo, manifestantes protestaram no estacionamento da unidade, onde estenderam uma faixa de 30 metros com a frase: “Onde estão os negros?”. Carros também exibiram protetores de para-brisa com a frase “Carrefour racista”.

5) Trabalhador de 20 anos morre após queda de empilhadeira

Matheus Silva, de 20 anos, era operador da loja e, segundo a tia, exercia outra função quando a empilhadeira caiu sobre ele. O caso aconteceu em abril deste ano. na unidade do Limão, na Zona Norte de São Paulo, dentro de um galpão de estoque do supermercado.

Matheus Silva operava uma empilhadeira quando, ao fazer uma curva, a máquina caiu com todo o peso sobre o jovem trabalhador. Segundo a tia, Matheus usava o equipamento mas não tinha preparo para manusear. A própria rede afirmou que ele “era operador de loja e não tinha em seu escopo de trabalho a operação de empilhadeira”.

Mesmo com aumento dos preços e com a pandemia a empresa aumentou seus lucros, lógico explorando até o último suspiro de seus trabalhadores. Seu histórico não nega. E quem paga as contas são os trabalhadores e as trabalhadoras que se veem no desemprego, em meio a diversos ataques de Bolsonaro e de todo o regime, como a reforma trabalhista. São nesses ataques que as empresas capitalistas como o Carrefour se apoiam para aprofundar a exploração.

6) Demissão como retaliação

Em dezembro de 2017, trabalhadores do Carrefour que reivindicaram benefício de remuneração por trabalho em feriados foram demitidos da empresa, com a justificativa de corte de gastos. Os funcionários, no entanto, garantiram que os nomes que receberam a demissão estavam envolvidos em movimentos grevistas.

“Na verdade a empresa nunca teve cortes às vésperas do Natal e Ano Novo. Em 12 anos de casa, nunca vi isso acontecer. Como sempre bati minhas metas, portanto, gerava lucros, fica explícito o motivo de retaliação a fim de desestabilizar o movimento, sim”, contou um ex-trabalhador ao jornal The Intercept, na época.

Os trabalhadores que trabalharam durante os feriados de novembro de 2017 receberam apenas R$ 30 por dia trabalhado, menos da metade do que recebiam antes. Um empregado que recebe R$ 1.290 por mês, ou R$43 por dia, deveria receber R$ 86 por feriado, já que a diária era dobrada nesses dias.

7) Trabalhador fica cerca de 36 horas preso no elevador do Carrefour, sem comida e sem água

No mês passado, um trabalhador de uma unidade da rede Carrefour da Avenida Conselheiro Nébias, em Santos(SP), ficou quase dois dias dentro do elevador, ficando preso de sábado até segunda-feira, quando foi encontrado no início do expediente dos trabalhadores do primeiro turno. O supermercado tinha funcionado no domingo mas, mesmo assim, ninguém notou que ele estava preso dentro do equipamento. O rapaz ficou sem comer e sem beber durante cerca de 36 horas.

8) O Carrefour também controla as idas ao banheiro de seus trabalhadores

Em 2019, o Sindicato dos Comerciários de Osasco e Região, pediu liminar na Justiça do Trabalho contra a empresa, pois em suas sete sedes nas cidades de Barueri, Carapicuíba, Embu, Itapevi, Jandira, Osasco e Taboão da Serra, operadores de atendimento e de telemarketing são obrigados a utilizar "filas eletrônicas" para o uso do banheiro.

Além disso, devem manifestar necessidade do uso, registrando o nome no sistema eletrônico de fila e avisar ao supervisor em caso de urgência.

Para o Carrefour é mais importante cada segundo que possa explorar seus trabalhadores do que a saúde deles, não se importando se ao não realizarem suas necessidades fisiológicas eles possam desenvolver eventuais problemas intestinais ou estomacais, como os relativos ao ciclo feminino, mostrando também o machismo da empresa, para não falar do constrangimento de toda a situação.

9) Cachorro envenenado e espancado

Em dezembro de 2018, um funcionário Carrefour, no ápice da crueldade que alguém possa ter, envenenou e espancou um cachorro, chamado de Manchinha, a mando do dono da filial de Osasco, por conta de uma visita de supervisores da matriz. O cachorro foi envenenado com chumbinho colocado em uma mortadela, e depois espancado. Foi encontrado, depois, ensanguentado e levado a uma clínica veterinária, mas não resistiu e morreu. Ou seja, a perversidade do Carrefour é tanta que para ela não basta explorar, matar e oprimir os trabalhadores, mas precisa também fazer como vítimas até os animais.

10) Trabalhador é humilhado por gerente do Carrefour ao limpar chão do hipermercado de joelhos

Em vídeo, o trabalhador do Carrefour, que atua como vendedor, Pedro Henrique Monteiro da Silva, de 23 anos, está de joelhos esfregando o chão da loja com um pano e ao seu lado está uma mulher, que parece filmar o funcionário enquanto afirma: “Olha aí, só pra você esse cara tem valor. Esses meninos, eles não limpam a casa deles”. Segundo o trabalhador, a situação ocorreu entre 26 e 30 de setembro, deste ano. Veja o vídeo abaixo:

Pedro é nascido no Acre e mora em Campo Grande há quatro anos. Ele era vendedor de trufas no semáforo e foi quando um gerente do hipermercado o conheceu e lhe ofereceu a vaga numa das lojas da rede. Segundo o vendedor, em pouco tempo ele bateu recordes de venda e conseguiu uma promoção. Atualmente ele faz faculdade, mora com a esposa, na casa da sogra e ajuda a mãe a sustentar seus irmãos caçulas. Ele é o mais velho de seis irmãos.

O vendedor ainda contou que depois do caso de assédio moral, ele virou motivo de chacota entre os colegas de trabalho, que fizeram até um ‘meme’ da situação, e pediu um afastamento médico.

O que se expressa em uma clareza ímpar na rede Carrefour é, antes de mais nada, um reflexo dos ataques capitalistas que vivemos todos os dias, onde empresas fazem barbaridades com a vida do povo, em especial dos negros, das mulheres, dos pobres e dos trabalhadores, que são assolados, humilhados e agredidos diariamente, pelas empresas sejam como consumidores ou como trabalhadores, tudo em nome da manutenção dos lucros dos capitalistas, que passam por cima da própria saúde do trabalhador, especialmente durante a pandemia, para ampliarem seus ganhos, em detrimento da vida dos funcionários.




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