Sociedade

TRAGÉDIA EM MARIANA

Vale altera dados para relativizar o crime socioambiental de Mariana

A constatação das alterações dos dados apresentados inicialmente pela Vale do Rio Doce no crime socioambiental, no distrito de Mariana (MG), revela a relatividade na responsabilização de criminosos que de tudo o fazem para garantir seus interesses: o lucro!

Rafaella Lafraia

São Paulo

terça-feira 31 de maio de 2016| Edição do dia

O crime socioambiental cometido pela mineradora Samarco, uma joint-venture da companhia Vale do Rio Doce e da anglo-australiana BHP, há, aproximadamente, sete meses, além de causar a morte de 19 pessoas, do Rio Doce – o mais importante do estado de Minas Gerais – deixar inúmeras pessoas desabrigadas, e causar um problema ambiental de âmbito mundial, evidencia a relatividade na responsabilização das grandes empresas, que de tudo o fazem para garantir seus interesses pelo lucro.

Nas primeiras análises feitas da água do rio encontrou-se partículas de metais pesados como: chumbo, alumínio, ferro, bário, cobre, boro e mercúrio, apesar da companhia ter afirmado que a composição da lama ser predominantemente de sílica. Dias após o ocorrido, especialistas fizeram inúmeras declarações de que esta tragédia ambiental teria uma proporção ainda maior, apesar de autoridades governamentais, como Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente do período, afirmar que a lama tóxica não teria uma grande dispersão e dias depois era possível ver a poluição acarretada pela lama tóxica passando do estado de Minas, seguindo o curso d´água até o Espírito Santo e atingido a parte sul do litoral da Bahia, chegando a região de Trancoso e Porto Seguro, próximo ao arquipélago de Abrolhos.

Agora, a mais nova forma de tentar amenizar o fato para diminuir o valor da multa que a empresa deve pagar pelo ocorrido, a Vale do Rio Doce apresenta alterações nos dados inicialmente informados nos relatórios apresentados a Polícia Federal. Essas modificações estão relacionadas ao teor de concentração do minério que a empresa produzia em Mariana, o que leva a diminuição do volume de lama em uma das barragens rompidas. Em nota, a empresa admite as alterações, mas alega que as mesmas foram feitas para corrigir equívocos e que age de forma transparente. Entretanto, com tais alterações o valor a ser pago, que já é muito aquém do que foi inicialmente levantado, cairá para um valor irrisório.

Não é de se espantar que a Vale tenha alterado os dados iniciais, já que o que realmente importa para estes e todos os outros empresários é o lucro e seus benefícios acima de tudo e todos. Também não nos espantamos mais com o conchavo entre os três poderes e os burgueses, depois destes últimos meses – no qual o judiciário e o executivo mostraram sua verdadeira faceta (a seletividade na responsabilização dos crimes) e o legislativo operando em pró destes de seus interesses e dos empresários (podendo até fazer menção a PEC SAMARCO, como assim já ficou conhecida, a PEC 65/2012 que retira a obrigação da realização do licenciamento ambiental para a aprovação de obras públicas). Aqui se deve ressaltar o papel abstencionista das entidades sindicais e direções de movimentos sociais que não mobilizaram pela base, em defesa da população atingida pela devastação ambiental capitalista, exigindo moradia e emprego para as vítimas diretas e indiretas daquele desastre.




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