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Interesses obscurantistas e fisiológicos | Vaga no STF gera rinha entre centrão e líderes evangélicos

Bolsonaro anunciou André Mendonça para a vaga de Marco Aurélio no STF em 6 de julho deste ano. Para avançar o processo, a CCJ do Senado deve marcar a sabatina. Mas o centrão articula nome alternativo ao “terrivelmente evangélico” Mendonça. Nessa rinha de galo reacionário, vários interesses estão em jogo, nenhum referente ao povo.

quarta-feira 13 de outubro | Edição do dia

A disputa pela vaga de Marco Aurélio no STF (Supremo Tribunal Federal) virou um teatro de quinta categoria. Enquanto o povo passa fome e a fila do desemprego cresce, bolsonaristas e aliados brigam pelo nome que mais atende aos seus interesses.

Bolsonaro já havia indicado André Mendonça, atual Advogado-Geral da União, para a vaga de Marco Aurélio em julho deste ano. Mas para que isso ocorra, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado precisa marcar a sabatina, e quem a preside é Davi Alcolumbre, um dos líderes do centrão. Com o atraso no processo, senadores recorreram ao STF para obrigar Davi a marcar a sabatina, mas Lewandowski negou o pedido por considerar que a decisão é da alçada do Legislativo.

Há um certo tempo o centrão vem buscando um nome alternativo ao de Mendonça, em partes por desconfiar de seu possível apoio a pautas relacionadas à Lava-Jato, como a prisão em segunda instância. O medo de setores do centrão é Mendonça vir a apoiar medidas que possam colocar na cadeia alguns dos mandachuvas ou aliados dessa sopa de letrinhas que habita o Congresso Nacional. O nome que surgiu até agora é o de Alexandre Cordeiro de Macedo, presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), também evangélico (mas talvez não “o suficiente” para a trupe de Malafaia e cia.) e também defensor de pautas reacionárias.

Malafaia recentemente saiu vociferando contra Ciro Nogueira, atual chefe da Casa Civil de Bolsonaro, por estar articulando essa alternativa. O mercador de fé quer alguém de sua confiança para garantir o voto obscurantista em matérias variadas na Corte.

Nessa quarta-feira, 13, Bolsonaro chegou a dizer que Alcolumbre estaria agindo “fora das quatro linhas da constituição” por postergar a sabatina de Mendonça. Davi respondeu que não seria “ameaçado, intimidado, perseguido ou chantageado”. Apelou à “guerra religiosa”, já que Davi é judeu.

A verdade é que essa rinha de galo reacionário expõe interesses obscurantistas das lideranças evangélicas de um lado e interesses fisiológicos do centrão de outro. Ao mesmo tempo, escancara o caráter intrinsecamente antidemocrático do Supremo Tribunal Federal, onde os membros da mais importante Corte do país são indicados de acordo com disputas e interesses particulares, distantes de qualquer discussão ou decisão da larga maioria da população, sem eleição alguma. Um processo altamente antidemocrático que dá a cara da democracia dos ricos que tanto caracteriza o nosso regime político.




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