Educação

Universidades públicas estão produzindo testes, máscaras, álcool gel e pesquisa contra o coronavírus

Em meio a crise aguda do coronavírus, as Universidades Públicas que estão produzindo testes, máscaras, álcool gel e realizando pesquisas de investigação do vírus de forma independente mostram o papel que os estudantes das universidades podem cumprir no combate ao coronavírus quando alinhados aos interesses da classe trabalhadora e não dos grandes empresários e tubarões da educação, como quer Bolsonaro, Paulo Guedes, Weintraub e os capitalistas.

Luno P.

Coordenador Geral do Centro Acadêmico do Teatro da UFRGS (CADi)

Giovana P.

Coordenadora Geral do Centro Acadêmico do Teatro da UFRGS (CADi)

quinta-feira 26 de março| Edição do dia

Nesta quinta-feira, 26 de março, o Instituto de Ciências Básicas da Saúde da UFRGS (ICBS/UFRGS) anunciou que se prepara para realizar entre 400 e 500 testes de diagnóstico do novo coronavírus por dia a partir das próximas semanas. O trabalho será todo realizado nas dependências do ICBS, desde o recebimento de amostras até o resultado final, usando os kits fornecidos pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Rio Grande do Sul (LACEN/RS). A realização dos testes contará com a ação voluntária de docentes, técnicos e estudantes de pós-graduação da universidade. Segundo a diretora do ICBS, Ilma Brum da Silva, o principal foco serão testes de Covid-19 nos profissionais de saúde envolvidos na linha de frente, já que a detecção desses casos é de suma importância para conter uma disseminação dos vírus entre as equipes médicas.

Junto com a realização de testes, na última terça-feira, 24 de março, estudantes, técnicos e docentes da UFRGS iniciaram a produção de máscaras do tipo faceshild, que são imprescindíveis como equipamentos de segurança para os milhares de profissionais da saúde que hoje estão na linha de frente contra o coronavírus. Segundo nota da universidade, voluntários da Escola de Engenharia e da Faculdade de Arquitetura estão envolvidos no projeto que usa impressoras 3D dos laboratórios da UFRGS e emprestadas por terceiros para a produção desses equipamentos de proteção que serão doados a hospitais, inicialmente de Porto Alegre.

A produção desses equipamentos de proteção e testes de diagnóstico nos laboratórios e institutos da UFRGS mostram o papel que os estudantes das universidades podem cumprir no combate ao coronavírus quando alinhados aos interesses da classe trabalhadora e não dos grandes empresários e tubarões da educação, como quer Bolsonaro, Paulo Guedes, Weintraub e os capitalistas.

Outras universidades pelo país já começaram a também contribuir com a produção dos materiais que necessitam os trabalhadores da saúde:

Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está sendo realizada uma ação conjunta entre o Instituto de Química, Escola de Química e Coppe para produzir álcool 70% destinadas às suas unidades hospitalares e a residência estudantil, além da futura produção de álcool gel com a participação da Faculdade de Farmácia.

Na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Novatec), no Paraná, estão sendo usadas bebidas alcoólicas apreendidas pela Receita Federal para produzir álcool em gel que será utilizado no setor de saúde da própria universidade ou doado para órgãos públicos, como unidades de saúde, escolas municipais e estaduais.

A Universidade Estadual de Ponta Grossa, em parceria com a Fundação Municipal de Saúde, também está produzindo álcool 70% glicerinado que será distribuído pela Prefeitura Municipal de Ponta Grossa para Hospitais e Unidades de Saúde

A Universidade de Gurupi (Unirg) junto com a Universidade Federal do Tocantins (UFT) também fecharam parceria com a Prefeitura de Gurupi para a produção de álcool em gel com objetivo de abastecer as próprias instituições e que também será oferecido gratuitamente para a população carente. As unidades de saúde do município de Gurupi também devem receber frascos do produto.

A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) junto com a Universidade Católica de Pelotas (UCPel), o Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) e a fábrica de refrigerantes Biri, também produzirão aproximadamente 10 mil litros de álcool gel que serão distribuídos primeiramente no Hospital Escola da UFPel (HEUFPel), unidades básicas de saúde (UBS) e no Restaurante Universitário.

Na Universidade de São Paulo (USP), a Faculdade de Farmácia está produzindo álcool em gel para fornecer aos médicos, enfermeiros e pacientes do Hospital Universitário.

Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), professores estão realizando amplos cursos para capacitar estudantes para atender a população, as autoridades de saúde e os profissionais de saúde, além de fornecer até 300 testes por dia.

Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o Departamento de Farmácia está produzindo até 1.200 litros de alcool 70% a partir de doações de empresas e usinas.

Essas ações realizadas pelos estudantes e professores dessas universidades devem servir de exemplo para as demais instituições de ensino superior do país e também para setores da classe trabalhadora, que deveriam estar unidos no controle do combate ao coronavírus lutando para garantir todas as condições necessárias para que as universidades possam produzir massivamente cada um desses itens, já que os governantes e o conjunto dos capitalistas não são capazes de dar uma resposta à altura da pandemia.

As universidades historicamente têm sido espaços de disputa do mercado, onde grandes empresas se utilizam da estrutura pública das universidades, seus laboratórios, seus materiais, os pesquisadores, professores, etc., para patentear pesquisas em função do lucro. Caso notório de como as empresas lucram com o público é a relação entre a Natura e pesquisas em institutos de química. A gigante dos cosméticos investe pesado em pesquisas feitas nas universidades a fim de gerar ainda mais lucros para seus cofres particulares. O papel das universidades deveria ser produzir conhecimento e tecnologia em função da necessidade da população. A criminosa indústria farmacêutica, por exemplo, não deveria ter um peso tão grande na orientação de pesquisas de medicamentos. A crise do coronavírus mostra, por exemplo, o grande papel que a pesquisa farmacêutica poderia cumprir em criação de vacinas, antivirais e antibióticos que pudessem combater o vírus e salvar vidas. Se é verdade que esses exemplos são fundamentais e devem ser seguidos por outras universidades, é verdade também que é preciso repensar toda a produção de conhecimento das universidades a fim de tirá-la das amarras dos lucros e orientá-la de acordo com a necessidade da maioria da população.

Ao contrário disso, a principal política levada pelos principais governantes ao redor do globo para barrar a pandemia é a quarentena. Ora, em pleno século XXI estamos lidando com essa pandemia da mesma forma que lidamos nos séculos passados, mesmo que hoje haja tecnologia desenvolvida o suficiente para combater de forma mais eficiente essa pandemia, porém que não está sendo posta a serviço de salvar milhares de pessoas porque para Bolsonaro e os capitalistas é mais importante manter os lucros dos empresários do que a vida e saúde dos trabalhadores.

Vemos Bolsonaro desdenhar dessa crise sanitária, chamando a COVID-19 de “gripezinha” e decretando a MP da morte e outros ataques para salvar os lucros dos empresários enquanto os trabalhadores são demitidos ou expostos ainda mais ao vírus.

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Esse mesmo presidente é quem ataca as universidades públicas desde o início de seu mandato, inclusive com o apoio do congresso e senado, aprovando os cortes às bolsas de pesquisa, insinuando que na universidade pública só se faz balbúrdia e querendo impor seu nefasto projeto de privatização das universidades, o Future-se. Pois bem, a balbúrdia que hoje fazem esses mesmos estudantes é muito mais eficaz no combate ao coronavírus do que as medidas tomadas pelo governo Bolsonaro até então.

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Na verdade, essas iniciativas exemplificam que o conhecimento produzido dentro da universidade pode e deve estar a serviço da classe trabalhadora e de toda população de conjunto. Hoje vemos um projeto de educação muito bem arquitetado por Bolsonaro, empresários e companhia, no qual tratam da educação pública como se fossem suas mercadorias, utilizando da mão de obra barata dos estudantes para encherem ainda mais seus bolsos e esvaziando o ensino de todo conteúdo crítico. O conhecimento que produzimos através das nossas pesquisas não pode estar a serviço de criar um novo design para a já milionária Tramontina e nem de manter suas pesquisas em parcerias com a Monsanto, gigante dos agrotóxicos que há anos envenena a mesa de milhões de brasileiros, como acontece na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da USP.

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Nós devemos inverter a lógica. Se eles querem uma educação que compactue com a perversidade do capitalismo, nós iremos batalhar por uma universidade a serviço dos trabalhadores, que produza conhecimento com o objetivo principal de garantir uma vida digna a toda população. Assim como estudantes podem cumprir um papel fundamental no combate a pandemia, colocando suas pesquisas para produção de álcool gel e máscaras por exemplo, pode também a classe trabalhadora através de sua auto-organização tomar para si uma resposta para essa crise.

É justamente por isso que estudantes e trabalhadores precisam estar lado a lado lutando por uma política independente das respostas insuficientes que os Estados capitalistas podem pensar em dar, defendendo a centralização de todo o sistema de saúde e laboratórios químicos, incluindo a saúde privada, sob gestão pública e controle dos trabalhadores e especialistas, garantindo leitos gratuitos, contratação de trabalhadores da saúde para garantir o atendimento, a produção de reagentes e testes massivos e o diagnóstico para todos que necessitam, junto com a revogação da Emenda Constitucional do Teto de Gastos para mais investimento na saúde pública, que exige também o não pagamento da dívida pública aos banqueiros e taxação progressiva das grandes fortunas. Também é necessário exigir liberação imediata para todos aqueles que fazem parte do grupo de risco ou que apresentem sintomas, sem desconto salarial, além de proibir as demissões e reorganizar a produção, através da auto organização dos trabalhadores, garantindo emprego, a serviço da produção de equipamentos, alimentos e itens que hoje são essenciais para a nossa sobrevivência.

Chamamos todos os estudantes, professores e técnicos das universidades para batalhar junto conosco do Esquerda Diário, MRT e Juventude Faísca para que toda a capacidade de produção e pesquisa estejam direcionadas para o enfrentamento do coronavírus. É preciso exigir que as entidades estudantis, como a UNE e sindicatos trabalhistas, assim como centrais sindicais como CUT e CTB, dirigidas pelo PT e PCdoB, sejam parte de pressionar os governos para que garantam as condições necessárias para colocar a estrutura da universidade a serviço de combater a crise, impulsionando também a organização dos estudantes e dos trabalhadores. É preciso ainda que estas entidades impulsionem uma ampla campanha por testes massivos para todos, contratação imediata, de trabalhadores da saúde, abertura de novos leitos da UTI com respiradores, taxando as grandes fortunas e não pagando a dívida pública para garantir os recursos necessários!

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