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Uma inflexão na política externa a serviço do capital norteamericano

No segundo dia de sua primeira viagem aos Estados Unidos desde a revelação de que ela e a Petrobras foram espionadas pela NSA (agência de segurança nacional americana), a presidente Dilma Rousseff se reuniu nesta segunda-feira, em Nova York, com um grupo de investidores do setor financeiro e participou de um evento com empresários do setor produtivo internacional, antes de embarcar para a capital Washington.

quarta-feira 1º de julho de 2015| Edição do dia

A descoberta daquele caso de espionagem fez com que a presidente cancelasse uma visita de Estado que faria aos EUA em 2013. Hoje, a sede por investimentos estrangeiros diretos oriundos da UE e dos EUA prorrompeu Dilma a "esquecer" todos os problemas com Obama, e reunir-se para tratar de negócios.

Segundo o Washington Post, Dilma se reuniu com banqueiros e empresários norteamericanos para tratar de aprovar um pacote de investimentos de 63 bilhões de dólares em infraestrutura.

Nesta segunda, Dilma se encontrou pela manhã com o presidente-executivo do grupo de comunicação e entretenimento News Corporation, Rupert Murdoch, com quem conversou sobre o cenário econômico internacional, oportunidades de negócio no Brasil e mercado global de notícias. Em seguida, teve uma audiência com o ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger.

No encontro com os investidores, Dilma lembrou que Brasil e EUA têm uma longa história de cooperação e compromisso tecnológico.

"Somos otimistas sobre nossa capacidade de aumentar nosso nível de cooperação, e isso significa cooperação entre os governos e os empresários", afirmou.

A presidente participou do Encontro Empresarial sobre Oportunidades de Investimento em Infraestrutura no Brasil, fórum no qual destacou que a parceria com os Estados Unidos é fundamental para que o país dê um novo salto no investimento em logística.

"Os EUA, tanto no que se refere ao comércio, quanto aos investimentos, são um dos parceiros fundamentais do Brasil", disse.

Dilma também ressaltou o histórico da relação com os Estados Unidos, que segundo ela "continuam sendo o principal investidor estrangeiro no Brasil, com estoque de US$ 116 bilhões em 2013".

"E 3.000 empresas americanas atuam no Brasil em áreas mais diversas possíveis, como petróleo, gás, energia elétrica, bancos, telecomunicações, atividades imobiliárias, automóveis, metalurgia e agricultura", disse.

"Temos certeza de que é possível ampliar muito mais a nossa cooperação. E isso significa a nossa cooperação tanto governo-governo, como com os empresários e entre os empresários", acrescentou.

Dilma falou em uma "fase de construção" para conseguir um novo ciclo de "expansão do crescimento" no Brasil e lembrou o plano de investimento que apresentou há duas semanas, que inclui projetos de modernização e construção de aeroportos, portos, estradas e ferrovias por meio de concessões.

"Estamos verdadeiramente interessados em desenvolver mais relações com os EUA, com a sociedade, com círculos acadêmicos, em estabelecer colaborações em tecnologia, ciências, educação e inovação", declarou.

A viagem da presidenta aos EUA, apesar da incerteza na conclusão dos acordos, vêm se mostrando como parte importante da estratégia do governo do PT para enfrentar a crise econômica que atinge em cheio o país: descarregar a conta da crise sobre os ombros da classe trabalhadora e aumentar a subordinação da economia nacional ao capital estrangeiro, não importa se chinês ou americano.




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