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DENUNCIAS OPERÁRIAS | “Um ano em EaD, trabalho mais de 60 horas por semana enfrentando problemas básicos"

“Utilizamos uma plataforma que é bastante limitada e apresenta muitos problemas(...) Um professor especialista como eu chega a estar em mais de 12 grupos de Whatsapp com alunos e familiares + o grupo da escola + grupo do departamento, fora os atendimentos individuais.” Publicamos o relato de um professor da rede municipal de Caieiras (município da região metropolitana de São Paulo) que conta com detalhes sua estafante rotina de trabalho durante o ensino remoto.

quinta-feira 8 de abril | Edição do dia

Imagem: Álvaro Henrique

“Sou professor na rede municipal de Caieiras e tenho acúmulo [trabalha como professor também em outra rede de ensino]. Trabalho mais de 60 horas por semana. Já estamos a um ano nessa rotina de EaD, mas ainda temos problemas muito básicos”

“Em Caieiras utilizamos uma plataforma que é bastante limitada e apresenta muitos problemas, muitos erros. Não anexa as devolutivas dos alunos, dá erro na página, instabilidade... Mas isso quando os alunos tem condição de acessar, porque não ofereceram tablets ou aparelhos para os alunos. E não tem nenhum tipo de subsídio no aspecto tecnológico. Os pais ficam com essa responsabilidade e custos. Daí algumas escolas decidiram imprimir materiais para as famílias buscarem na escola. Mas pra isso elas têm que usar os recursos da própria unidade. Teve escolas que fizeram rifas online pra arrecadar dinheiro para custear a rotina.”

Isso ilustra muito bem o abandono da educação pública no país. Fruto de anos de desmonte e sucateamento dos governos.

“Aí pra compensar esses problemas nós professores precisamos estar ou criar grupos de Whatsapp utilizando aparelho telefônico pessoal e o número pessoal também. Sem subsídio da prefeitura que prometeu auxílio à internet de 60 reais, porém somente algumas pessoas conseguiram receber, pois é necessária toda uma burocracia”.

“Um professor especialista como eu chega a estar em mais de 12 grupos de whatsapp com alunos e familiares + o grupo da escola + grupo do departamento, fora os atendimentos individuais que quando solicitados, necessitam realizar chamada de vídeo entre (professor, pai, aluno). A gravação de vídeos, slides, planilhas para preencher na plataforma também fazem parte da rotina diária dos profissionais. E quando o profissional não consegue realizar em sua casa porque não temos equipamento ou internet rápida tem que se deslocar até sua unidade para cumprir sua rotina o que põe em risco de contaminação o professor e outros profissionais que também continuam atendendo na escola mesmo com a pior fase da pandemia.”

“E pra completar nossa rotina temos que fazer a chamada "Busca Ativa", ir atrás de cada um dos alunos sempre que eles não estão acessando os conteúdos ou respondendo as atividades. Fazendo a rotina dos professores ir muito além da sua carga de trabalho.”

As dificuldades de acesso significam para o aluno ser privado do seu direito à educação, e para os professores significam uma ampliação da jornada de trabalho não remunerada muito além da sua jornada regular. E essa rotina estafante relatada por esse professor ainda é apenas metade da sua rotina, somadas ele tem uma rotina de mais de 60 horas semanais. Já que ele, como milhões de professores, precisa “acumular”. Trabalhar em mais de uma rede, em mais de uma escola, para conseguir um salário um pouco melhor para sustentar a si e sua família.

O ensino remoto é uma necessidade excepcional durante esse momento da pandemia, em que as escolas não são ambientes com segurança sanitária para permitir a retomada do ensino presencial. É inaceitável que governantes como João Doria (PSDB) em São Paulo, junto com tantos outros, façam de tudo para reabrir as escolas sem segurança no pior momento da pandemia. E depois de um ano de ensino remoto alunos e professores das escolas públicas sigam sem condições para acessar e implementar. Não se importam com a educação de nossos filhos. Não se importam com nossas vidas.

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