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Violência contra a mulher | Última instância da Justiça italiana condena Robinho a 9 anos de prisão por estupro coletivo

O jogador foi derrotado em última instância pela justiça de Roma, na Itália, não tendo mais possibilidade de recorrer, e com isso seguirá condenado à 9 anos de prisão pelo crime de violência sexual. Mas a justiça brasileira impede a deportação ou o cumprimento da pena pelo jogador numa prisão brasileira, fazendo com que Robinho siga impune por esse crime bárbaro. Somente uma forte e organizada luta das mulheres pode de fato impor que a justiça seja feita pelas vítimas dessa sociedade capitalista misógina.

quarta-feira 19 de janeiro | Edição do dia

Imagem: Bruno Cantini

O jogador de futebol profissional Robinho teve seu recurso rejeitado em última instância pela Corte de Cassação de Roma (Itália), e com isso seguirá condenado à nove anos de prisão pelo crime de violência sexual em grupo contra uma jovem de origem albanesa em 2013, em uma boate em Milão, na Itália. Ricardo Falco, amigo do jogador, também foi condenado. Como se trata da última instância na justiça italiana, não há mais possibilidade de recorrer.

Não é a primeira vez que Robinho é denunciado por violência sexual. Em 2009 ele foi acusado pelo mesmo crime e ele, de forma repugnante, simplesmente precisou dizer que a vítima havia mentido, para ser absolvido pela justiça burguesa e machista, assim conseguindo se safar, com o caso sendo fechado.

Demonstrando total desprezo pela vítima do jogador e sem se importar com o processo em andamento e o crime hediondo cometido, a equipe Santos Futebol Clube chegou a contratar o jogador em outubro de 2020.

No mesmo mês daquele ano, transcrições telefônicas foram divulgadas pelo G1 e mostram diálogos entre Robinho e Falco, cheio de afirmações pejorativas, humilhantes que culpabilizam a vítima e que são provas escandalosasdo brutal estupro praticado contra a jovem albanesa.

Após os diálogos de Robinho com outro envolvido no crime repercutirem negativamente na mídia, vários patrocinadores do Santos abandonaram o clube, o que pressionou o time santista a colocar “panos quentes” e romper com Robinho, desfazendo o vínculo contratual.

Ainda nesta época o jogador teve novos áudios vazados nos quais se compara com Bolsonaro quanto aos ataques dirigidos à ele. Após toda essa repercussão o jogador cinicamente ainda culpou o movimento feminista, vomitando toda a sua misoginia e transfobia: "Infelizmente existe esse movimento feminista, que não sei o que... Muitas mulheres que não são nem mulheres, para falar o português claro".

A justiça italiana pode pedir o cumprimento da pena em uma prisão brasileira, mas a possibilidade de o atleta cumprir pena em território brasileiro é dificultada pelo Código Penal do País, já que a sentença estrangeira só é aplicada no Brasil em duas situações: a primeira é pela reparação de danos e a segunda, pela homologação para efeitos de tratados.

"Não há conhecimento de um tratado entre o Brasil e a Itália para o cumprimento de pena aqui no Brasil, diferentemente dos crimes de drogas e entorpecentes, em que há um acordo entre os países. Na prática, o que pode acontecer é o jogador perder o direito de entrar na Europa, mas no Brasil ele fica livre", disse a advogada criminalista Jacqueline do Prado Valles, em entrevista ao jornal Estadão.

Assim, fica mais uma vez escancarado o caráter machista e misógino da justiça brasileira, como já se viu diversas vezes, fazendo com que Robinho e muitos outros sigam impunes por seus crimes brutais contra milhares de mulheres.

Seja por medo, vergonha, ou pela segunda violência que muitas vezes passam ao realizarem uma denúncia de estupro, com o tratamento do aparato policial e até mesmo da justiça, muitas mulheres que passam ou passaram pela mesma situação não conseguem denunciar esses casos de violência que são submetidos, fruto de uma sociedade estruturada no patriarcado que perpetua a opressão contra as mulheres cultivando a visão de que suas vidas e seus corpos não lhes pertence e estão à disposição do prazer e da vontade dos homens, dos patrões, da mídia e do Estado.

Somente uma forte e massiva luta das mulheres, organizadas nos seus locais de trabalho, estudo e nas ruas pode de fato garantir com que a justiça seja feita para todas as mulheres que passam por essa situação revoltante, como fica mais evidente num país como o Brasil de Bolsonaro e Mourão, onde uma mulher é estuprada a cada 10 minutos e 76% das mulheres já sofreram algum tipo de violência ou assédio, sendo que a maior parte da violência ocorre dentro de casa ou cometida por pessoas muito próximas da mulher.




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