Juventude

19J

USP rumo ao 19J: DCE e CAs precisam realizar assembleias para nos organizar pela base

A educação está sendo atacada. Sentimos na pele a precarização da vida e do ensino no cotidiano da USP. Todos os dias nos deparamos com notícias tristes de familiares e amigos. Mas o 29M mostrou a nossa potência e precisamos expandi-la para barrar não apenas os cortes mas também as reformas e privatizações e ir muito além. E a voz de todos os estudantes é que deve definir os próximos passos das mobilizações!

quinta-feira 10 de junho| Edição do dia

No dia 29, foram mais de 100 mil pessoas tomando as ruas do país demonstrando disposição para lutar. Vários jovens como a gente de diversas universidades demonstraram seu rechaço aos cortes e ataques do governo genocida de Bolsonaro, que já deixou morrer mais de 460 mil pessoas em decorrência da COVID, além da fome e da miséria que se alastram pelo país com a precarização absurda da vida da juventude e da classe trabalhadora.

Universidades correm o risco de fechar, estudantes cotistas estão sendo absurdamente expulsos como aconteceu na UFRGS, o EaD aumenta os índices de troca ou abandono, sem falar nas péssimas condições de permanência como vemos aqui mesmo na Universidade de São Paulo, onde faltam bolsas, moradia, apoio psicológico, acadêmico, chegando ao ponto de alunos tirarem a própria vida.

Tudo isso não é apenas uma constatação fria de números e estatísticas. Esse é o cenário a partir do qual nosso ódio crescente ganha corpo até chegarmos em um ponto em que dizemos para nós mesmos e queremos rasgar no Brasil inteiro um grito de BASTA!

BASTA de cortes na educação! BASTA de reformas que favorecem a burguesia! BASTA de privatizações que vendem os nossos recursos ao imperialismo!

Ainda assim, não é suficiente. Esse grito ainda precisa se expandir, precisa massificar e radicalizar. É por isso que nós da Faísca estamos defendendo que em cada universidade, em cada curso, se realizem assembleias que deem vazão a toda essa disposição que se mostrou no dia 29M. Que sejam assembleias onde os estudantes tenham direito a voz e voto e que a partir daí possamos com nossas mãos definir os rumos da mobilização.

Para entender mais: Por que defendemos assembleias de base e comando nacional de delegados?

Mobilização essa que não pode ser desperdiçada simplesmente para “pressionar” a CPI ou qualquer teatro desse congresso reacionário ou que simplesmente vire um palanque para 2022. Precisamos seguir articulando nossa mobilização, ocupando as ruas e unificando as pautas com a classe trabalhadora que é quem move tudo e quem pode causar o impacto capaz de barrar todos os planos de Bolsonaro, Mourão e os militares.

Mas o que falta para isso acontecer?

Primeiro que os mesmos partidos que dirigem as entidades estudantis como a UNE ou o nosso DCE aqui da USP são aqueles que dirigem milhões de trabalhadores com centrais sindicais importantíssimas como a CUT e CTB. Esses partidos são o PT e o PCdoB, que atuam conscientemente para restringir e separar as lutas dos trabalhadores e da juventude, porque sabem a potência que têm essa união e que pode sair do controle e se radicalizar como já demonstrou diversas vezes na história. E sair do controle é o que essas organizações reformistas menos querem. Acham que é suficiente (e possível) esperar as eleições e administrar um capitalismo mais “humano”.

Veja também: Centrais sindicais convocam atos no dia 18/06: construir pela base e unificar com a juventude

Por outro lado, as organizações que compõem a Oposição de Esquerda, como o PSOL, a UP e o PCB, que estão à frente de vários centros acadêmicos aqui da USP também, não apontam um caminho diferente. No máximo chamam novos atos totalmente por fora de decisões democráticas e não exigem que nossa luta seja unificada com os trabalhadores, querem canalizar nossa raiva para uma saída totalmente institucional como é o impeachment que na prática seria entregar de bandeja o governo para outro racista como Mourão. É como se dissesse para toda essa massa de jovens e trabalhadores que estão saindo às ruas em plena pandemia: “Confiem que o problema do país será resolvido com Bolsonaro saindo pelas mãos daqueles mesmos senadores que concordam com todas as retiradas de direito que os empresários querem”.

Chamamos a Oposição de Esquerda e demais partidos, como o PSTU, a romperem com essa política que só serve às correntes majoritárias que querem o movimento estudantil passivizado, atomizado e sem espaços democráticos. Frente aos grandes desafios que nos são colocados, é necessário um movimento estudantil combativo e disruptivo e que se ligue umbilicalmente aos trabalhadores. As entidades estudantis são importantes ferramentas de luta e organização, e no meio de tantos ataques, com milhares de estudantes querendo discutir o que fazer nesse momento, é urgente a construção de espaços de auto-organização dos estudantes como as assembleias.

Pode te interessar: Por que a UNE não constrói assembleias de base para massificar os atos do dia 19?

O Centro Acadêmico da Faculdade de Educação da USP, CAPPF, em que nós da Faísca estamos à frente junto com estudantes independentes, está chamando uma assembleia dos estudantes para discutir, propor medidas e fortalecer a mobilização. Um curso em que a maioria dos estudantes são professores ou estagiários em escolas, que estão se arriscando na pandemia e sentem na pele a precarização da educação, sendo que estes últimos sequer têm direito à vacina no plano divulgado pelo governo Doria. É preciso seguir e generalizar para toda a USP esse exemplo do CAPPF de chamar um espaço democrático de discussão e deliberação.

Essa é a forma mais democrática de garantir que o conjunto dos estudantes da base possam ser ouvidos e representados. A decisão sobre o ato, qual conteúdo defender, não pode ser por uma reunião de cúpula entre os dirigentes das entidades e nem de uma assembleia convocada apenas por uma única organização, sem representar de fato os debates dos estudantes em seus cursos.

Somente assim, confiando nas nossas próprias forças e não em nenhum setor do regime, confluindo com a classe trabalhadora, ampliando a auto-organização, poderemos retirar ao máximo da potencialidade que o dia 29 mostrou, lutando por Fora Bolsonaro, Mourão e os Militares, sem nenhuma confiança no Congresso e no STF que são parte desse regime político golpista que aplica os ataques contra as universidades e nossos direitos.

Por isso convidamos também todos os estudantes da USP a compartilhar a batalha por um movimento estudantil profundamente anti-burocrático e democrático conosco, batalhando por assembleias de base, a começar desde já preparando nossa mobilização rumo ao 19J.




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