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ALEMANHA

Trabalhadores hospitalares em Berlin entram em greve

Na Segunda-feira, trabalhadores do hospital “Berlin Charité” iniciaram uma greve de cinco dias. Trabalhadores da “Charité Facility Management” (CFM) são responsáveis por limpeza, esterilização, transporte de pacientes, preparação de comida, e todo o trabalho não médico no maior hospital universitário da Europa. Eles estão exigindo pagamentos iguais para trabalhos iguais.

sexta-feira 10 de julho| Edição do dia

O “Charité”, fundado em 1710, é o hospital mais antigo de Berlin. Com mais de 15.000 empregados, incluindo 4.000 médicos, é o maior hospital universitário da Europa. Mas nem todos que trabalham no “Charité” contam como empregados do hospital. Dois mil e quinhentos trabalhadores não médicos são necessários para manter os três campus funcionando: eles são responsáveis pela limpeza, esterilizaçõ, transporte de pacientes, preparação de comida e tudo mais.

Esses trabalhadores não médicos são parte da linha de frente na luta contra o coronavírus. Sem faxineiros, por exemplo, seria impossível para médicos e enfermeiros tratarem pacientes seguramente. Eles receberam muitas congratulações de políticos, mas pouca real compensação por arriscarem suas vidas. Até agora, o governo alemão pagou apenas um único bônus de 500 euros para trabalhadores hospitalares.

E trabalhadores não médicos do “Charité” são empregados por uma subsidiaria do hospital: a “Charité Facility Management” ou CFM. Na segunda , quase 400 trabalhadores da CFM começaram uma greve de cinco dias. Eles querem ser pagos de acordo com o mesmo acordo coletivo que todos os outros trabalhadores da “Charité” tem.

Médicos e enfermeiros da Charité são pagos de acordo com o Acordo Coletivo para o Setor Público (TVöD em alemão). A CFM foi terceirizada em 2006, em uma parceiria público-privada entre o governo de Berlin e múltiplas corporações, afim de diminuir os salários de trabalhadores não médicos.

Trabalho na CFM é caracterizado por salários baixos – muitas vezes apenas ou levemente acima de uma salário mínimo – e uma falata de seguridade trabalhista. A primeira greve na CFM, que durou 13 semanas, acorreu em 2011. A liderança buracratica do sindicato do setor público declarou uma vitória naquela greve – mas eles não ganharam o contrato.

Nos últimos nove anos, várias greves acorreram. Infelizmente, líderes sindicais travaram as greves antes delas serem efetivas. Crucialmente, eles prontamente se negaram a permitir que trabalhadores da CFM e médicos entrassem em greves juntos, assim como eles se negaram a organizar greves conjuntamente com os trabalhadores terceirizados de todos os hospitais de Berlin. Isso por que essas lideranças sindicais tem conexões próximas com os partidos governantes de Berlin.

A última greve da CFM acorreu em Março, quando a pandemia de coronavírus recém tinha chegado a Alemanha. Novamente, as lideranças sindicais cancelaram a greve sem nem mesmo consultar o grevistas. Essas lideranças prometeram que o governo iria garantir concessões por negocioção. Entretanto, após meses de reuniões virtuais, o departamento de saúde do senado de Berlin não ofereceu uma única concessão.

Por que o “Charité” simplesmente não oferece salários sindicalizados para todos? O aumentos salarial custaria alguns milhões de euros por ano – nada comparado aos 2 bilhões de euros anuais das despesas do hospital. Mas o modelo de terceirização e precarização do trabalho e central para o modelo econômico Alemão, tanto no setor público quanto privado. O setor público de berlin, por exemplo, tem mais de 100 dessas empresas subsidiárias de baixo salário. Isso é particularmente escandaloso já que o governo de Berlin e composto pelos sociais democratas do SPD, pelo Partido Verde, e pelo Die Linke (A esquerda) – todos os três prometeram acabar com esse tipo de precarização por anos, mas se negaram a por isso em prática.

Essa greve não é apenas sobre os trabalhadores da CFM. É uma luta de trabalhadores de baixo salário em toda a Alemanha. Os trabalhadores da CFM demonstraram uma determinação incrível nos últimos anos, e eles merecem todo o suporte do proletariado internacional. Se você mandar mensagens de apoio para o Left Voice ou o nosso site irmão na Alemanha, o Klasse Gegen Klasse, nós repassaremos essas mensagens aos grevistas.




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