GREVE DA USP CONTRA O RACISMO

Trabalhadores em greve da USP em apoio ao Black Lives Matter

Em greve há 62 dias, os trabalhadores da USP hoje em sua assembleia manifestaram seu apoio às mobilizações da população negra nos EUA contra os assassinatos racistas da polícia. O Black Lives Matter é um movimento que passou a se organizar de forma semi-espontânea em diversas partes dos EUA em resposta a diversos assassinatos brutais praticados pela polícia, uma realidade bastante próxima da que vivemos no Brasil.

Marcello Pablito - Trabalhador do Bandejão da USP e diretor do SINTUSP

dirigente do MRT e fundador do Quilombo Vermelho

quarta-feira 13 de julho de 2016| Edição do dia

Foto: Amanda Ferreira

Recentemente, as denúncias das mortes de Alton Sterling e Philando Castile, documentadas com celulares e expostas nas redes sociais, levaram a uma nova onda de protestos em todo o país. Os trabalhadores da USP debateram em sua assembleia a importância da solidariedade internacional dos trabalhadores a essa importante luta contra o racismo institucional e assassino do Estado capitalista americano, e tiraram uma foto em apoio. Essa já está sendo amplamente divulgada nas redes sociais, e nos EUA foi difundida pelo Left Voice, diário que faz parte da Rede Internacional do Esquerda Diário.

A greve dos trabalhadores da USP é também contra a política racista da reitoria e do governo de Alckmin em diversos aspectos. Em primeiro lugar, luta para que a universidade implemente cotas raciais, que já são uma realidade nas universidade federais e tem uma lei que as institui, sendo a USP uma das últimas universidade públicas do país a se negar a adotá-las. Mas os trabalhadores também estão lutando contra uma série de cortes nos hospitais da universidade, que atingem sobretudo a população pobre e negra da região, que necessita do hospital para ser atendida. Dentro da universidade, os cortes também atingem sobretudo as mulheres negras. São creches que estão sendo fechadas, centenas de demissões aprovadas para que se aumente a terceirização, na qual mulheres negras são superexploradas e não têm direitos mínimos respeitados.

A tradição dos trabalhadores da USP é a de uma luta decidida contra o racismo do Estado, e por isso conta com uma Secretaria de Negras e Negros e Combate ao Racismo, e atua contra o racismo dentro de fora da universidade. A luta dos negros nos EUA é a mesma luta que travamos aqui, e derrotar os patrões e governos, derrubar o capitalismo que utiliza a opressão dos negros para explorar mais, é parte fundamental de uma estratégia para acabar com o racismo em todo o mundo.




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