Mundo Operário

CORREIOS: ROMBO DO POSTALIS

Trabalhadores dos Correios preferem se desligar do Postalis do que pagar pelo rombo

quarta-feira 22 de abril de 2015| Edição do dia

Depois do anúncio de que seria cobrada uma contribuição extra dos ecetistas para cobrir o rombo em seu fundo de pensão, muitos trabalhadores optaram por se desvincular do Postalis. De acordo com texto publicado pelo Estadão, 700 carteiros já se desligaram.

Sem enxergar nenhuma saída viável, esses trabalhadores estão achando melhor abrir mão do benefício, pelo qual contribuíram por anos, para evitar um prejuízo maior com as cobranças e com uma possível quebra do plano no futuro. O fato é que muitos ecetistas se questionam se no momento da sua aposentadoria haverá algum valor de complementação, diante de um déficit na casa dos R$ 5,6 bilhões, como mostramos aqui.

As entidades representativas dos trabalhadores, como a principal Federação de sindicatos da categoria, a FENTECT, entraram com medidas judiciais para questionar a decisão, mas a resposta da Justiça Federal foi de que a ECT não tem responsabilidade pelo que acontece no fundo de pensão e de que não cabe à justiça federal julgar.

Outra medida impulsionada por alguns sindicatos, como o de Santa Catarina, foi uma campanha de envio de cartas pelos funcionários direcionadas ao Postalis, desautorizando o desconto do salário. Embora tenha chamado atenção, essa medida também não traz nenhum efeito, uma vez que não tem poder para impedir o desconto.

Quando a notícia sobre o rombo do Postalis apareceu na mídia, um setor de parlamentares ligados principalmente ao PSDB chegou a abrir um pedido de CPI dos fundos de pensão, com o objetivo de investigar não só o Postalis, mas também Petros, Previ e Funcef, respectivamente os fundos dos funcionários da Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. No dia 9 de abril alguns, como Romário, voltaram atrás e a CPI não saiu. Agora foi feito um novo requerimento, novamente pelo PSDB. Mas a verdade é que o interesse desses senadores é aparecer como oposição e colar o escândalo ao governo petista, pouco se importando de fato com o esclarecimento dos fatos e com a devolução do dinheiro para os trabalhadores.

Os trabalhadores precisam urgentemente se organizar, se mobilizar e tomar para si a investigação e o controle do seu próprio fundo de pensão, porque se depender da empresa, dos corruptos do PT e PMDB que administram o plano, do Senado ou da própria justiça burguesa, esse vai ser mais um escândalo que acaba em pizza - e uma pizza cara - paga pelos trabalhadores, mas saboreada pelos corruptos.




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