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USP | Trabalhadores do bandejão da USP seguem em paralisação contra o descaso da USP com suas vidas

Já são três dias de paralisação dos funcionários do restaurante central da USP sem que a direção da Superintendência de Assistência Social (SAS) e a Reitoria tomem providências em relação ao alto número de trabalhadores contaminados pela covid-19.

sexta-feira 14 de janeiro | Edição do dia

Chega a treze os casos confirmados e vários suspeitos no restaurante universitário e a USP insiste em manter o restaurante aberto, expondo funcionários e estudantes ao risco de contaminação pela nova variante ômicron. Para piorar a situação a USP se recusa a fornecer testagem aos trabalhadores para conter o avanço da doença e impõe que o trabalho continue sendo realizado por aqueles que não apresentam sintomas, mesmo quando estes tiveram contato com os doentes. Com isso, a contaminação continua a se espalhar.

A reitoria atribui o aumento de casos às festas de final de ano e ignora que o vírus não escolhe quem e onde contaminar. A nova variante, considerada mais contagiosa que as anteriores, já representa a maioria absoluta dos casos em São Paulo.

Com o colapso do sistema de saúde, faltam testes nas UBS e os testes rápidos custam em torno de cem reais nos laboratórios particulares. A fila de espera pela testagem tem demorado horas e a orientação recebida nos postos é testar apenas quem apresenta sintomas graves. Com isso, a contaminação segue aumentando sem controle. O aumento de casos de covid entre crianças faz com que pais e mães trabalhadoras fiquem ainda mais preocupados em levar o vírus para dentro de casa.

Todo esse cenário, previsível depois de dois anos de pandemia, se agrava com a ausência de políticas públicas efetivas para garantir a segurança sanitária da população. O presidente saúda a nova variante ômicron, como se fosse positivo adoecer. Em São Paulo, João Doria mira nas eleições, fazendo politicagem em torno da vacina para as crianças, mas manteve o retorno às aulas de forma desorganizada, sem preparar as escolas e consultar a comunidade escolar. Além disso, dois anos depois e nenhum novo hospital construído para a população. Faltam médicos e o corpo de enfermagem está sobrecarregado com o aumento de casos. A única preocupação dos governos tem sido diminuir o tempo de afastamento desses profissionais quando se contaminam ou invés de realizar contratações emergenciais.

Na USP o reitor Vahan Agopyan, nos seus últimos dias de mandato, ignora os dados científicos e o avanço da pandemia e entrega os trabalhadores a própria sorte. Setores inteiros das unidades de ensino da universidade foram contaminados, no Hospital Universitário (HU) e no Centro de Saúde Escola Butantã (Ceseb) os funcionários estão sobrecarregados, as filas de doentes aumentam a cada dia e se multiplica os casos de contaminação e adoecimento entre os trabalhadores. Durante toda a gestão da pandemia, a USP, na mídia, aparecia como referência para as pesquisas científicas para desenvolver respiradores, testes, medicamentos, mas internamente ignorava a ciência tratando funcionários efetivos e terceirizados como objetos, onde o adoecimento e morte não faziam diferença.

Todo o conhecimento científico produzido pela universidade durante a pandemia mostra o seu potencial. No entanto, não apenas em relação aos seus funcionários, mas também para a população da Zona Oeste, o HU e Ceseb passaram toda a pandemia sem contratações de trabalhadores efetivos para aumentar a capacidade do atendimento e resolver os problemas de sobrecarga de trabalho. Desde 2014 não há contratações e os aparelhos de saúde estão sendo desmontados. Entre as trabalhadoras da higienização e limpeza do HU, que já são precarizadas pois o trabalho é terceirizado, houve cortes de pessoal. Um trabalho essencial para a segurança sanitária de todos no hospital, pacientes e trabalhadores, principalmente com a pandemia, é tratado com imenso desprezo e as trabalhadoras sofrem com a sobrecarga e mais adoecimento.

Essa realidade levou os trabalhadores do bandejão central a indignação e a decidirem na quarta por paralisar as atividades até que a USP se responsabilize pela testagem e o afastamento dos que tiveram contato com os doentes. Com o quadro reduzido, por causa das férias, funcionários com restrições devido a lesões causadas pelo trabalho e o aumento absurdo de contaminados, a situação se tornou insustentável para esses trabalhadores.

O vice-superintendente da SAS, responsável pela administração do restaurante, recusou a proposta de manter o restaurante fechado até quarta-feira da semana que vem, tempo recomendado de quarentena para quem teve contato com os doentes. Ele quer o restaurante aberto mesmo às custas de contaminação de estudantes e funcionários.

Os trabalhadores do bandejão se mantém firmes na paralisação e aprovaram realizar um ato em frente a reitoria contra o descaso em relação a saúde de todos os trabalhadores e estudantes da USP, exigindo testes para a comunidade fornecidos pela universidade para garantir o retorno seguro ao trabalho. O Sintusp, Sindicato dos Trabalhadores da USP, deve chamar uma assembleia na próxima semana para debater a situação que se alastra nas unidades.

É fundamental exigir contratações emergenciais imediatas para todos os aparelhos de saúde, garantir o afastamento remunerado dos doentes e daqueles que tiveram contato com ele, sejam funcionários efetivos ou terceirizados, testagem massiva e periódica de toda a comunidade. O retorno de forma segura deve ser discutido e decido pela comunidade USP e não imposto de forma irresponsável sem que medidas elementares de segurança e adequação dos espaços sejam tomados.

O ato contra o descaso d reitoria está marcado para ocorrer na terça-feira às 11:30 saindo do restaurante central em marcha até a reitoria. Nós do Movimento Nossa Classe, junto a juventude Faísca, nos incorporamos ao chamado e estaremos juntos na luta pela vida e saúde dos trabalhadores.

Vejam o vídeo de Kenzo Sasaki, estudante de Ciências Sociais e militante da Faísca

Veja também o boletim do Sintusp:




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