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RIO GRANDE DO NORTE

Trabalhadoras da saúde do RN estão sem EPIs e grupo de risco é obrigado a trabalhar

Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, 37% dos casos confirmados de coronavírus são entre esses trabalhadores. É inaceitável que quem está na linha de frente do combate ao vírus esteja sendo usado de bucha de canhão pelos prefeitos, como Álvaro Dias (MDB) de Natal e a governadora Fátima Bezerra (PT)

segunda-feira 13 de abril| Edição do dia

Desde a chegada da epidemia do coronavírus no Rio Grande do Norte, os trabalhadores da saúde do estado e dos municípios denunciam a completa falta de proteção para atender a população.

O Sindsaúde-RN relata ainda que trabalhadores do grupo de risco estão sendo obrigados pelas prefeituras e pelo governo estadual a seguirem se expondo nos hospitais. Uma situação que coloca em risco vida daqueles responsáveis por salvar vidas hoje. A governadora Fátima declarou na TV que esses trabalhadores são heróis. Uma declaração cínica frente a essa situação.

Em Mossoró, um trabalhador da saúde foi vítima do novo COVID-19. Quantos mais terão que morrer para que seja garantido o mínimo que são capotes, máscaras N95 e outros itens mínimos de enfrentamento ao vírus? Porque não contratam urgentemente novos trabalhadores da saúde para os que estão em grupo de risco possam ser liberados?

O governo anunciou que o sistema de saúde do estado irá colapsar até o final de abril. Diagnosticam um cenário catastrófico, mas não agem de acordo. Se por um lado Bolsonaro nega a necessidade do mínimo que é a quarentena, em interesse dos empresários que querem que a população morra, mas seus lucros sigam crescendo, governadores como Dória, e também Fátima, parecem mais responsáveis mas estão sendo cúmplices das mortes nos seus estados.

Enquanto os empresários devem R$ 4 bilhões ao estado, faltam até mesmo testes para a população, de modo que a contagem no contágio estagnou, e o LACEN passou a descartar amostras de pessoas que não estão no grupo de risco para testagem do vírus. Não fosse a UFRN, que irá entregar 100 mil testes, o Rio Grande do Norte não teria o mínimo para diagnoticar a gravidade da contaminação.

Se limita apenas a abrir nossas covas, ao invés de taxar a fortunas dos grandes empresários para ampliar o número de leitos e de respiradores. O hospital de campanha prometido pela governadora, de 100 novos leitos, sequer saiu do papel por problemas na licitação. Além disso não trará nenhuma mudança substancial pelo sistema de saúde público.

É preciso que os trabalhadores assumam o comando do combate ao vírus. É urgente a centralização de todo sistema de saúde, público e privado, que seja controlado pelos trabalhadores da saúde, pois somente estes auto-organizados podem garantir as medidas sanitárias, de segurança desses trabalhadores e de toda a população, a liberação do grupo de risco sem perda salarial. Nas fábricas, como da Guararapes, Vicunha Têxtil, e outras, os trabalhadores podem batalhar para a garantia da produção de EPIs, capotes, reconvertendo a sua produção sob controle da auto-organização dos operários têxteis.




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