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CORTE DE DIREITOS

Trabalhador da Saúde: Reforma da Previdência de Paes é “simplesmente uma covardia”

O Esquerda Diário esteve presente na manifestação contra a Reforma da Previdência de Paes, ocorrida no dia 6 de abril, e recolheu relatos de servidores da saúde indignados com o projeto que corta seus salários em meio a um pico da pandemia, a falta de reajuste há anos e em que a situação do trabalho está exaustiva e precária.

sexta-feira 9 de abril| Edição do dia

Imagem: Tânia Rego/Arquivo/Agência Brasil

A manifestação questionava essa reforma que aumentará a alíquota previdenciária de 11% para 14% para os pensionistas e aposentados que ganham acima de R$ 6 mil reais, e aumentará os anos de contribuição para 62 a mulheres e 65 para os homens. A medida afetará aos servidores da saúde, professores e outros profissionais da linha de frente na pandemia.

Tal como nos relatou o gente municipal de saúde anônimo, a Reforma de Eduardo Paes piorará ainda mais a situação de vida desses profissionais:

“Nossa categoria, da secretária municipal de saúde, no combate a dengue, ela tem um posicionamento quanto a essas reformas. Eu, particularmente acho, como o Paulo Guedes informou lá, com isso ele colocaria uma granada no bolso de cada servidor público e nós somos servidores públicos e estamos vivendo isso daí. Então todas essas reformas para a gente não passam de um grande engodo. Não vão melhorar arrecadação com isso, não se melhora arrecadação de um estado, de um município, de um país, reprimindo e oprimindo o trabalhador, retirando direitos do trabalhador. Eu individualmente penso que é um grande engodo e não vai trazer nenhum tipo de benefício nem pra população e nem para o serviço público de forma geral. Pelo contrário, está trazendo só perda de direitos. O que estamos vendo é isso. Tanto na área de saúde, educação, segurança, e hoje o pessoal está aqui (se manifestando), apesar da pandemia, houve esse movimento contra essa votação que estão fazendo (o governo Paes e vereadores) de 14% por cento em cima de nosso salário já defasado, sem nenhuma perspectiva de reajuste de salário, é simplesmente uma covardia.

Eles estão aproveitando a vacinação da população (para passar a reforma), é uma covardia em dose dupla, eles colocam a população contra os servidores quando estão empenhados, como se fossem esses os responsáveis pelo déficit.

Entrevistamos também um vigilante de saúde que nos relatou a situação difícil que os servidores de saúde vem enfrentando em 3 âmbitos diferentes e o quanto Eduardo Paes já se mostrou em outros momentos um inimigo dos trabalhadores da saúde, dos servidores públicos e da garantia desses serviços para a população:

Esquerda Diário: Como está a situação do seu trabalho? Como vê essa reforma da previdência do Paes nesse momento de auge da pandemia em que o plano de vacinação vai muito lenta?

Vigilante de saúde anônimo: “São 3 situações bastante críticas, tanto a questão do operacional, da nossa segurança como servidores de trabalhar nessa situação de pandemia e também na questão financeira, que é anterior.
(Quanto a questão econômica) isso é evidente (com essa reforma) com esse desconto que vai aumentar de 11% para 14% o desconto no salário, o congelamento do nosso triênio, que estava determinado para dezembro desse ano e querem estender para 2024, a questão do nosso vale-alimentação congelado há mais de dez anos, o fim da insalubridade na aposentadoria. As questões operacionais, como falta de material, o quadro técnico defasado já há muito tempo mesmo, a última leva de servidores que entrou, da gente vigilante de saúde, tem mais de 6 anos, tranquilamente, 7 anos na ponta do lápis. E quanto a segurança, a chefia impõe que façamos visitas sem EPIs, uma quantidade de visitas domiciliares irreal para a situação pandêmica que a gente vive. É nesse pantanal que o servidor da saúde está trabalhando”

Esquerda Diário: E quanto ao governo Paes e essa reforma? Você deve conhecer sua atuação na saúde desde a última gestão.

Vigilante de saúde anônimo: “Sempre foi interesse do Paes diminuir os custos na saúde, colocar os OSs no lugar dos servidores, fazer com que pouco a pouco a saúde seja sucateada para nós mesmos, eu mesmo quando entrei na prefeitura (ainda na primeira gestão), ele queria fazer uma nova prova, um novo concurso, mas ainda estava em período do concurso que fiz e não entrei, ele queria ignorar o período de vigência do concurso. Não é de agora que ele tem o interesse de diminuir os direitos dos servidores.”

A situação nos hospitais, na saúde e na vida dos cariocas é de calamidade, o Rio e o Brasil vem batendo recorde de mortos e Paes vem descarregando a crise nas costas dos trabalhadores com essa reforma. Quando se trata de adotar o lado do empresário, beneficiar os grandes comerciantes e industriais, a política é a mesma de Bolsonaro, Mourão e Castro. Precisamos combate-los, nós do Esquerda Diário batalhamos para enfrentar a todos eles por vacina para todos, quebrando patentes, junto a uma fila única dos leitos de saúde, expropriando os leitos privados.

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