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CORONAVÍRUS

Testes Drive-thru de Ibaneis não testam nem 3% da população DF

quinta-feira 23 de abril| Edição do dia

Após tanto tempo prometendo testes, o governo do Distrito Federal, através da Secretaria de Saúde (SES), anuncia a “testagem drive-thrus” - privilegiando quem tem carro, achando que as vidas dos trabalhadores são como lanches no McDonald’s. Consonante com as políticas de Ibaneis, como o isolamento social, essa medida de testagem da forma que está posta é extremamente seletiva. Não há nenhuma garantia explícita de testagem das trabalhadoras e trabalhadores da saúde - os quais estão lutando pela vida e realmente combatendo o COVID-19, o que Ibaneis não não quer fazer. Fora que apenas as pessoas com os sintomas podem, de fato, realizar o teste. Primeiro, é preciso enfrentar horas de fila e burocracia para, talvez se estiver com alguns sintomas, ser atendido. E não esqueçamos: 100 mil testes parece um número bonito, pomposo - mas não testa nem 3% da população inteira do DF!

Segundo a pasta, os testes ocorrerão em pontos de Águas Claras e Plano Piloto, justificando a escolha de regiões com concentração de renda mais elevada afirmando, também, uma concentração do número de infectados pelo Covid-19, conforme dados oficiais. A contradição extrema é escancarada ao compararmos a estrutura de hospitais, condições para se testar e a falta absoluta de testes para a população até agora - sem os quais, por motivos óbvios, não é possível mapear devidamente quem está infectado ou não. Para questionar esses lugares escolhidos pelo GDF, basta mencionar Ceilândia, por exemplo, a qual possui apenas um hospital e uma upa para 444 mil habitantes (detalhe: Ceilândia é mais populosa que o Plano Piloto e Águas Claras juntos!).

Algo não fecha: 965 casos confirmados e 25 mortes no DF, na data de hoje (23/4) o que fazem os dados apontarem para uma concentração de casos na população de maior renda (cerca de 40% no plano piloto e lago sul). Porém, como saber ao certo tudo isso se as pessoas não são testadas massivamente, ora?! Não podemos nos esquecer, também, que o método de quarentena aplicado é ineficaz sem testes para todos - e muito mais débil com a flexibilização! Se é prioridade mesmo no GDF erradicar essa doença, precisamos de testes massivos para todos, gratuitos, para as trabalhadoras e trabalhadores da saúde, em todas as regiões administrativas, sem essa burocracia anticientífica. Isso só é possível com a mobilização e organização da classe trabalhadora do DF e entorno: não dá mais para confiar no GDF de Ibaneis.

É preciso exigir mais que essa medida propagandista de Ibaneis pra tentar se reeleger no DF. É preciso exigir das centrais sindicais que prestem a devida estrutura e apoio aos profissionais da saúde para que haja a organização desde a base das categorias, a fim de criar força real e conquistar a testagem massiva, apoio necessário e EPIs, estabelecer uma quarentena científica e que salve vidas, com combate ferrenho e racional ao COVID-19. Nada podemos esperar de Ibaneis a não ser morte e “testagem BigMac”. Só a classe trabalhadora pode vencer o novo coronavírus e o vírus do capitalismo irracional - o responsável pela gigantesca deflagração dessa crise, seja sanitária, seja econômica, e a permanente defesa, por exemplo, de Ibaneis aos bancos e grandes empresários e não aos trabalhadores!




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