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Tercerizadas e residentes do Hupe fazem ato por pagamento e manutenção dos postos de trabalho

Hoje (dia 23/02/2016) ocorreu mais um ato do movimento “HUPE Resiste” organizado por residentes, médicos e trabalhadores. O Hospital Universitário Pedro Ernesto que sofre com os ajustes fiscais da educação e da saúde, junto ao drama das terceirizadas da empresa Construir, prestadora de serviços do hospital e da UERJ, que estão a dois meses sem receber seus salários, bonificações, feriados e decimo terceiro. E na última segunda (22) foram surpreendidos ao chegar no Hupe pela substituição por uma nova empresa terceirizada e um novo quadro de trabalhadores.

Rodrigo Leon

@RodHeel

quarta-feira 24 de fevereiro de 2016| Edição do dia

A concentração do Ato aconteceu na praça Belini, ao lado do estádio do Maracanã onde cerca de 100 pessoas entre residentes HUPE, terceirizadas e estudantes tomaram as ruas rumo ao hospital universitário para reclamar seus direitos trabalhistas.

O espírito do ato era a indignação contra o descaso da UERJ e da Construir através da contratação de uma nova empresa sem nenhuma resposta aos terceirizados, pelas condições em que se encontram o Hupe de total precarização e abandono e a exigência pelo pagamento das bolsas dos residentes e dos salários atrasados das terceirizadas com palavras de ordem como: “Chega de caô, terceirizado não trabalha de favor! Nem residente!”

Os residentes do HUPE já sofrem com os cortes desde o final de 2015 conforme matéria já publicada pelo Esquerda Diario, porém o descaso com as terceirizadas é anterior ao inicio de 2015, desde a gestão do reitor Vieiralves na UERJ.

Já presentes no hospital universitário, trabalhadoras e representantes de organizações utilizaram uma caixa de som para apresentar suas pautas reivindicatórias. Dentre elas a militante da Juventude às Ruas e do MRT Isabela Santos, também coordenadora do Centro Acadêmico de Serviço Social da UERJ (CASS), veja o vídeo aqui:
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Isabela Santos, estudante de Serviço Social da UERJ e coordenadora do CASS fala no ato em defesa do HUPE.

Publicado por Juventude ÀS RUAS em Terça, 23 de fevereiro de 2016

Depois de todas as falas os manifestantes se dirigiram para a administração do hospital para reclamar o não pagamento das terceirizadas com o diretor do hospital: Edmar José Alves dos Santos. Também protestavam pelo fato de existir uma nova empresa e novos trabalhadores executando seu serviço no hospital.

Depois de quase uma hora de espera, sobre o olhar de seguranças na frente da sala da administração, o diretor aparece com a expressão mais tranquila possível, desconsiderando totalmente as condições das terceirizadas que não tem sequer dinheiro para almoçar, afirmando que toda aquela reivindicação estava sendo equivocada, pois a Construir que estava sem efetuar os pagamentos. Quando questionado sobre a contratação da empresa “Verde” para supostas “questões emergenciais” do HUPE, junto com a pergunta “por que os trabalhadores da Construir foram barrados pelos seguranças na entrada do horário de trabalho?”, o Diretor simplesmente respondia com a frase “não fui informado” e seguia com suas longas explicações de processos administrativos burocráticos.

Após muitos questionamentos, os terceirizados e residentes receberam informações do próprio diretor sobre uma reunião na DAF (Direção administrativa Financeira da UERJ) com a diretora Maria Theresa que iria esclarecer os motivos pelos quais os terceirizados não receberam ainda seus salários, ao mesmo tempo que ignorava o fato do HUPE estar brutalmente sucateado.

A reunião da DAF ocorreu as 15 hrs, com terceirizadas exaustas e sem nenhum dinheiro para alimentação. Por restrições por parte da administração, apenas 4 pessoas puderam entrar na sala de reunião (3 terceirizadas e uma residente do HUPE)que durou cerca de 40 minutos; Na saída, alguns apontamentos: o contrato da empresa Construir – HUPE (por que existe um contrato para cada setor) foi rompido por iniciativa da UERJ pelo não cumprimento das clausulas por parte da Construir: os salários não pagos com o dinheiro já depositado pela UERJ.

A condição das terceirizadas é bem delicada, esse vídeo exclusivo retrata suas condiçoes:

A reitoria da UERJ joga a responsabilidade para a Construir que está se fazendo de desentendida como fizeram na segunda dizendo que não sabiam de nada. Esta situação que está ocorrendo significa o que é a terceirização , contratante e contratado “lavam as mãos" e as trabalhadoras terceirizadas ficam sem seus trabalhados e são humilhadas diante dos negócios entre os únicos interessados com a terceirização. O que está ocorrendo com as terceirizadas da Construir no Hupe não é e nem foi a primeira vez, essa é a regra da terceirização.

Por isso nós da Juventude às Ruas na UERJ nos colocamos lado a lado desses terceirizados e como parte da gestão atual do Cass sempre estivemos apoiando as terceirizadas, convocando os estudantes, fazendo campanhas de arrecadação de alimentos e sendo parte das construção dos atos e piquetes que ocorreram no prédio da São Francisco Xavier e no Hupe, defendendo a fundamental resposta para esta condição de precarização e humilhação, que é a luta pela incorporação imediata dos terceirizados sem concurso público.

Devem ser pagos imediatamente os salários e benefícios aos tercerizados! A reitoria da UERJ e o governo Pezão são responsáveis! Todos os setores da universidade, estudantes, funcionários e professores deveriam se juntar aos terceirizados para barrar todos os ataques, seja eles na UERJ, seja no conjunto da classe trabalhadora que vem sofrendo.




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