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Empresa e prefeitura são responsáveis | Terceirizados da limpeza fazem justa paralisação pelo pagamento do VA em Porto Alegre

A paralisação dos trabalhadores da limpeza de Porto Alegre, iniciada na noite de sexta-feira (15), vai atravessar o fim de semana e já interrompeu o serviço de coleta de lixo em 43 bairros da capital gaúcha. Greve justa exige o pagamento do vale-alimentação que a empresa terceirizada atrasou e trabalhadores denunciam as péssimas condições de trabalho. Responsabilidade é do prefeito e da empresa.

sábado 16 de outubro | Edição do dia

Os trabalhadores da empresa Litucera Limpeza e Engenharia Ltda. cruzaram os braços na madrugada de sexta-feira, 15 de outubro. A empresa terceirizada, contratada pela prefeitura de Sebastião Melo (MDB), vem atrasando o vale-alimentação dos trabalhadores há dias. Não são poucos que passaram o dia das crianças sem o chamado “vale-boia”, impedidos de poderem fazer um almoço e jantar digno para seus filhos.

A prefeitura joga no colo da empresa a responsabilidade, alegando que houve problemas na documentação da empresa a fim de se fazer o pagamento. A empresa alega que fará o pagamento na segunda-feira, dia 18. Um joga o problema no colo do outro, mas na verdade ambos são responsáveis pela situação dramática em que se encontram os trabalhadores. A empresa vem fazendo o serviço há meses a partir de um contrato emergencial durante a pandemia, já recebeu o dinheiro antecipado e alega que não tem fundo emergencial para pagar o vale dos trabalhadores. É uma falcatrua para eles receberem ainda mais dinheiro da prefeitura e seguir com o contrato por mais tempo. Melo, que é responsável pelo contrato com a empresa, é parte dessa maracutaia onde os empresários estão lucrando horrores e os trabalhadores sofrendo.

A greve é mais que justa. Em nenhum momento a empresa deixou de carregar os caminhões com diesel e também vem segurando a carteira de trabalho de vários funcionários dentro do RH. Além de baixos salários, a empresa vem atrasando o vale-boia e lucrando mais com esse atraso. Ao mesmo tempo, a prefeitura não se dignou a pagar o VA em dia, deixando esses trabalhadores à míngua.

São várias outras denúncias que os próprios trabalhadores trazem, e que a Zero Hora não diz, como um próprio vídeo que corre na internet está mostrando. A empresa não paga vale-transporte para os trabalhadores, obrigando os trabalhadores a pagarem a passagem para ir trabalhar. Faça chuva ou faça sol, 24 horas por dia, 7 dias por semana, os trabalhadores da limpeza estão recolhendo lixo, mas sendo sistematicamente desrespeitados pela empresa e, de quebra, pela prefeitura de Melo. Sequer o uniforme adequado a empresa fornece, obrigando muitos trabalhadores a terem que trabalhar com uniforme virado ao avesso de outras empresas que trabalhavam. Essa situação é indignante.

Sem o trabalho desses homens e mulheres, pais e mães de família, a cidade simplesmente não funciona. A prefeitura vem tentando atacar a greve e colocou uma equipe de quase 100 pessoas e 35 caminhões na cidade para tentar não feder tanto assim. Mas não conseguem esconder o cheiro que vem da precarização e do desrespeito com os direitos dos trabalhadores que representa a terceirização.

Atualmente, a empresa é responsável por 80% da coleta domiciliar de porta a porta na cidade. A paralisação é praticamente total. Os outros 20% são feitos por coleta automatizada, que não está paralisada por ser de outra empresa. Essa Litucera possui sede no estado de São Paulo, na cidade de Vinhedo.

É preciso cercar de solidariedade a greve dos trabalhadores e denunciar o trato desumano com que as empresas terceirizadas lidam com os trabalhadores. A regra é atraso nos pagamentos, assédios morais, atraso ou ausência de recolhimento do FGTS, entre outros desrespeitos. É um retrato fiel de como as relações trabalhistas vão se flexibilizando a fim de garantir o lucro do patrão, enquanto tiram o almoço do peão.




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