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Precarização | Terceirizadas da limpeza e merenda das escolas de SP sofrem com demissões e a fome

Terceirizadas da limpeza e merenda das escolas municipais e estaduais de São Paulo sofrem com demissões e salários e direitos atrasados, e quanto prefeitura e governo seguem garantindo todos os direitos e lucro das empresas contratadas.

quarta-feira 24 de novembro | Edição do dia

Enquanto João Doria (PSDB) tenta se lançar como candidato a presidência do país em 2022, o atual governador de São Paulo segue com a destruição da educação estadual e dos direitos dos educadores e outros servidores, avança a passos largos com a implementação da absurda Reforma do Ensino Médio para garantir mão de obra barata para os patrões, aplica políticas que levam ao aumento da evasão escolar e deixa terceirizadas da limpeza e da cozinha das escolas na fome, sem receber seus direitos básicos como salários, vale transporte e vale alimentação, enquanto garante o lucro das empresas terceirizadas contratadas pelo estado e prefeitura de São Paulo.

Durante toda a pandemia, a prefeitura de Covas, e agora Ricardo Nunes, assim como os secretários de educação municipal e estadual, demitiram milhares de terceirizadas das escolas, que são fundamentais para toda comunidade escolar, lançando-as a fome, ao desemprego, a precarização cada vez mais profunda da vida da população no governo Bolsonaro e Mourão. Enquanto isso seguiram fazendo demagogia com a pandemia e a vacinação para se diferenciar do negacionismo do governo federal, mas na prática negando qualquer direito e possibilidade das terceirizadas e outros trabalhadores das escolas, como os agentes escolares, de se protegerem no momento mais dramático da pandemia que levou mais de 600 mil brasileiros. Esse foi o “cuidado” que tiveram com uma maioria de mulheres, mães e avós negras, que são as terceirizadas.

E mesmo agora, enquanto no país mais de 110 milhões de pessoas vivem em insegurança alimentar, das quais 19 milhões passam fome, Doria juntamente com Bolsonaro, militares, Congresso, judiciário e outros governos seguem suas disputas para ver quem irá garantir maiores lucros para os mais ricos, novamente quem paga são as terceirizadas.

Em diversas regiões do estado de São Paulo as trabalhadoras terceirizadas estão perdendo novamente seus empregos, porque as empresas contratadas pedem falência e saem sem pagar os direitos de centenas de trabalhadoras, que ficam sem receber um centavo, enquanto os empresários saem com lucros para montar novas empresas de prestação de serviços ao governo.

Outras milhares de trabalhadoras, de outras empresas, seguem com salários e vale transporte atrasados, trabalhando de forma precária, faltando até mesmo insumos necessários para o trabalho, tendo que fazer milagres para limpar escolas inteiras com uma ou duas trabalhadoras, ou fazer a merenda das crianças e jovens.

Não por menos, merendeiras de pelo menos oito escolas municipais da Zona Leste de São Paulo entraram em greve devido a falta de pagamento de salários e insumos para o trabalho, tendo relatos de que algumas já vinham levando produtos de casa para não deixar os alunos com fome.

Quantos alunos vão para as escolas porque só existe ali a possibilidade de se alimentar pelo menos uma vez no seu dia? E quantos desses alunos são, inclusive, filhos dessas terceirizadas? Quantas escolas seguem hoje seus trabalhos diariamente para tentar garantir a educação dos alunos, enquanto o governo e a prefeitura sequer garantiram a limpeza das escolas, em meio a propagandas de protocolos de segurança contra a contaminação da Covid, que na realidade nunca foram garantidos nas escolas?

Essa é a situação das escolas e das trabalhadoras terceirizadas, e apesar do governo do estado estar nas mãos do PSDB há anos, a terceirização teve seu caminho aberto em grande parte pelas mãos do PT quando estava no governo federal, que flexibilizou esse tipo de contratação, que hoje é usada para garantir aos patrões descarregarem toda essa crise nas costas de trabalhadoras como as terceirizadas das escolas.

A Apeoesp (dirigida pelo PT e PCdoB), um dos maiores sindicatos da América Latina, assim como o Sinpeem (que têm Claudio Fonseca do Cidadania como presidente) e Sindsep (também do PT), que são os sindicatos da educação municipal, tem o dever de atuar para garantir os direitos dessas milhares de trabalhadoras das escolas, colocando toda sua estrutura em prol da luta das terceirizadas pelos seus direitos e condições de trabalho, contra os desmandos das empresas e do governo. Não é aceitável a desculpa desses sindicatos para não lutar por essas trabalhadoras da escola. Formalmente são sindicatos separados, mas isso não significa que temos que aceitar que nos dividam, enquanto no chão da escola estamos todos juntos. A situação das terceirizadas das escolas é assunto dos professores sim, porque todos os dias vemos e sentimos suas dificuldades, precarização e desespero para levar alimento para as suas famílias.

Além disso, não ter merenda e limpeza nas escolas significa afetar diretamente a qualidade da educação e do trabalho docente. Não podemos lecionar vendo a fome das crianças, das nossas colegas de trabalho e com escolas sem higienização em meio a uma pandemia, que apesar de ter diminuído seus números ainda segue atingindo a comunidade escolar.

A situação precária das trabalhadoras e trabalhadores terceirizados das escolas não é novidade, mas tampouco é natural e vem piorando, por isso precisamos lutar por seus direitos, mas também pela efetivação, sem a necessidade de concurso público, de todas essas trabalhadoras que já conhecem seu serviço, suas escolas e sua comunidade escolar muito melhor que qualquer político que só pisa em escola em época de eleição, como os secretários de educação Rossieli Soares e Fernando Padula.

A situação da inflação que corrói os salários ou o alto desemprego atingem em cheio a educação, por isso precisamos colocar os nossos sindicatos da educação para lutar pela resolução desses problemas, por exemplo, garantir a divisão das horas de trabalho, reduzindo a jornada, sem redução no salário, para poder garantir mais contratações com direitos e diminuir a fila do desemprego. Também lutar por reajuste salarial mensal igual à inflação.

É urgente lutar pelas terceirizadas das escolas, e para isso é preciso mobilizar as escolas e os professores, que é o oposto do que faz a Apeoesp e Sinpeem, que atua desviando a revolta daqueles que hoje mais sofrem com as mazelas dessa crise, para uma saída eleitoral em 2022, enquanto as mulheres terceirizadas, que tem rosto de mulher negra, seguem sem salários, sem direitos e sendo demitidas.




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