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Temer busca impedir aliados do governo de ingressar no PMDB

Em uma contraofensiva ao Palácio do Planalto, o vice-presidente Michel Temer decidiu reunir a Executiva Nacional do PMDB na quarta-feira (16) para evitar que o deputado federal Leonardo Picciani (PMDB-RJ) retorne à liderança do partido na Câmara dos Deputados.

quarta-feira 16 de dezembro de 2015| Edição do dia

A pedido do presidente da Casa Legislativa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a reunião foi marcada para impugnar a filiação à legenda do deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), movimento costurado pelo governo para fortalecer o apoio na bancada do partido ao parlamentar carioca.

Côrtes registrou-se no diretório do PMDB do Rio de Janeiro e tentou se inscrever nesta segunda (14) como integrante da bancada peemedebista na Câmara.

Temer já havia pedido à presidente Dilma Rousseff que o governo não interferisse em questões internas do PMDB, mas auxiliares da petista disseram que não iriam frear o movimento, o que irritou o vice, Cunha e a cúpula do partido.

Na semana passada, Temer orientou a cúpula do partido a proibir a filiação de parlamentares que tenham como propósito fortalecer a tentativa de recondução de Picciani. A estratégia é blindar a bancada federal e o novo líder do partido, Leonardo Quintão (MG), que conta com o apoio do vice-presidente.

Aliado da presidente Dilma Rousseff, Picciani foi destituído na semana passada, quando 35 dos 66 integrantes da bancada federal assinaram documento pedindo sua saída.

Com dificuldades de conseguir reverter apoios, o Planalto iniciou movimento para enfraquecer a legitimidade do atual líder à frente do PMDB na Casa Legislativa. A pedido do governo federal, os ministros Marcelo Castro (Saúde) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) atuam para convencer deputados a retirarem assinatura do abaixo-assinado que levou o mineiro ao posto, mesmo que eles não declarem apoio ao carioca.

Em oposição a Picciani, que participava de todas as reuniões com a base aliada no Planalto, o mineiro não é chamado para os encontros semanais com o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, para discutir a pauta da semana no Congresso Nacional.

Os interesses pessoais e os conluios entre os setores pró-governo e os favoráveis ao impeachment dentro deste verdadeiro camaleão que é o PMDB se articulam com os grandes interesses da burguesia nacional. O próprio Picciani, hoje um aguerrido escudeiro do governo, foi em 2014 articulador da campanha eleitoral de Aécio Neves do PSDB (que se unificou para defender o impeachment e um eventual governo Temer). Como uma das heranças podres da ditadura militar, o PMDB, que raramente foi oposição a qualquer governo desde 1985, sabe poder jogar com PT e PSDB, que estão em uníssono acordo na aplicação rápida dos ajustes contra os trabalhadores e a população pobre.

Para neutralizar a conjuntura favorável ao fracasso da marcha do impeachment, os deputados do PMDB exigem que haja convenção partidária em janeiro, e não março, para discutir a ruptura com o governo Dilma. Aceleram-se as movimentações de Temer e Serra e um possível acordo de "união nacional" (sem Dilma), ainda que Temer negue. O objetivo primário que move estas forças é compartilhado por todas estas siglas do regime político (PT, PSDB e PMDB): aplicar os ataques e ajustar. O "mal menor" aqui, como sempre, é o caminho mais curto ao pior.

Não se trata apenas de Cunha, Temer, Dilma, Aécio ou Serra, Calheiros ou Picciani: é o conjunto das instituições do regime político burguês que estão apodrecidas até a medula dos ossos e precisam ser derrubadas pela mobilização das massas em luta contra os ajustes. É preciso encarar esforços para colocar de pé um verdadeiro movimento nacional contra os ajustes que seja a base para impor uma Assembleia Constituinte que ataque os direitos de propriedade dos capitalistas e paute os grandes temas sociais, políticos e econômicos do país.




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