Economia

DÍVIDAS ESTADOS

Temer anuncia renegociação das dívidas dos Estados, mas exige contrapartida

Na tentativa de se equilibrar entre as exigências ajustadoras da burguesia e o risco de perder a maioria para aprovação do impeachment, Temer anuncia renegociação das dívidas dos Estados colocando como contrapartida o apoio ao estabelecimento de um teto dos gastos públicos de acordo com a inflação.

Mauro Sala

Campinas

terça-feira 21 de junho de 2016| Edição do dia

Diante da série crise fiscal dos Estados, nessa segunda-feira, Michel Temer anunciou um acordo para a renegociação de suas dívidas. O acordo incluiria a renegociação da dívida por 20 anos, suspensão do pagamento das parcelas pendentes de 2016, e descontos regressivos nas parcelas até meados de 2018, com redução de 5,5% a cada mês. O governo golpista, por meio de seu interventor na Fazenda, disse que selou o acordo com os Estados como forma “emergencial” de conter suas atuais situações financeiras.

Como contrapartida, o governo exige que os Estados apoiem a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para estabelecer um teto nos gastos públicos limitados à inflação do ano anterior, medida de ajuste essencial para a manutenção do apoio das grandes patronais que o apoiaram no golpe.

Por outro lado, essa negociação com os Estados busca garantir a maioria para a aprovação definitiva do impeachment de Dilma que, após Temer assumir a cadeira presidencial, vive um momento de instabilidade e de divergência na frente golpista. Assim, o governo golpista busca se equilibrar entre os ajustes duros e rápidos exigidos pelas patronais e as negociatas parlamentares que o levaram ao poder, não podendo desagradar nenhum dos dois lados.

Essa política de renegociar as dívidas estaduais exigindo como contrapartida medidas de ajustes lembra a forma proposta pelo PT, tal como levada a diante no PL 257, em tramitação na Câmara.




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