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LETALIDADE POLICIAL

Suposta redução da taxa de homicídio não inclui recorde de assassinatos pelas mãos da polícia

terça-feira 10 de setembro| Edição do dia

Dados do 13° Anuário de Segurança Pública divulgados hoje, terça (10), pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, indicam que o número de assassinatos caíram 10% em 2018 e o número de homicídios causados por policiais bateu recorde, chegando a 6220 no mesmo período. Mas, na verdade, a contraposição desses dois dados revelam que a redução da taxa de homicídio é enganosa, porque as mortes cometidas pela polícia não entram na estatística geral.

Os números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicariam que o número de assassinatos caiu pela primeira vez em 3 anos. Em 2018, foram 57431 casos, inferior a 2014. Mas, ao mesmo tempo, apontam que 1 em cada 10 pessoas são assassinadas violentamente pela polícia.

Isso omite a política do Estado de assassinato pelas mãos da polícia. O presidente de extrema-direita Bolsonaro e governadores, como Witzel do RJ, incentivam e legitimam a truculência policial.

Veja mais: Bolsonaro e Moro comemoram redução de crimes, enquanto população carcerária e assassinatos por policiais disparam

Bolsonaro afirmou sua pretensão de conceder indulto para os policiais responsáveis pelo massacre de Eldorado dos Carajás, pela chacina em Carandiru e pela ação em sequestro do ônibus 174, ocorrido no Rio de Janeiro, em 2000; o que, felizmente, está fora do seu alcance . Ataca através de ajustes neoliberais, como a reforma da previdência, para que os capitalistas possam lucrar, e também através do racista pacote anti-crime de Moro que dá carta branca para que os policiais possam matar manifestantes, negros e negras em favelas, periferias, e presídios.

O mês de julho de 2019 foi o mês em que mais pessoas morreram por intervenções policiais no estado do Rio de Janeiro desde 1998, pela política racista de Witzel. No total foram 194 mortes, sendo maioria pobre e negra.

Cada um dos nossos que perde sua vida pelas mãos do Estado racista devem ser colocados na conta de Bolsonaro, governadores como Witzel e de sua política racista.

Os ataques e a degradação das condições de vida da classe trabalhadora produzida pelos capitalistas só podem acarretar no aumento da violência. Por isso, uma resposta para a demanda por segurança precisa partir de responder a fundo a crise econômica, colocando uma saída anticapitalista, que ofereça emprego, saúde e educação ao conjunto da população e que faça com que sejam os capitalistas que paguem pela crise. Mas também propomos um programa mínimo concreto para a esquerda batalhar (como desenvolvemos nesta nota aqui): a legalização das drogas, exigência pelo fim dos tribunais militares e que os crimes policiais sejam julgados por júri popular composto pelas comunidades, organismos de direitos humanos e sindicatos, pelo fim dos privilégios dos juízes e que todo juiz ganhe igual a um professor e sejam eleitos pelo povo.




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